Venezuela: número de mortos passa dos 580 e o mundo corre para ajudar
Dois sismos seguidos deixaram um rasto de destruição a oeste de Caracas. As equipas de busca trabalham contra o relógio enquanto dezenas de milhares continuam por localizar.
A conta não pára de subir, e é a pior parte de uma tragédia destas. Os dois sismos que sacudiram a Venezuela na quarta-feira — um de magnitude 7,2 e outro de 7,5, a cerca de 160 quilómetros a oeste de Caracas — já provocaram quase 600 mortos confirmados e perto de três mil feridos. E o número que mais assusta nem sequer é esse: uma plataforma criada para registar desaparecidos tinha esta sexta-feira mais de 49 mil nomes à espera de notícias.
Dois abalos grandes, quase de seguida, são uma combinação cruel. O primeiro fragiliza os edifícios, o segundo deita-os abaixo — muitas vezes com as pessoas já na rua ou a tentar perceber o que se passa. É por isso que estas primeiras 72 horas são tudo: é a janela em que ainda se encontra gente viva debaixo dos escombros.
Portugal também conta os seus
Para nós, isto não é uma notícia distante. A comunidade portuguesa na Venezuela é enorme e antiga, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou nove portugueses mortos e 56 por localizar. Atrás de cada um desses números há famílias aqui, por todo o país, agarradas ao telemóvel à espera de uma chamada.
O mundo abre as portas
A resposta internacional foi rápida e, em alguns aspetos, surpreendente. Os Estados Unidos aliviaram parte das sanções para deixar passar a ajuda que de outra forma estaria bloqueada, e prometeram enviar equipas de resgate e meios militares. Vários países europeus, incluindo Portugal, colocaram equipas de proteção civil de prontidão através do mecanismo europeu.
Por agora, a prioridade é simples e dura: tirar gente de baixo do betão antes que o tempo se esgote. O resto — reconstruir, contabilizar, perceber porque é que tantos edifícios cederam — virá depois.
Imagem: Wikimedia Commons