Levaram 940 quilos de cobre das redes de telecomunicações. Sete acabaram detidos
A GNR de Gouveia fechou uma investigação de ano e meio com sete detenções em Gouveia, Mangualde, Viseu e Aveiro. Apreendeu 940 quilos de fio de cobre, sete viaturas, seis mil euros e cerca de 49 mil euros em ouro.
Não foi um assalto. Foi um negócio, montado com paciência, a subir a postes de telecomunicações durante meses.
O Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Gouveia deteve seis homens e uma mulher, com idades entre os 26 e os 55 anos, por furto qualificado e recetação de cobre. As detenções aconteceram a 5 de agosto e fecharam uma investigação que durava havia cerca de ano e meio. Os furtos estendiam-se por quatro distritos: Gouveia, Mangualde, Viseu e Aveiro.
A conta que a investigação faz ao negócio ultrapassa os 80 mil euros, todos eles saídos de cabo cortado à rede aérea de telecomunicações e revendido à sucata. Nas dez buscas domiciliárias e treze buscas não domiciliárias, feitas em veículos e armazéns, a GNR apreendeu 940 quilos de fio de cobre, sete viaturas, seis mil euros em numerário, várias peças de ouro avaliadas em cerca de 49 mil euros e 103 peças de vestuário contrafeito. Apareceram ainda uma espingarda, uma carabina, três catanas, munições e as ferramentas usadas nos furtos.
Presentes ao Tribunal de Gouveia, quatro dos sete detidos ficaram em prisão preventiva. Os outros três saíram com termo de identidade e residência e proibição de contactos, por qualquer meio, com os restantes arguidos e com as testemunhas do processo.
Porque é que o cobre continua a valer o risco
O metal vale dinheiro à sucata e não tem número de série. É por isso que o furto de cobre acompanha o preço da matéria-prima nos mercados internacionais, e é por isso que a GNR tem vindo a avisar para o mesmo padrão noutros materiais, como os catalisadores de automóveis.
O problema é o que fica para trás. Cada troço de cabo cortado deixa aldeias sem telefone fixo e sem internet, às vezes durante dias, e a reparação custa muito mais do que o ladrão recebe pelo cobre. Em zonas do interior, onde a rede aérea ainda faz o trabalho todo, isso significa também ficar sem forma de chamar socorro.
A operação junta-se a uma linha de apreensões volumosas nas últimas semanas, entre elas as cinco toneladas de cocaína retiradas de um porta-contentores levado para Sines, e mostra o mesmo método: investigação longa, e só depois a detenção.
Por Marta Carneiro
Imagem: Elentir / Wikimedia Commons (CC BY-SA)