Falta de água em Almada: regulador exige explicações e rotura corta seis zonas
Semanas de falhas no abastecimento, uma petição com milhares de assinaturas e agora uma rotura de grandes dimensões: a crise da água em Almada chegou ao regulador.
Abrir a torneira e não sair nada tornou-se rotina em partes de Almada. Depois de semanas de falhas no abastecimento — com a Costa da Caparica, a Sobreda e os Capuchos entre as zonas mais atingidas —, a ERSAR, entidade reguladora dos serviços de água, pediu explicações formais aos SMAS de Almada. E no domingo a situação piorou: uma rotura de grandes dimensões numa conduta deixou seis zonas do concelho sem água.
Porque falta água em Almada?
Os SMAS atribuem a pressão no sistema ao calor e ao aumento da população sazonal, que fizeram disparar os consumos. Mas para muitos moradores a explicação não chega: uma petição a exigir medidas urgentes já reúne perto de quatro mil assinaturas, e há comerciantes que dizem andar “há mais de um mês” a gerir o negócio ao ritmo das falhas. A rotura de domingo, que interrompeu o fornecimento em seis zonas de uma vez, veio expor a fragilidade da rede no pior momento possível.
O que acontece agora?
A bola está em dois campos. No regulador, que aguarda as explicações dos serviços municipalizados sobre as causas e o plano para estabilizar o abastecimento. E na política local, onde o caso já rendeu acusações cruzadas — a oposição responsabiliza décadas de gestão municipal pela degradação da rede, e o tema promete dominar o verão autárquico em Almada. Entretanto, com o calor a continuar, a única certeza dos moradores é a recomendação de sempre: garrafões cheios em casa.
Veja também: a onda de calor que está a pressionar o país. O papel do regulador em ersar.pt.
Por Marta Carneiro
Imagem: Juntas / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)