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Centro histórico de Vouzela, concelho de Viseu no coração do combate ao fogo
Notícias 4 de julho de 2026

Incêndio de Vouzela obriga Portugal a pedir ajuda a Espanha e à UE

Com cerca de 11 mil hectares ardidos e aldeias evacuadas, o país acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil num fim de semana de calor extremo.

O grande incêndio que lavra em Vouzela, no distrito de Viseu, tornou-se este fim de semana o rosto de uma época que ninguém queria tão cedo. Ao terceiro dia, as chamas já tinham consumido perto de 11 mil hectares e obrigaram Portugal a fazer algo raro: pedir ajuda lá fora.

Na sexta-feira o Governo acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e as pontes bilaterais com Espanha e Marrocos. O primeiro resultado prático chegou depressa, com meios espanhóis a juntarem-se aos mais de mil operacionais que já estavam no terreno. No pico da operação, a Proteção Civil chegou a ter milhares de bombeiros, centenas de veículos e dezenas de aeronaves distribuídos por várias frentes em simultâneo.

Aldeias em alerta

O fogo não ficou por Vouzela. Alastrou a Oliveira de Frades, Águeda e Tondela, com duas aldeias parcialmente evacuadas por precaução e moradores mais vulneráveis retirados durante a noite, incluindo um homem octogenário em Cinfães. Sete pessoas ficaram feridas, entre bombeiros e um civil que tentou combater as chamas por conta própria. A linha do Vouga, entre Águeda e Sernada do Vouga, permanece cortada por causa da proximidade do fogo aos carris.

Tudo isto acontece com o país debaixo de um estado de alerta declarado para todo o território continental, em vigor desde a madrugada de sexta-feira e prolongado até segunda-feira. As previsões apontavam máximas a roçar os 40 graus e vento a complicar o combate — a receita exata para o que estamos a ver.

O aviso para quem vive ou viaja pelo interior é simples e vale a pena repetir: nada de queimas, cuidado com o mato seco e atenção às indicações das autoridades. Já tínhamos falado do estado de alerta pelo calor e de como esta época de incêndios chegou cedo e a arder. As atualizações oficiais estão a ser publicadas pela Proteção Civil.

Por Marta Carneiro

Imagem: Concierge.2C / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Hamad bin Khalifa Al Thani, antigo emir do Qatar
Notícias 12 de julho de 2026

Hamad bin Khalifa Al Thani morreu: o emir que transformou o Qatar tinha 74 anos

O antigo emir do Qatar, Hamad bin Khalifa Al Thani, morreu a 12 de julho, aos 74 anos. Governou de 1995 a 2013, fundou a Al Jazeera e trouxe o Mundial 2022 para o Golfo.

O homem que pegou numa península de areia e gás e a converteu num dos países mais influentes do planeta morreu este domingo. Hamad bin Khalifa Al Thani, antigo emir do Qatar, tinha 74 anos. A morte foi anunciada pelo gabinete real, sem indicação de causa, e o país decretou quatro dias de luto nacional, com bandeiras a meia haste e serviços públicos suspensos.

Quem foi Hamad bin Khalifa Al Thani?

Foi o emir que governou o Qatar entre 1995 e 2013 — e o principal arquiteto da sua transformação. Durante o seu reinado, a aposta agressiva no gás natural liquefeito fez do pequeno emirado o país mais rico do mundo per capita. Foi também ele que fundou a televisão Al Jazeera, em 1996, dando ao Qatar uma voz global desproporcionada ao seu tamanho, e que garantiu a organização do Mundial de futebol de 2022, o primeiro no mundo árabe.

O gesto mais invulgar guardou-o para o fim: em 2013, abdicou voluntariamente a favor do filho, Tamim, então com 33 anos — uma raridade absoluta nas monarquias do Golfo, onde o poder costuma só mudar de mãos com a morte. Desde então vivia afastado da política ativa, tratado no país como “pai emir”.

O que muda agora no Qatar?

