Um aluno de 14 anos matou os avós e depois abriu fogo na escola, perto de Banguecoque
Aconteceu na sexta-feira na escola Debsirin Nonthaburi, em Bang Kruai. O balanço fechou em nove mortos, o atirador incluído, e cerca de trinta feridos. É o pior ataque deste tipo na Tailândia desde 2022.
Foi na sexta-feira de manhã, em Bang Kruai, no distrito de Nonthaburi, a norte de Banguecoque. Um aluno de 14 anos matou os avós em casa e seguiu depois para a escola Debsirin Nonthaburi, onde abriu fogo antes de se matar.
As contagens variaram muito ao longo de sexta-feira e só assentaram no sábado: nove mortos ao todo, o atirador incluído. Cinco pessoas morreram dentro da escola — dois professores e três outros funcionários, entre eles o subdiretor — e os avós foram encontrados mortos em casa, em Bang Bua Thong. Uma menina de doze anos, ferida no ataque, morreu no dia seguinte. Dos cerca de trinta feridos, catorze continuavam internados no sábado, sete em estado crítico.
A arma era uma pistola CZ de 9 milímetros registada em nome do avô, guardada num armário de onde o rapaz a tirou juntamente com as munições. A investigação está entregue à Polícia Real Tailandesa, que contabilizou pelo menos 26 tiros disparados dentro do edifício.
O que se segue
O Ministério da Educação fechou a escola temporariamente. As autoridades anunciaram apoios às famílias: vinte mil baht por cada pessoa morta e cinco mil baht por cada ferido.
É o pior ataque deste tipo na Tailândia desde 2022, quando um antigo polícia matou 38 pessoas, a maioria crianças, numa creche em Nong Bua Lamphu. Esse caso levou o país a rever as regras de posse de armas e a apertar os controlos sobre agentes e ex-agentes das forças de segurança. A arma usada agora não era de serviço, era uma arma legalmente registada dentro da própria família — o mesmo padrão que se repete em muitos destes casos e que a legislação sobre licenciamento não apanha.
A Tailândia tem uma das taxas de posse de armas mais altas do Sudeste Asiático e um sistema de licenciamento que, no papel, é restritivo. O que falha, quase sempre, é o que acontece depois de a arma entrar em casa.
Sobre o motivo, as autoridades ainda não fecharam nada, mas já apontaram duas linhas: o rapaz era alvo de bullying na escola e vivia sob forte pressão escolar. O primeiro-ministro, Anutin Charnvirakul, falou publicamente em stress académico. A escola suspendeu as aulas presenciais entre 10 e 14 de agosto.
Por Marta Carneiro
Imagem: Aerra Carnicom / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)