O 5G já cobre 95% das zonas rurais. A fibra ainda falta em 1.967 localidades
Portugal está acima da média europeia na cobertura rural de redes de muito elevada capacidade, mas metade de um milhão de casas continua sem fibra. Os contratos para as chamadas zonas brancas custam 172,3 milhões de euros.
Há uma versão otimista e uma versão impaciente da mesma tabela, e as duas estão certas.
A otimista: nas zonas rurais portuguesas, o 5G chega a 95,3% dos alojamentos e as redes de muito elevada capacidade a 81,6%, um valor que a ANACOM diz estar 8,9% acima da média da União Europeia. A fibra ótica cobre 73,1% do território rural, também acima da média europeia. Os dados são do estudo Connectivity Coverage in Europe 2025 e a ANACOM detalha-os na sua página de factos e números.
A impaciente: a banda larga fixa rural fica-se pelos 88,9%, abaixo da média europeia. E há 1.967 localidades, espalhadas por 288 concelhos, onde simplesmente não existe rede de elevada capacidade nenhuma. Chamam-lhes zonas brancas.
Quem paga e quando chega
Os contratos para as cobrir foram assinados entre as cinco Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e a DSTelecom, que ganhou o concurso internacional lançado em 2023. O investimento total é de 172,3 milhões de euros, com cerca de 30 milhões de comparticipação pública, financiada pelo FEDER através do Portugal 2030 e por verbas do leilão do 5G. O comunicado do Governo sobre a assinatura dos contratos confirma os lotes: Norte, Centro, Alentejo, Algarve e Lisboa.
A instalação abrange edifícios residenciais e não residenciais — indústria, comércio, explorações agrícolas — e deve levar fibra a cerca de meio milhão de casas que hoje não a têm.
Porque demorou tanto
A ANACOM identificou as zonas brancas em 2022. Depois vieram negociações com Bruxelas, três consultas públicas, a renúncia do júri e uma impugnação judicial que continua pendente. O concurso só arrancou em 2023 e o valor previsto encolheu pelo caminho, dos 425 milhões iniciais para os 172,3 milhões contratados.
A DSTelecom, que entretanto entrou ela própria num processo de venda com fundos internacionais na corrida, fica responsável pela instalação, gestão e manutenção das redes nos cinco lotes. A meta oficial mantém-se: acesso a redes Gigabit em todo o território até 2030.
Por Oliver Grant
Gráfico: Tugadaily · Dados: Comissão Europeia, Connectivity Coverage in Europe 2025