Na prática, nada na estrutura de poder: Tamim governa há treze anos e a sucessão ficou resolvida há muito. Mas o desaparecimento do patriarca chega num momento delicado para a região, dias depois de o Golfo ter estado no centro da escalada entre Teerão e Washington — os ataques do Irão a bases americanas no Qatar e nos Emirados ainda estão frescos na memória. Entre presidentes, monarcas e adeptos de futebol, as condolências vindas de todo o mundo dizem muito sobre o alcance que Hamad deu a um país com menos habitantes do que a Grande Lisboa.

Por Marta Carneiro

Imagem: The Scottish Government / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Mapa do Golfo Pérsico e dos países da região
Notícias 12 de julho de 2026

Irão ataca bases dos EUA no Qatar, EAU, Bahrein e Kuwait: a maior retaliação até agora

O Irão lançou vagas simultâneas de mísseis e drones contra bases americanas no Golfo este domingo, após novos ataques dos EUA. Qatar diz ter intercetado tudo.

O Irão lançou este domingo de manhã vagas simultâneas de mísseis e drones contra alvos no Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait, reivindicando ainda ataques na Jordânia e em Omã. É a retaliação mais ampla de Teerão desde o início do confronto direto com os Estados Unidos — e o alvo são as bases americanas espalhadas pelo Golfo.

O que atacou o Irão este domingo?

A Guarda Revolucionária diz ter atingido a base aérea de Al-Udeid, no Qatar — a maior instalação militar americana na região —, reivindicando a destruição de um centro de comando e de uma unidade de manutenção de aeronaves. Doha contraria a versão: garante que intercetou os mísseis que se dirigiam à base. O Kuwait anunciou que estava a abater alvos aéreos hostis e pediu à população para se abrigar, o Bahrein ativou as defesas antiaéreas e os Emirados confirmaram a interceção de vários projéteis. Teerão reivindica ainda ter atingido a base de Prince Hassan, na Jordânia, e o porto de Duqm, em Omã, usado pela marinha americana.

Porquê agora?

A escalada segue uma lógica de olho por olho que dura há semanas. Na noite de sábado, um navio foi atacado no estreito de Ormuz; os Estados Unidos responderam com uma nova ronda de bombardeamentos em território iraniano, que já tinha somado dezenas de alvos atingidos em dias anteriores; e o Irão respondeu ao ataque com a ofensiva deste domingo. Pelo meio, Donald Trump já tinha ameaçado Teerão com uma resposta de “1.000 mísseis”, o que dá a medida da temperatura retórica entre as duas capitais.

O que pode acontecer a seguir?

O dado novo é o envolvimento direto do espaço aéreo de meia dúzia de países árabes que acolhem meios militares americanos — incluindo aliados que tentavam manter-se fora da linha de fogo. As operações do Comando Central dos EUA na região estão detalhadas no site oficial do CENTCOM. Para já, nenhum dos países atingidos anunciou vítimas, mas cada vaga destas estreita o espaço para a diplomacia — e deixa o preço do petróleo, os voos e as cadeias de abastecimento mundiais em suspenso.

Por Marta Carneiro

Imagem: Stevertigo / Wikimedia Commons (domínio público)

Fachada do Liceu Camões, em Lisboa
Notícias 12 de julho de 2026

Revisão de notas nos exames: só 2% pedem, mas a classificação sobe em 76% dos casos

Só 2% dos exames nacionais são reapreciados, mas quando há revisão a nota sobe em 76% dos casos. O que isto diz do sistema e como pedir a reapreciação.

Os números falam por si: só cerca de 2% dos exames nacionais são alvo de reapreciação — mas, quando um aluno pede mesmo a revisão, a nota sobe em 76% dos casos. É uma das estatísticas mais eloquentes desta época de exames, revelada este fim de semana, e chega numa altura em que a confiança no processo já estava a ser posta à prova pelo caos informático que marcou a primeira fase.

Vale a pena pedir a reapreciação da prova?

