Morreram 265 pessoas nas estradas portuguesas até 13 de julho, mais 36 do que em 2025
Os acidentes subiram 8,6% e as vítimas mortais 15,7% face ao mesmo período do ano passado. O Governo prepara alterações ao Código da Estrada e mais fiscalização eletrónica.
Portugal chegou a 13 de julho com 265 mortos nas estradas. São mais 36 do que no mesmo ponto de 2025, uma subida de perto de 16% que já não se explica por um fim de semana mau ou por um acidente isolado.
Os acidentes seguem o mesmo caminho. Foram 80.591 até essa data, mais 6.369 do que no ano passado — cerca de 8,6% acima. É muito trânsito e é muita chapa amassada, mas o número que interessa é o outro, e esse tem estado teimosamente do lado errado.
A primavera foi pior do que o verão. Entre 1 de janeiro e 9 de abril tinham morrido 137 pessoas, contra 101 no ano anterior: um salto de 36%. O ritmo abrandou desde então, o que é uma boa notícia relativa e nada mais do que isso, porque o acumulado continua acima.
O que a ANSR aponta como causa
A autoridade tem sido consistente na leitura: a sinistralidade grave em Portugal anda colada à velocidade e ao álcool. Não é uma novidade estatística, é uma constante. E há um dado europeu que costuma incomodar quem o ouve pela primeira vez — Portugal tem a mais alta mortalidade em acidentes urbanos da União Europeia, ou seja, morre-se dentro das localidades, em ruas onde ninguém espera morrer.
Vale a pena olhar para os dados acumulados que a ANSR publica todos os dias, separador a separador, distrito a distrito. São preliminares até saírem os relatórios mensais, mas dão a tendência quase em tempo real.
O que o Governo prepara
Estão em cima da mesa alterações ao Código da Estrada e um reforço da rede SINCRO de radares, com o argumento explícito de atacar o que os responsáveis descrevem como um sentimento de impunidade ao volante. Por cima disso está a Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária Visão Zero, que fixa a meta de cortar para metade o número de mortos até 2030.
Faltam pouco mais de três anos para essa data e o país está a andar para trás. Há também causas menos óbvias a somar-se à conta: as colisões com javalis e veados já passam de mil por ano e concentram-se exatamente nas estradas nacionais onde a velocidade média é mais alta.
Agosto é o mês em que o país inteiro se põe ao volante ao mesmo tempo. Os números de setembro vão dizer se a travagem de junho e julho era mesmo uma travagem.
Por Marta Carneiro
Imagem: Alexkom000 / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)