Os certificados de aforro estão a bater no teto de 2,5% (e a Euribor já passou por cima dele)
A taxa base da Série F é a média da Euribor a três meses, mas a ficha técnica do IGCP fixa-lhe um limite de 2,5%. A Euribor a três meses negociava a 2,507% no dia 22 de agosto. Daqui para a frente, subidas da Euribor deixam de chegar ao aforrador.
O produto de poupança mais popular do país tem um travão escrito na própria ficha técnica. A Euribor acaba de lhe tocar.
A taxa base dos Certificados de Aforro Série F não é decidida por ninguém em reunião: é a média da Euribor a três meses observada nos dez dias úteis anteriores, arredondada às milésimas. Mas a mesma ficha técnica do IGCP que define essa fórmula acrescenta uma linha que quase nunca chega às notícias: a taxa base não pode ser superior a 2,5% nem inferior a 0%.
Em agosto, a taxa base ficou nos 2,474%, a poucas milésimas do limite. Entretanto a Euribor a três meses tocou os 2,500% a 18 de agosto e negociava a 2,507% no dia 22. Passou o teto.
O que muda a partir de agora
A taxa base de setembro é fixada no penúltimo dia útil de agosto, que este ano cai a 28. Seja qual for a média dos dez dias que contam, ela não pode imprimir acima de 2,5%. Se a Euribor continuar a subir em setembro e outubro, o número dos certificados fica onde está.
E é aqui que a coisa fica assimétrica. A mesma família de taxas que deixa de o remunerar continua a encarecer o crédito à habitação: a Euribor a seis meses chegou há dias a um máximo de 21 meses, e essa não tem teto nenhum. Quem tem casa a crédito paga a subida inteira. Quem tem aforro recebe até 2,5% e nem uma milésima acima disso.
Quanto é que isso dá, na conta real
O teto é da taxa base, não da remuneração total. Por cima da base soma-se um prémio de permanência que cresce com a idade da subscrição: 0,25 pontos percentuais do segundo ao quinto ano, 0,50 do sexto ao nono, 1 ponto no décimo e no décimo primeiro, 1,5 no décimo segundo e décimo terceiro, e 1,75 nos dois últimos.
Faça a conta com a base no teto. Uma subscrição que esteja no seu décimo ano passa a render 3,5%. Uma no terceiro ano rende 2,75%. Uma feita esta semana rende 2,5% e mais nada, porque o prémio só começa a contar no segundo ano. Num produto a 15 anos, a antiguidade acaba por valer bastante mais do que o timing da entrada. Convém também notar que a base aplicada a cada subscrição é a que estiver em vigor no início do respetivo trimestre, e não a do mês em que olha para o extrato.
Vale a pena subscrever agora
Depende do que está a comparar. Contra um depósito a prazo, os certificados mantêm capital garantido pelo Estado, resgate possível a partir do primeiro pagamento de juros e um limite de 250 mil unidades por conta de aforro. Contra a hipótese de a Euribor continuar a subir, o teto significa que o lado bom já está esgotado, e essa é que é a novidade desta semana. Escrevemos há dois meses que a poupança tinha voltado a render. A atualização é que, nos certificados, deixou de render mais.
Por Miguel Sarmento
Imagem: Peter Broster / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)