Estatisticamente, sim — e por larga margem. Se três em cada quatro revisões acabam com a classificação a subir, o receio clássico de que “mexer na nota” pode correr mal tem pouco fundamento nos dados. Para quem ficou a décimas de entrar no curso pretendido, esse ponto extra pode valer uma vaga: as médias de acesso ao ensino superior jogam-se ao centésimo, como lembrámos no guia do Concurso Nacional de Acesso.

Como funciona a revisão da nota?

O processo tem dois passos: primeiro pede-se a consulta da prova na escola, para perceber onde se perderam pontos; depois, se houver argumentos, avança-se para a reapreciação dentro dos prazos fixados para cada fase pelo Júri Nacional de Exames e pela Direção-Geral do Ensino Superior. Convém pesar o caso com um professor da disciplina — a nota também pode descer, embora os dados mostrem que é raro.

Porque é que tão poucos pedem?

Entre o desconhecimento do mecanismo, os prazos apertados de julho e a burocracia, a maioria das famílias nem tenta. Este ano soma-se o desgaste: entre falhas nas pautas eletrónicas e um processo marcado por polémica, a tutela já tinha estado debaixo de fogo no Parlamento. Números como estes dificilmente vão acalmar o debate.

Por Marta Carneiro

Imagem: Manuelvbotelho / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Bandeira da República Popular da China
Notícias 11 de julho de 2026

Tufão Bavi atinge a China: mais de um milhão de pessoas retiradas antes da chegada a terra

O tufão Bavi atingiu a costa da China a 11 de julho, depois de mais de um milhão de pessoas terem sido retiradas das zonas de risco.

O tufão Bavi chegou à costa da China este sábado, e a resposta das autoridades mediu-se em números pouco habituais até para o país mais populoso da Ásia Oriental: mais de um milhão de pessoas foram retiradas de casa antes de o ciclone tocar terra.

O que se sabe sobre a chegada do Bavi à China?

O ciclone atingiu terra a 11 de julho, depois de dias de avisos e de evacuações em massa nas províncias costeiras. As autoridades suspenderam ligações marítimas e mantiveram alertas para chuva intensa, vento destruidor e inundações costeiras, com a informação oficial a ser atualizada pela Administração Meteorológica da China.

Não é a primeira paragem do Bavi. Ainda esta semana, o mesmo sistema passou pelas Marianas do Norte como super tufão e deixou o arquipélago a avaliar os estragos do pior ciclone da sua história, antes de seguir viagem para oeste pelo Pacífico.

Porque importa a escala da evacuação?

Porque é o retrato da época de tufões que o Pacífico está a viver: sistemas que ganham força depressa e obrigam a decisões rápidas em zonas densamente povoadas. Retirar um milhão de pessoas em poucos dias é uma operação logística enorme — e, em geral, é o que separa um susto de uma tragédia. O balanço de danos na China só deverá ser claro nos próximos dias, e voltaremos ao assunto se a fatura for pesada.

Por Marta Carneiro

Imagem: Zeng Liansong / Wikimedia Commons (domínio público)

Comboio Intercidades da CP numa estação
Notícias 11 de julho de 2026

Intercidades Lisboa-Évora feito com comboios regionais: CP admite falta de carruagens

A CP está a substituir composições Intercidades por comboios regionais na ligação Lisboa-Évora por falta de material circulante. O Governo admite limitações e só promete melhorias em 2027.

Quem compra bilhete de Intercidades entre Lisboa e Évora está, em muitos horários, a viajar noutra coisa: a CP anda a substituir as composições habituais por comboios usados nas linhas regionais, por falta de material circulante. Paga-se serviço rápido e confortável, viaja-se em carruagens pensadas para trajetos curtos e com muitas paragens.

Porque está a CP a usar comboios regionais na linha de Évora?

A resposta curta: não há carruagens que cheguem. A frota Intercidades está envelhecida, e a própria CP reconhece que algumas séries de material, pela idade, têm limitações — do conforto ao ar condicionado, um problema sério nas semanas de calor extremo que o país atravessa. Os avisos e alterações de serviço vão sendo publicados na página oficial da CP. Os passageiros do Alentejo já vinham a acumular queixas de atrasos e avarias desde a primavera, e a troca de composições foi a gota de água: nas redes sociais, multiplicam-se relatos de viagens pagas a preço de Intercidades feitas em bancos de Regional.

