O FMI deu boa nota aos bancos portugueses — e as PME podem sentir o aperto
A avaliação do FMI ao sistema financeiro português (FSAP) confirma bancos sólidos, mas aponta a exposição ao imobiliário e à dívida. Consultores avisam que o crédito às PME fica mais exigente.
Boa notícia primeiro: o exame mais exigente que existe ao sistema financeiro nacional deu positivo. O relatório do FSAP, o programa de avaliação do setor financeiro do FMI divulgado esta sexta-feira pelo Banco de Portugal, conclui que os bancos portugueses aguentaram bem os últimos anos — pandemia, subida das taxas de juro, instabilidade geopolítica — com capital, liquidez e rendibilidade em níveis adequados.
O que é que o FMI encontrou de menos bom?
Duas vulnerabilidades, e nenhuma delas é surpresa para quem segue a economia portuguesa: a exposição da banca ao imobiliário residencial e à dívida soberana. O Fundo recomenda reforçar a monitorização dos riscos sistémicos e o enquadramento macroprudencial — a linguagem técnica para dizer que convém estar atento se as coisas azedarem.
E porque é que isto interessa a uma PME?
Porque é aí que a recomendação aterra na vida real. A consultora Capitalizar, que analisou o relatório, avisa que o resultado prático deverá ser um crédito mais exigente, sobretudo em setores considerados de maior risco. Na prática, uma pequena ou média empresa vai enfrentar uma análise mais fina, em que a qualidade da informação financeira e a solidez do projeto pesam mais do que pesavam. Quem usa imóveis como garantia deve acompanhar de perto a evolução das avaliações.
O conselho que sai daqui é pouco romântico e bastante útil: reforçar liquidez, diversificar fontes de financiamento e gerir com prudência. Encaixa num ano em que as empresas portuguesas arrancaram mais rentáveis e com menos pressão financeira — uma almofada que agora dá jeito. O relatório completo está no Banco de Portugal.
Por Beatriz Mota
Imagem: Wikimedia Commons (domínio público)