O interior já entrou no top 50 de quem procura casa para arrendar em Portugal
Concelhos do Alentejo, de Trás-os-Montes e das Beiras entraram no top 50 da procura de arrendamento no segundo trimestre de 2026, enquanto Coimbra e Porto perderam mais de metade da oferta.
Durante anos, o mapa de quem procurava casa para arrendar em Portugal cabia em três ou quatro manchas urbanas. Já não cabe. Concelhos do Alentejo, de Trás-os-Montes e das Beiras registaram procura suficiente no segundo trimestre para entrarem no top 50 nacional — sítios que, há pouco tempo, nem apareciam na conversa.
Não é uma súbita paixão pelo interior. É aritmética. Quando arrendar nas cidades grandes fica impossível, a procura escorre para onde ainda há preços que fecham contas.
Onde caiu mais a oferta de casas para arrendar?
Nos sítios onde ela já era escassa. No segundo trimestre, o stock disponível para arrendamento de longa duração caiu 22% face ao ano anterior, para 40.716 imóveis em todo o país. Coimbra perdeu 58% e o Porto 52% — mais de metade da oferta desapareceu em doze meses. Lisboa caiu 27%, Leiria 9%, Portalegre 8% e Braga 5%.
Já tínhamos contado essa queda de 22% quando os dados saíram; o que muda agora é ver para onde as pessoas se viraram a seguir.
Quanto subiram as rendas em Portugal?
A variação homóloga das rendas por metro quadrado foi de 5,2% em junho, praticamente igual à do mês anterior, segundo o INE. Todas as regiões subiram, com a Madeira à cabeça, a 7%.
Junte as duas peças e percebe-se o movimento. Menos casas disponíveis, rendas a subir acima da inflação, e uma procura que começa a aceitar quilómetros a mais em troca de uma renda que caiba no ordenado. É uma mudança que pode ser boa para o interior, desde que venha acompanhada de emprego e transportes — sem isso, é só cansaço distribuído por autoestrada. Os índices oficiais de rendas por concelho estão publicados pelo INE.
Imagem: Alexkom000 / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)