Quando é que o serviço melhora?

O Governo admitiu as limitações na ligação Lisboa-Évora, justificadas pela reduzida disponibilidade de carruagens, e só antecipa melhor capacidade de resposta em 2027, com a entrada do novo material circulante já encomendado. Até lá, a CP garante que a solução regional é a possível para não suprimir comboios.

Para já, o verão alentejano faz-se assim: mais devagar e com menos conforto, num mês em que os combustíveis também ficaram mais caros — ou seja, nem a alternativa do carro dá tréguas à carteira. Évora, Capital Europeia da Cultura em 2027, que se prepare: o comboio novo e os visitantes devem chegar ao mesmo tempo.

Por Marta Carneiro

Imagem: Giugiaro / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Bandeira do Vietname
Notícias 11 de julho de 2026

Naufrágio no Vietname: 15 turistas morrem em barco que virou ao largo de Phu Quoc

Um barco turístico virou perto da ilha de Phu Quoc, no Vietname, matando 15 turistas. As autoridades investigam as causas do naufrágio.

Um passeio de barco ao largo de Phu Quoc, a ilha mais turística do Vietname, terminou em tragédia este sábado: a embarcação virou-se e 15 turistas morreram. É um dos acidentes mais mortíferos dos últimos anos num destino que vive do mar — e que se tornou paragem cada vez mais comum nos roteiros de viajantes europeus pelo Sudeste Asiático.

O que aconteceu ao barco em Phu Quoc?

A embarcação transportava turistas quando se virou perto da costa da ilha, no sul do país. As equipas de socorro confirmaram 15 mortos, e as autoridades vietnamitas abriram uma investigação para apurar as causas — desde as condições do mar à lotação e ao estado do barco, as perguntas habituais neste tipo de acidente ainda não têm resposta oficial.

Há portugueses envolvidos?

Até ao momento, não há registo de vítimas portuguesas divulgado pelas autoridades. Quem viaja pela região pode registar-se e consultar os contactos de emergência no Portal das Comunidades do MNE, o canal oficial para cidadãos portugueses no estrangeiro.

O acidente encerra uma semana pesada no noticiário internacional — em que também acompanhámos a subida do número de vítimas portuguesas nos sismos da Venezuela — e volta a pôr em cima da mesa a segurança dos passeios marítimos em destinos de grande procura. Phu Quoc recebeu milhões de visitantes no último ano; a pergunta que o Vietname agora enfrenta é se a fiscalização cresceu ao mesmo ritmo.

Por Marta Carneiro

Imagem: See File history below for details. / Wikimedia Commons (domínio público)

Patrulha da GNR em serviço
Notícias 11 de julho de 2026

GNR desmantela rede de tráfico: 26 detidos e 13 em prisão preventiva em Aveiro e Porto

Megaoperação da GNR de Oliveira de Azeméis contra o tráfico de droga deteve 26 pessoas; 13 ficam em prisão preventiva. Apreendidos 40 kg de haxixe, cocaína e armas.

Foi uma das maiores operações antidroga do ano no norte do país — e o desfecho judicial já é conhecido. Dos 26 detidos pela GNR de Oliveira de Azeméis numa megaoperação de combate ao tráfico, 13 vão aguardar o processo em prisão preventiva, decidiu o tribunal. A rede atuava nos distritos de Aveiro e do Porto.

O que foi apreendido na megaoperação da GNR?

A lista impressiona: cerca de 40 quilos de haxixe — o equivalente a 80 mil doses —, 1.720 doses de cocaína, além de ‘crack’, heroína, liamba e ecstasy, dinheiro e armas de fogo. A operação, realizada na terça-feira com o apoio da PSP, envolveu 43 buscas domiciliárias e 44 não domiciliárias, e o cumprimento de 11 mandados de detenção.

