Esta é a região do país onde as empresas têm mais dificuldade em contratar (e não é Lisboa)
No estudo Escassez de Talento 2026 da ManpowerGroup, 88% dos empregadores do Centro dizem não conseguir preencher vagas, contra 79% na Grande Lisboa. A média nacional é de 82%, a quinta mais alta do mundo.
Quem procura emprego costuma assumir que as oportunidades estão todas em Lisboa. Os números dos empregadores dizem quase o contrário. É no Centro do país que as empresas mais se queixam de não encontrar quem contratar, e a diferença para a capital é de nove pontos.
Os dados vêm do estudo Escassez de Talento 2026 da ManpowerGroup, feito a partir de um inquérito a mais de 39 mil empregadores em 41 países. No Centro, 88% das organizações dizem ter dificuldade em preencher vagas. Segue-se o Grande Porto com 83%, depois o Norte e o Sul, ambos com 81%. A Grande Lisboa fecha a tabela com 79%, e mesmo assim continua acima da média mundial.
O que isto quer dizer para quem procura trabalho
Uma dificuldade de contratação alta não é má notícia para o candidato. É o inverso: significa que há vagas abertas há demasiado tempo e empregadores dispostos a ceder em requisitos, salário ou modelo de trabalho para as fechar.
Vale a pena olhar para fora do eixo Lisboa-Porto antes de descartar uma candidatura por causa da morada.
Portugal está no top cinco mundial
Somando o país todo, 82% dos empregadores portugueses dizem não conseguir encontrar o talento de que precisam. A média global é de 72%. Só quatro mercados estão pior: Eslováquia com 87%, Grécia e Japão com 84% e Alemanha com 83%.
A pressão é transversal, mas há setores onde aperta mais: a indústria, a hotelaria e restauração, o setor público e as tecnologias e serviços de IT.
As competências que faltam
Na indústria, que é o setor com maior escassez, 41% dos empregadores apontam dificuldades em encontrar profissionais com competências de indústria e produção e 25% falam de perfis de engenharia.
O dado mais recente é o terceiro da lista. Já há 24% dos empregadores industriais a dizer que não conseguem recrutar quem saiba trabalhar com modelos de inteligência artificial e desenvolvimento de aplicações. Há dois ou três anos, essa linha não aparecia num inquérito sobre chão de fábrica.
É a mesma tendência que sustenta iniciativas como o programa de incubação com tempo de supercomputador no Porto: a procura por quem sabe pôr um modelo a funcionar cresceu mais depressa do que a oferta de quem aprendeu a fazê-lo.
Para quem está a decidir em que se formar nos próximos meses, é um sinal razoavelmente claro. E não obriga a mudar de vida para a capital.
Por Miguel Sarmento
Imagem: ManpowerGroup