Amanhã às 11h05, Portugal vai treinar um sismo durante um minuto
O exercício A Terra Treme, da Proteção Civil, pede a escolas, empresas e particulares que pratiquem os três gestos (baixar, proteger, aguardar) na quinta-feira, 5 de novembro. Em 2025 participaram 782.288 pessoas, mas só 12.461 por conta própria.
Na quinta-feira, 5 de novembro, às 11h05, a Proteção Civil pede ao país que pare um minuto e faça de conta que a terra está a tremer. Chama-se A Terra Treme, é organizado todos os anos pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e resume-se a três gestos: baixar, proteger, aguardar.
Um minuto não é um número ao acaso. É, segundo a organização, mais ou menos o que dura um sismo.
O que fazer às 11h05
Baixar é pôr-se de joelhos, perto do chão, antes que o chão o faça por si. Proteger é tapar a cabeça e o pescoço, de preferência debaixo de uma mesa resistente ou junto a uma parede-mestra, longe de janelas, espelhos e candeeiros. Aguardar é ficar assim até o abalo passar. Nada de correr para as escadas, e o elevador está fora de questão.
Pode fazê-lo sozinho, em casa ou no escritório, e a ANEPC pede que quem participa se registe no site, para saber quantos aderiram e onde.
Quem participa, pelas nossas contas
O próprio site publica os números de cada edição desde 2017, e somámo-los. Em 2025 participaram 782.288 pessoas, o valor mais alto da série. Mas o exercício vive das escolas: 532.827 participantes vieram da comunidade escolar, 68% do total, e outros 237 mil de organismos públicos e empresas.
Por conta própria, só 12.461 pessoas. É 1,6% dos participantes, e menos de um quarto dos 56.079 particulares que se registaram em 2019. Ou seja, os miúdos treinam na sala de aula e a maioria dos adultos não treina em casa.
Porquê insistir num risco que parece distante
Carlos Mendes, diretor de prevenção e gestão de riscos da ANEPC, explicou esta quarta-feira que é precisamente a distância que preocupa. Portugal está há duzentos e tal anos sem um grande sismo, e isso deixa o país sem memória coletiva do que acontece a seguir. As zonas de maior risco histórico são a Área Metropolitana de Lisboa, o Vale do Tejo, o Alentejo e o Algarve, embora um abalo forte se fizesse sentir em todo o continente. Nada indica que um esteja para breve, sublinhou, e ninguém consegue prever a data.
A outra metade da preparação é o que se faz antes. A lista de sete passos da Proteção Civil inclui um plano familiar com ponto de encontro, estantes presas à parede e um kit com lanterna, rádio, água e comida seca para dois ou três dias. É a mesma lógica das 72 horas que Bruxelas quer ver ensinada nas escolas primárias, e custa bem menos do que o minuto de amanhã faz parecer.
Por Marta Carneiro
Imagem: Vitor Oliveira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)