Quem são os detidos?

São 21 homens e cinco mulheres, com idades entre os 17 e os 61 anos, suspeitos de pertencer à mesma rede de tráfico. Além das prisões preventivas, os restantes arguidos ficaram sujeitos a medidas de coação menos gravosas. A investigação continua, e os comunicados oficiais vão sendo publicados na página da GNR.

O verão costuma trazer mais patrulhas para as estradas e praias, mas a GNR tem repetido que a época alta também é dos crimes de oportunidade — os assaltos a casas incluídos. Desta vez, o alvo foi maior: uma rede inteira, de uma só vez.

Por Marta Carneiro

Imagem: Jsobral / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Airbus A330-900neo da TAP Air Portugal
Notícias 11 de julho de 2026

Sismos na Venezuela: mortes de portugueses e lusodescendentes sobem para 107

O balanço dos sismos de 24 de junho na Venezuela chegou aos 107 portugueses e lusodescendentes mortos e 57 desaparecidos. A TAP retoma os voos a 13 de julho.

O número de portugueses e lusodescendentes mortos nos sismos que atingiram a Venezuela a 24 de junho subiu para 107, com 57 pessoas ainda desaparecidas, segundo o mais recente balanço do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Entre as vítimas da comunidade estão 19 crianças, e 91 dos 107 mortos tinham também nacionalidade venezuelana.

É um agravamento pesado face às primeiras semanas: quando fizemos o balanço no final de junho, as autoridades falavam em 589 mortos no total do país e as buscas ainda devolviam sobreviventes. Hoje, o número de mortos em toda a Venezuela aproxima-se dos 3.900, com milhares de feridos e deslocados. A comunidade portuguesa — uma das maiores da diáspora, sobretudo na região de Caracas e nos estados vizinhos — foi duramente atingida pelo colapso de prédios nos dois abalos, de magnitude 7,2 e 7,5.

Quando retoma a TAP os voos para a Venezuela?

A TAP retoma as ligações à Venezuela já na segunda-feira, 13 de julho, mas com uma mudança: os voos passam a usar o aeroporto Arturo Michelena, em Valência, enquanto duram os constrangimentos na infraestrutura da capital. Para muitas famílias luso-venezuelanas, é a primeira janela real para reencontros — nos dois sentidos — desde que a operação foi suspensa a seguir aos sismos.

Portugal mantém no terreno apoio consular reforçado, e as famílias que procuram informação sobre parentes podem contactar a linha de emergência consular através do Portal das Comunidades Portuguesas, que centraliza os contactos do MNE.

Os números, esses, devem continuar a mexer: com 57 desaparecidos e escombros ainda por levantar em vários bairros, ninguém em Lisboa ou Caracas arrisca dar o balanço por fechado.

Por Marta Carneiro

Imagem: BriYYZ / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Mapa do Irão com a província de Golestan assinalada
Notícias 10 de julho de 2026

EUA-Irão: segundo dia de ataques atinge 90 alvos e ponte ferroviária para a China

Os EUA atacaram cerca de 90 alvos militares no Irão pelo segundo dia consecutivo, incluindo uma ponte ferroviária no corredor para a China e a Rússia.

A escalada entre Washington e Teerão já não se mede só no Golfo. Pelo segundo dia consecutivo, os Estados Unidos bombardearam o Irão — desta vez cerca de 90 alvos militares, segundo o Comando Central norte-americano, um dia depois da vaga que atingiu mais de 80 alvos junto ao Estreito de Ormuz.

O que foi atingido no segundo dia de ataques?

Sobretudo defesas antiaéreas e depósitos de mísseis ao longo da costa, de acordo com o comunicado do CENTCOM. Mas o alvo que mais dá que falar fica longe do mar: mísseis de cruzeiro atingiram a ponte ferroviária de Aq Tekeh Khan, na província de Golestan, no nordeste do país — um dos ataques mais profundos em território iraniano desde o início do conflito.

Porque importa uma ponte em Golestan?

