Almada declara alerta: água racionada em plena onda de calor e furos de emergência a caminho
Almada declarou situação de alerta pelo abastecimento de água: racionamento rotativo, consumo recorde em 75 anos e um novo furo de captação até ao fim de julho.
A crise da água em Almada subiu de nível. A presidente da Câmara, Inês de Medeiros, declarou situação de alerta no concelho — o patamar mais grave adotado até agora — depois de dias seguidos de falhas de abastecimento que deixaram milhares de pessoas de torneiras secas, com a Costa da Caparica entre as zonas mais castigadas. Já tínhamos contado a rutura inicial; o que era avaria pontual é agora gestão de escassez em pleno verão.
Porque continua a faltar água em Almada?
Consumo recorde. A autarquia diz que 2026 regista o maior volume de água distribuído em mais de 75 anos de abastecimento público no concelho, empurrado pelo calor extremo — o mesmo que já custou 125 mortes acima do esperado no país — e pelo salto de população sazonal na Caparica. A reguladora acrescenta outro ingrediente: consumos ilícitos na rede. Para aguentar o sistema, os serviços municipais passaram a fazer racionamento rotativo — cortes temporários por zonas, para a rede recuperar pressão e a água chegar a todo o lado por turnos.
Quando melhora o abastecimento?
O primeiro reforço tem data: um segundo furo de captação deve entrar em funcionamento até ao fim de julho. Atrás dele vêm mais três furos em licenciamento e outros três em projeto. Até lá, a regra é poupar — a autarquia pede usos essenciais e proíbe regas e lavagens de carros, e a informação atualizada por freguesia está no site da Câmara Municipal de Almada.
Entretanto, a crise chegou à política: o PSD apresentou uma moção de censura ao executivo municipal, acusando a Câmara de falta de planeamento. Num concelho rodeado de rio e mar, a água das torneiras tornou-se o tema do verão.
Por Marta Carneiro
Imagem: Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)