O Irão diz que Ormuz só reabre quando os Estados Unidos levantarem o bloqueio e pagarem a guerra
Teerão apresentou a lista de condições para reabrir o Estreito de Ormuz: fim do bloqueio naval, saída das forças americanas da região, compensação pelos danos de guerra e libertação incondicional dos ativos congelados.
O Irão pôs finalmente por escrito o que quer em troca da reabertura do Estreito de Ormuz, e a lista é longa. O chefe do conselho de segurança nacional iraniano, Mohammad Bagher Zolghadr, exigiu no sábado que os Estados Unidos levantem o bloqueio naval aos portos iranianos e retirem as suas forças da região antes de qualquer normalização.
Não fica por aí. Teerão quer também que Washington se comprometa a nunca mais ameaçar o país, que dê a guerra por terminada em definitivo — incluindo com os aliados armados do Irão na região —, que compense integralmente os danos causados pelo conflito, que levante as sanções e que liberte sem condições os ativos iranianos congelados.
É um preço que nenhuma administração americana aceitaria de véspera, e é exatamente esse o problema. Nas últimas semanas, o Irão e Omã tinham deixado passar sinais de otimismo sobre um entendimento para gerir a passagem, e Teerão tratou de arrefecer a ideia de que um acordo significaria tráfego normal no dia seguinte. O prazo de 60 dias para fechar o desenho final termina dentro de pouco mais de uma semana, com a hipótese de ser prolongado.
O que está em jogo em Ormuz
Ormuz é uma garganta de água com pouco mais de 30 quilómetros no ponto mais estreito, e por ali passa habitualmente cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Fechá-la não é um gesto simbólico: é a diferença entre um mercado calmo e um choque de preços que chega às bombas de gasolina portuguesas em poucos dias.
Do lado iraniano, o cálculo também aperta. Responsáveis do país têm admitido em privado que o bloqueio está a empurrar a economia para um colapso e que o alívio de sanções deixou de ser uma preferência para passar a ser uma necessidade. Uma lista máxima de exigências serve para negociar; serve também para adiar a conversa mais difícil, que é a de ceder alguma coisa.
Para Portugal, o que se decide nesta faixa de mar chega sobretudo pelo preço dos combustíveis e pela fatura energética. Há uma semana, o Qatar já tinha posto no papel uma proposta para desbloquear a passagem, e a Casa Branca chegou a falar em reabertura iminente. A lista de sábado mostra que essa leitura era, no mínimo, apressada.
Por Marta Carneiro
Imagem: Ivan Mlinaric / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)