Porque não é uma ponte qualquer. A linha Gorgan-Incheh Borun faz parte do corredor ferroviário que liga o Irão ao Turquemenistão, ao Cazaquistão e, mais além, à China e à Rússia — a artéria comercial que Teerão tem usado para contornar o isolamento. Washington não confirmou publicamente a autoria deste ataque em concreto, mas a imprensa estatal iraniana e a Guarda Revolucionária atribuem-no a forças norte-americanas.

O cessar-fogo que durou boa parte de junho parece cada vez mais uma memória distante, como já se percebia quando o petróleo reagiu ao fim da trégua. O Irão respondeu com fogo contra estados árabes do Golfo, e cada dia que passa alarga o mapa do conflito — agora já até às portas da Ásia Central. Os comunicados oficiais das operações vão sendo publicados pelo Comando Central dos EUA.

Por Marta Carneiro

Imagem: TUBS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Bombas de combustível num posto de abastecimento em Viseu
Notícias 10 de julho de 2026

Combustíveis sobem na segunda-feira: gasóleo aumenta sete cêntimos e gasolina três

Os preços dos combustíveis voltam a subir na próxima semana: o gasóleo simples deve chegar aos 1,863 euros por litro e a gasolina 95 aos 1,923 euros, segundo a Anarec.

Se costuma atestar ao fim de semana, este é o fim de semana para o fazer. Os combustíveis voltam a subir na segunda-feira: o gasóleo deve aumentar sete cêntimos por litro e a gasolina três, segundo a estimativa da Anarec, a associação dos revendedores, avançada esta sexta-feira.

Quanto vai custar o litro de gasóleo e de gasolina?

Se a tendência se confirmar, o gasóleo simples passa a custar em média 1,863 euros por litro e a gasolina simples 95 chega aos 1,923 euros. As contas partem dos valores atuais da Direção-Geral de Energia e Geologia e do fecho dos mercados na quinta-feira — a média final só fica fechada ao fim do dia e pode ainda mexer com a evolução do petróleo. Como sempre, o preço na bomba varia conforme a marca, o posto e a localização, e vale a pena comparar no portal oficial de preços da DGEG.

Porque estão os combustíveis a subir?

A resposta curta: petróleo mais caro. Os últimos meses têm sido de subidas quase contínuas, num contexto de forte tensão geopolítica no Médio Oriente que tem pressionado as cotações internacionais — o mesmo pano de fundo que temos acompanhado no nosso registo diário dos mercados. Cada semana de instabilidade lá fora acaba, com duas ou três semanas de atraso, refletida nos talões de abastecimento cá dentro.

Para um condutor que faça um depósito de 50 litros de gasóleo, a diferença são cerca de 3,50 euros por abastecimento — pouco de cada vez, muito ao fim do mês para quem faz quilómetros todos os dias. O truque desta semana é simples: quem puder, antecipe o abastecimento para sábado ou domingo, antes de a etiqueta mudar.

Por Marta Carneiro

Imagem: Joehawkins / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Bandeira da Andaluzia, região do sul de Espanha atingida pelo incêndio
Notícias 10 de julho de 2026

Incêndio na Andaluzia: pelo menos 12 mortos e 19 desaparecidos no pior fogo da história da região

O incêndio na Andaluzia, na província de Almería, já matou pelo menos 12 pessoas e deixou 19 por localizar. Fogo consumiu mais de 3.000 hectares em zonas de moradias isoladas.

Pelo menos 12 pessoas morreram e cerca de duas dezenas continuam por localizar no incêndio que desde quinta-feira varre a província de Almería, no sudeste de Espanha. As autoridades andaluzas já lhe chamam o mais mortífero da história da região — e a poucas centenas de quilómetros da fronteira portuguesa, a tragédia soa a aviso num verão em que a Península inteira está a arder em calor.

Onde deflagrou o incêndio na Andaluzia?

