A Escola Segura arrancou hoje em mais de 4.400 escolas. No ano passado a GNR registou lá 2.631 crimes
A operação cobre cerca de 670 mil alunos na área da Guarda, e a PSP já reforçou presença desde 7 de setembro. Agressão simples foi o crime mais registado no último ano letivo, com 950 casos.
A GNR pôs hoje a mexer o Programa Escola Segura para 2026/2027, numa operação que cobre mais de 4.400 estabelecimentos de ensino e cerca de 670 mil alunos na área que a Guarda policia. A PSP não esperou por hoje: reforçou a presença junto às escolas e nos percursos casa-escola a partir de 7 de setembro.
O número que dá contexto ao resto vem no mesmo balanço. No ano letivo passado, a GNR registou 2.631 crimes em ambiente escolar.
O que é que acontece dentro das escolas
A maior fatia é banal e incómoda em partes iguais: 950 casos de ofensa à integridade física voluntária simples. Seguem-se 388 de ameaça e coação, 137 de furto por oportunidade de objetos deixados sem vigilância e 118 de difamação, calúnia e injúrias.
Depois há a categoria que ninguém quer ler e que existe na mesma. Outros crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual, 61 casos. Maus-tratos ou sobrecarga de menores, 45. Detenção ou tráfico de armas proibidas, outros 45. Tráfico de estupefacientes, 44. Abuso sexual de crianças, adolescentes e menores dependentes ou em situação vulnerável, 20. Abuso de confiança, 18.
A estes juntam-se 748 ocorrências que não chegam a ser crime mas ocupam a mesma gente: 374 perturbações da atividade escolar, 230 situações de abandono escolar e 84 de comportamentos aditivos.
A parte que se vê na estrada
Em 2025/2026 a Guarda fez 17.276 ações de sensibilização, que passaram por 790.073 pessoas da comunidade escolar — alunos, professores, assistentes operacionais e encarregados de educação. É por aí que o programa se explica melhor do que por qualquer patrulha.
Este ano há um aviso extra virado para o trânsito. Com o regresso às aulas volta o congestionamento à porta das escolas, e a GNR promete carga especial na segurança do transporte de crianças, com atenção ao cinto de segurança e aos sistemas de retenção. É o tipo de fiscalização que irrita no momento e que se percebe melhor quando se olha para as estatísticas de sinistralidade.
O calendário político também já tem o tema marcado: o arranque do ano letivo vai a debate no Parlamento a 23 de setembro, a pedido do PCP, na mesma sessão legislativa em que se discute o processo de exames que correu mal — o mesmo em que a revisão de notas subiu a classificação em 76% dos pedidos.
Por Marta Carneiro
Imagem: GualdimG / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)