Austrália suspendeu os vistos Work and Holiday para portugueses (a quota anual são 500)
O visto subclass 462 aparece como paused no site do Departamento do Interior australiano, com Portugal entre 24 países afectados. Uma pausa não é um encerramento: o estatuto pode reabrir dentro do ano de programa, que corre até ao final de junho de 2027.
Quem andava a preparar um ano na Austrália teve uma surpresa desagradável esta semana. O visto Work and Holiday para cidadãos portugueses aparece agora como paused no site do Departamento do Interior australiano.
Portugal é um de 24 países cujo subclass 462 foi colocado em pausa, estatuto que consta da página oficial dos limites por país. A embaixada australiana em Lisboa confirmou-o e recordou o número que explica quase tudo: a quota anual para portugueses são 500 vistos.
Porque é que isto acontece
A pausa não é uma decisão política sobre Portugal. É gestão de fila. Quando o número de candidaturas se aproxima do limite anual, o departamento suspende temporariamente as submissões para distribuir os pedidos ao longo do ano e conseguir processar o que já entrou.
É por isso que a linguagem oficial distingue três estados. Um país pode estar open, paused ou closed, e o departamento pode mudar esse estatuto durante o ano de programa em curso, que só termina no final de junho de 2027.
O que é o visto, para quem nunca olhou para ele
O Work and Holiday destina-se a jovens entre os 18 e os 30 anos e permite ficar na Austrália até 12 meses. Durante esse período é possível trabalhar, viajar e fazer estudos de curta duração. Para muitos portugueses tem sido a porta de entrada mais barata no mercado de trabalho australiano, sobretudo em hotelaria, agricultura e construção.
Com 500 vagas por ano para um país inteiro, a matemática é dura mesmo quando o visto está aberto. Convém encarar a pausa como aquilo que provavelmente é: um sinal de que a procura excedeu a oferta, não de que a porta fechou.
O que fazer agora
Quem já submeteu não é afectado. A pausa trava novas candidaturas, não desfaz o processamento que já começou. Quem ainda não submeteu deve vigiar a página de novidades do programa, ter a documentação pronta e submeter no dia em que o estatuto mudar, porque 500 vagas esgotam depressa.
Vale também a pena pesar alternativas dentro da Europa, onde não existem quotas nacionais deste tipo — e ter presente que o mercado de trabalho cá dentro tem os seus próprios pontos de escassez, como mostra a dificuldade das empresas do Centro em contratar.
Por Miguel Sarmento
Imagem: Romanpierson123 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)