O fogo começou na quinta-feira na zona de Los Gallardos, uma área de relevo acidentado, com ravinas e casas isoladas no meio de vegetação seca, e propagou-se com uma velocidade que apanhou moradores em fuga. Em pouco mais de um dia consumiu mais de 3.000 hectares — o equivalente a uns quatro mil campos de futebol — e obrigou a mobilizar cerca de 500 bombeiros, que continuam no terreno a combater as chamas e a procurar desaparecidos. A informação oficial de emergência está a ser centralizada pela Junta de Andalucía.

O que se sabe sobre as vítimas?

Além dos 12 mortos confirmados, há pelo menos oito feridos e 19 pessoas por localizar, número que chegou a ser apontado como superior ao longo do dia. Grande parte das vítimas parece ser estrangeira: quatro corpos foram encontrados num carro com volante à direita, o que levou as autoridades a admitir que se tratava de residentes britânicos — a zona é conhecida pelas urbanizações dispersas de reformados do norte da Europa. Houve quem morresse dentro do carro e quem fosse apanhado a tentar fugir por caminhos não recomendados.

O cenário é dolorosamente familiar deste lado da fronteira. Portugal vive os seus próprios dias de risco máximo, com o estado de alerta prolongado para a próxima semana e o país inteiro de olhos postos no termómetro. O que Almería mostra é a rapidez com que um fogo em zona de habitação dispersa se transforma em tragédia — e porque é que os avisos para abandonar cedo, e pelas estradas certas, não são burocracia.

Por Marta Carneiro

Imagem: Miguillen This picture was made for the Taller de Heráldi… / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Vista panorâmica da vila de Vouzela, no distrito de Viseu
Notícias 10 de julho de 2026

Incêndios em Portugal: estado de alerta prolongado para a próxima semana

O estado de alerta por incêndios vai manter-se na próxima semana, com calor acima dos 40ºC. Vouzela ardeu cerca de 14 mil hectares e a ajuda europeia já opera no terreno.

O estado de alerta por risco de incêndio vai continuar. Com o termómetro a insistir em valores acima dos 40 graus, o Governo indicou que as restrições devem manter-se na próxima semana — e o país entra no fim de semana ainda a olhar de soslaio para os concelhos que arderam nos últimos dias.

Até quando dura o estado de alerta?

Pelo menos até à próxima semana, segundo o Ministério da Administração Interna, que admite prolongar as medidas enquanto durar o calor extremo. Na prática, mantêm-se as proibições habituais: nada de queimas e queimadas, fogo-de-artifício sem autorização ou trabalhos com maquinaria em zonas rurais nas horas de maior risco. A Direção-Geral da Saúde subiu entretanto o aviso para laranja e os hospitais reforçaram os planos de contingência, na linha do que a época de incêndios já prometia no arranque de julho.

Como está o incêndio de Vouzela?

Dominado, mas com cicatriz pesada. O fogo que deflagrou a 2 de julho em Cambra, no concelho de Vouzela, alastrou a Oliveira de Frades, Tondela e Águeda e consumiu perto de 14 mil hectares — o maior do ano até agora. Foi preciso ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil: Espanha enviou uma equipa da Unidade Militar de Emergências com mais de uma centena de operacionais, e dois Canadair italianos da reserva rescEU passaram a operar a partir de Beja. Em Santo Tirso, as reativações durante a noite obrigaram a manter mais de uma centena de operacionais no terreno.

O calor não dá tréguas noutras frentes: em Almada, o consumo recorde de água levou a câmara a declarar alerta e a racionar o abastecimento em plena onda de calor. O estado dos fogos ativos pode ser acompanhado em tempo real no portal oficial da SGIFR, e os avisos meteorológicos no site do IPMA.

O fim de semana promete praia cheia e serra vazia — e é mesmo assim que a Proteção Civil o quer. Se o plano passa pelo interior, leve água, evite estradões florestais e deixe o isqueiro em casa.

Por Marta Carneiro

Imagem: Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Cacilhas, no concelho de Almada, junto ao Tejo
Notícias 10 de julho de 2026

Almada declara alerta: água racionada em plena onda de calor e furos de emergência a caminho

Almada declarou situação de alerta pelo abastecimento de água: racionamento rotativo, consumo recorde em 75 anos e um novo furo de captação até ao fim de julho.

