Começou a retirada de civis de Oleshky, na Ucrânia ocupada, durante um cessar-fogo local
A trégua anunciada pela Casa Branca em nome de Melania Trump entrou em vigor esta semana e deve durar até domingo à noite. Restavam na cidade, do outro lado do Dniepre face a Kherson, entre 1.700 e 2.000 pessoas, a maioria idosas, e cerca de 50 crianças.
Na sexta-feira começaram a sair civis de Oleshky, uma cidade ocupada pela Rússia na margem esquerda do rio Dniepre, mesmo em frente a Kherson. Estão a sair ao abrigo de um cessar-fogo limitado a esta cidade, que entrou em vigor esta semana e deve terminar no domingo à noite.
O que diz o acordo
A trégua foi anunciada a 23 de outubro pela Casa Branca, num comunicado do gabinete da primeira-dama que atribui a negociação a Melania Trump, através de um representante. Prevê a paragem da atividade militar em Oleshky, a entrada de ajuda humanitária, um corredor seguro para quem quiser sair e desminagem coordenada entre equipas russas e ucranianas. Quem sair escolhe o destino: território controlado pela Ucrânia ou pela Rússia.
Segundo o mesmo texto, Oleshky tinha cerca de 24 mil habitantes antes da guerra. Hoje restarão entre 1.700 e 2.000, sobretudo idosos, e perto de 50 crianças. Não há contagem formal desde 2022, e cerca de 90% da cidade ficou debaixo de água quando a barragem de Kakhovka foi destruída, em junho de 2023.
O que aconteceu na sexta-feira
Do lado ucraniano, o provedor de direitos humanos, Dmytro Lubinets, disse que as equipas chegaram a Oleshky em segurança e que a desminagem das estradas estava concluída. O deputado David Arakhamia confirmou que a retirada e a distribuição de ajuda tinham começado. Do lado russo, Vladimir Saldo, que Moscovo instalou à frente da região de Kherson, disse ter preparado alojamento temporário na Rússia e nos territórios ocupados, incluindo a Crimeia.
Não há ainda um número de pessoas retiradas. Há relatos de que pelo menos várias centenas decidiram ficar.
As dúvidas que ficam
Kiev teme que quem for levado para território russo não consiga depois regressar à Ucrânia, e acusa Moscovo de ter recusado propostas anteriores de corredores e de abater drones com ajuda. Moscovo responde que é a Ucrânia quem tem atacado e bloqueado a cidade. Nenhuma destas acusações foi verificada de forma independente. Até sexta-feira, a trégua parecia estar a ser cumprida.
É um acordo pequeno numa guerra enorme, e com prazo curto. Mas é dos raros momentos em que Moscovo e Kiev aceitam coordenar algo no terreno, numa guerra que este ano já levou Portugal a convocar o embaixador russo por causa de um drone sobre a Alemanha.
Por Marta Carneiro
Ilustração: Tugadaily