A Matemática vai ser obrigatória até ao 12.º ano em todos os cursos (a partir de 2028/2029)
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, anunciou no Parlamento, a 4 de novembro, um tronco comum no secundário com Matemática do 10.º ao 12.º ano. Hoje, em Línguas e Humanidades, um aluno pode terminar o secundário sem nenhuma disciplina de Matemática. A nova matriz vai a consulta pública antes de entrar em vigor.
Todos os alunos do secundário vão ter Matemática no 10.º, no 11.º e no 12.º ano, seja qual for o curso. O ministro da Educação, Fernando Alexandre, anunciou-o na quarta-feira, 4 de novembro, no arranque da audição parlamentar sobre o orçamento da Educação para 2027, e o DN detalhou a proposta da nova matriz curricular: um tronco comum com Matemática do princípio ao fim, e mais liberdade de escolha a seguir. Só entra em vigor no ano letivo 2028/2029.
A pesquisa por “escolaridade obrigatória” subiu esta semana no Google em Portugal, e percebe-se porquê: para muitas famílias, isto muda o caminho de um filho que hoje está no 7.º ou no 8.º ano.
Quem é que hoje não tem Matemática no secundário?
Sobretudo quem vai para Línguas e Humanidades. Pelas regras atuais, do Decreto-Lei 55/2018, nesse curso a disciplina de três anos é História A, e a Matemática Aplicada às Ciências Sociais (MACS) é apenas uma das opções de dois anos. Um aluno que escolha, por exemplo, Geografia A e uma língua acaba o 12.º ano sem ter visto uma equação desde o 9.º.
Nos cursos de Ciências e Tecnologias e de Ciências Socioeconómicas, a Matemática A já é obrigatória nos três anos. Para eles, a mudança é pequena.
Quando é que a nova matriz curricular entra em vigor?
Em 2028/2029, para quem entrar no 10.º ano nessa altura. Antes disso, a matriz (as disciplinas e as horas de cada curso) vai a consulta pública até ao fim de 2026. O ministro não deu ainda as cargas horárias, nem explicou como fica a Matemática nos cursos profissionais, onde prometeu também percursos mais flexíveis.
O que mais muda nas escolas?
Muda o básico. O Governo quer juntar o 1.º e o 2.º ciclos num percurso único do 1.º ao 6.º ano, também em consulta pública, com um projeto-piloto em algumas escolas em 2027/2028. As aprendizagens essenciais vão ser revistas em 2027 e passam a incluir competências digitais e de inteligência artificial em todas as disciplinas.
A mesma audição trouxe números menos animadores. A 2 de novembro havia 255 horários de professores por preencher, 62% deles na Grande Lisboa, e o ministério sublinhou que isso não quer dizer necessariamente alunos sem aulas. É o pano de fundo de uma reforma que pede mais horas de Matemática a um sistema que ainda procura quem as dê.
Quem já tem filhos no secundário não é abrangido. Para os outros, convém guardar a data, tal como se guarda o calendário do ano letivo: a consulta pública é a altura de dizer o que se pensa.
Por Marta Carneiro
Imagem ilustrativa · Foto: Monstera Production / Pexels