Tem uma startup? A estratégia que vai definir os apoios até 2030 está a ser escrita agora
A Startup Portugal abriu dois questionários, um para startups e outro para incubadoras, e as respostas entram diretamente no diagnóstico da ENE 2030. A versão final é apresentada no fim deste ano.
Há uma diferença prática entre reclamar do IRS sobre stock options numa conferência e ter essa reclamação a entrar num documento que depois define medidas. Neste momento, e por pouco tempo, o segundo caminho está aberto.
A Startup Portugal está a construir a Estratégia Nacional para o Empreendedorismo 2030, o documento que vai fixar a agenda de políticas públicas de apoio ao empreendedorismo em Portugal no período 2026-2030. E a fase em que o processo está agora é a do diagnóstico — que é exatamente a fase em que o que se diz ainda muda alguma coisa.
O que está aberto, e para quem
Dois questionários, e só dois. Um dirige-se a fundadores e equipas de startups e scaleups. O outro é para incubadoras e aceleradoras. A Startup Portugal é explícita quanto ao motivo de a auscultação começar por aqui: são quem melhor conhece as barreiras do terreno, e as respostas alimentam diretamente o diagnóstico e as medidas propostas.
Uma nota de honestidade: a página não publica data de fecho. Se pertence a uma das duas categorias, responda cedo em vez de tarde.
Três eixos, e o calendário
A estratégia organiza-se em torno do ciclo de vida de uma empresa. Criar, que é talento, conhecimento e a ligação entre a academia e o empreendedorismo. Crescer, que é financiamento, incentivos e os instrumentos que permitem escalar. Ligar, que é mercado global, atração de investimento e a posição de Portugal no ecossistema europeu.
O percurso está partido em cinco fases ao longo de 2026. O diagnóstico e a auscultação são a fase dois, a que está a decorrer. Segue-se a co-criação e validação em sessões de trabalho com o ecossistema, uma primeira versão do estudo no segundo semestre e, no final do ano, a estratégia final com o roteiro de implementação até 2030 e apresentação pública. A própria Startup Portugal avisa que o calendário é indicativo.
Porque é que isto lhe interessa em concreto
Porque é a montante de tudo o resto. Os avisos a que se candidata depois — e há 182,5 milhões para PME inovadoras com prazo a 30 de setembro neste momento — nascem de prioridades definidas em documentos como este. Participar na estratégia é mais lento e menos satisfatório do que submeter uma candidatura, mas é onde se decide que candidaturas existem daqui a três anos.
Se preferir o lado imediato, os Prémios PME têm candidaturas até 16 de outubro. As duas coisas não se excluem.
Por Miguel Sarmento
Imagem: Startup Portugal