A Intel bateu as estimativas e mesmo assim perdeu 28,6% na bolsa num só dia
Receitas de 16,5 mil milhões de dólares no terceiro trimestre (+21%) e o melhor crescimento em data centers em 15 anos. O problema foi a previsão: 15 a 16 mil milhões para o quarto trimestre e um abrandamento dos PC que a própria Intel diz durar pelo menos até meados de 2027.
A Intel apresentou na quinta-feira à noite números melhores do que o mercado esperava. Na sexta-feira, as ações caíram 28,6%. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo, e a explicação está numa única linha do comunicado: a previsão para os próximos três meses.
O trimestre que correu bem
No comunicado de resultados do terceiro trimestre, a Intel reporta receitas de 16,5 mil milhões de dólares, mais 21% do que há um ano. O lucro ajustado por ação foi de 0,52 dólares, mais do dobro dos 0,23 de 2025, e a margem bruta ajustada subiu para 44,1%.
O motor foi a inteligência artificial. A divisão de data centers e IA faturou 7,3 mil milhões, mais 78%, o maior crescimento desta área em 15 anos segundo o diretor financeiro, David Zinsner. A Intel Foundry, a fábrica de chips para terceiros, subiu 58%.
A frase que pesou mais
A divisão de computadores pessoais, que ainda é a maior da casa, caiu 5%, para 8,1 mil milhões. E a Intel não espera que melhore tão cedo: Zinsner disse que o abrandamento dos PC deve continuar pelo menos durante a primeira metade do próximo ano.
Daí a previsão para o quarto trimestre: entre 15 e 16 mil milhões de dólares, abaixo dos 16,5 que acabou de faturar, com um lucro ajustado de 0,25 dólares por ação. O mercado leu isto como sinal de que o crescimento dos servidores não chega para compensar o resto.
Um dia mau para todos os chips
A Intel não caiu sozinha. Segundo os números de fecho da Reuters, o Nasdaq perdeu 2,86% na sexta-feira, a maior queda num dia desde 5 de junho, e o índice de semicondutores de Filadélfia caiu 7,2%. A AMD desceu 10,9% e a Nvidia 4,2%. Os resultados da Amazon, publicados na mesma noite, juntaram-se ao receio de que as grandes tecnológicas estejam a gastar em IA mais depressa do que conseguem recuperar.
Ainda em julho, a Intel tinha subido a previsão de investimento à boleia dos data centers, e o negócio de servidores fez o que prometia. O que mudou foi o resto. Para quem acompanha os mercados a partir de Portugal, o dia está resumido no nosso acompanhamento dos mercados.
Por Oliver Grant
Imagem: Sixflashphoto / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)