Seis dias de plenário até ao fim de setembro, e o Orçamento entregue até 12 de outubro
A conferência de líderes fechou o calendário da rentrée: exames nacionais, jogo online, arranque do ano letivo, INEM e arrendamento urbano. O debate quinzenal com o primeiro-ministro fica para 9 de outubro.
A nova sessão legislativa abre na próxima quarta-feira e já tem seis dias de plenário marcados até ao fim de setembro. No fim da fila está a data que interessa a toda a gente: a proposta de Orçamento do Estado para 2027 tem de estar entregue na Assembleia da República até 12 de outubro.
A lei de enquadramento orçamental marca o prazo em 10 de outubro. Este ano esse dia calha a um sábado, e por isso escorrega para a segunda-feira seguinte.
O que se discute em cada dia
Dia 16, o arranque. Sobem a plenário iniciativas do Governo sobre a revisão do Estatuto dos Tribunais Administrativos e Fiscais e diplomas conexos, debate-se o Relatório Anual de Segurança Interna e aprecia-se a proposta do Bloco de Esquerda para um inquérito parlamentar ao processo de exames nacionais do Ministério da Educação.
Dia 17, um debate de atualidade pedido pelo Livre sobre jogo online e apostas, que o partido quer ver regulado como problema de saúde pública e não apenas como negócio licenciado.
Dia 23, o PCP leva ao plenário o arranque do ano letivo. Os comunistas já sinalizaram as prioridades: horários por preencher, falta de professores e de técnicos especializados, e o peso dos custos escolares no orçamento das famílias.
Dia 24, um agendamento potestativo do Chega, com tema ainda por anunciar.
Dia 25, o dia mais cheio. Iniciativas de saúde vindas do Governo e do PSD, um projeto de resolução do PS sobre o custo de vida, um diploma da Iniciativa Liberal sobre a transparência do funcionamento da RTP e uma apreciação parlamentar à orgânica do INEM, pedida pelo Livre com o Bloco de Esquerda e o PCP.
Dia 30, o último do mês. Debate-se a autorização legislativa que o Governo pede para rever o regime do arrendamento urbano, um projeto do Chega sobre as pensões dos antigos combatentes, uma iniciativa do PSD para tornar obrigatório o capacete em trotinetes elétricas, um diploma do PCP sobre proteção no acesso à habitação e uma proposta do CDS quanto à autonomia de contratação de professores no ensino particular e cooperativo.
E o primeiro-ministro?
O primeiro debate quinzenal desta sessão legislativa só acontece a 9 de outubro, penúltimo dia útil do prazo de entrega do Orçamento. No mesmo dia realiza-se o debate preparatório do próximo Conselho Europeu, o que junta duas conversas exigentes na véspera do documento do ano.
Antes disso, o Governo tem marcadas reuniões com todos os partidos com assento parlamentar para o final de setembro, onde apresenta as linhas gerais da proposta e mede o terreno. A estratégia anunciada é um Orçamento sem cavaleiros orçamentais, ou seja, sem medidas avulsas que não sejam contas públicas — precisamente para reduzir o número de razões pelas quais alguém pode chumbá-lo.
Um dos dossiês da lista já tem consequência direta para quem arrenda casa: a revisão do regime do arrendamento urbano chega ao plenário a 30 de setembro, no mesmo outono em que as rendas podem subir 2,56% em 2027. E o debate do dia 23 cruza-se com o arranque da operação Escola Segura nas mais de 4.400 escolas da área da GNR.
Imagem: GualdimG / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)