A crise da água em Almada subiu de nível. A presidente da Câmara, Inês de Medeiros, declarou situação de alerta no concelho — o patamar mais grave adotado até agora — depois de dias seguidos de falhas de abastecimento que deixaram milhares de pessoas de torneiras secas, com a Costa da Caparica entre as zonas mais castigadas. Já tínhamos contado a rutura inicial; o que era avaria pontual é agora gestão de escassez em pleno verão.

Porque continua a faltar água em Almada?

Consumo recorde. A autarquia diz que 2026 regista o maior volume de água distribuído em mais de 75 anos de abastecimento público no concelho, empurrado pelo calor extremo — o mesmo que já custou 125 mortes acima do esperado no país — e pelo salto de população sazonal na Caparica. A reguladora acrescenta outro ingrediente: consumos ilícitos na rede. Para aguentar o sistema, os serviços municipais passaram a fazer racionamento rotativo — cortes temporários por zonas, para a rede recuperar pressão e a água chegar a todo o lado por turnos.

Quando melhora o abastecimento?

O primeiro reforço tem data: um segundo furo de captação deve entrar em funcionamento até ao fim de julho. Atrás dele vêm mais três furos em licenciamento e outros três em projeto. Até lá, a regra é poupar — a autarquia pede usos essenciais e proíbe regas e lavagens de carros, e a informação atualizada por freguesia está no site da Câmara Municipal de Almada.

Entretanto, a crise chegou à política: o PSD apresentou uma moção de censura ao executivo municipal, acusando a Câmara de falta de planeamento. Num concelho rodeado de rio e mar, a água das torneiras tornou-se o tema do verão.

Por Marta Carneiro

Imagem: Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Vista da vila de Vouzela, no distrito de Viseu
Notícias 9 de julho de 2026

Incêndio de Vouzela ultrapassa 10 mil hectares; mais de 80 concelhos em perigo máximo

O fogo que lavra em Vouzela já consumiu mais de 10 mil hectares e mobiliza 1.200 operacionais. Mais de 80 concelhos do interior estão em perigo máximo de incêndio rural.

O incêndio de Vouzela, no distrito de Viseu, transformou-se no pior fogo do verão: já consumiu mais de 10 mil hectares e mantém no terreno mais de 1.200 operacionais, apoiados por nove meios aéreos. Ao mesmo tempo, o mapa de risco desta quinta-feira pintou-se de vermelho — mais de 80 concelhos do interior Norte e Centro, do Alentejo e do Algarve estão em perigo máximo de incêndio rural.

Quantos concelhos estão em perigo máximo de incêndio?

Mais de 80, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, concentrados no interior Norte e Centro e nas regiões do Alentejo e do Algarve. O risco é agravado pelo calor: Bragança e Guarda estiveram sob aviso laranja, com máximas a chegar aos 37 graus em Castelo Branco. A previsão de perigo atualizada pode ser consultada no site do IPMA.

O combate em Vouzela soma-se a um início de verão que já era preocupante: Portugal registou seis ondas de calor até ao início de julho e ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil na semana passada para reforçar os meios de combate. O estado de alerta em todo o território continental deve manter-se na próxima semana.

O que muda com o estado de alerta?

Enquanto durar, ficam proibidas queimadas e queimas de sobrantes, o uso de fogo-de-artifício e trabalhos com maquinaria em espaços rurais nos concelhos de risco mais elevado — e as forças de socorro ficam em prontidão reforçada. As recomendações às populações estão no site da Proteção Civil.

Este é também o verão em que o calor deixou de ser só desconforto: a DGS confirmou esta semana 125 mortes acima do esperado desde junho. Com o fim de semana a prometer mais temperaturas altas, a palavra de ordem no interior é uma só — cautela.

Por Marta Carneiro

Imagem: Pedro from Maia (Porto), Portugal / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)