Comprar casa já se faz a olhar para o céu — 87% dos portugueses pesam os riscos climáticos
Um estudo do Observador Cetelem divulgado a 17 de julho mostra que 87% dos portugueses que querem comprar ou mudar de casa consideram a exposição a riscos climáticos no negócio. Tempestades lideram os receios (48%), seguidas das ondas de calor (45%).
Comprar casa em Portugal deixou de ser só localização, preço e taxa de juro — agora também se olha para o céu. Segundo o barómetro do Observador Cetelem divulgado esta sexta-feira, 87% dos portugueses que tencionam comprar ou mudar de casa já consideram a exposição a riscos climáticos um critério importante ou muito importante na decisão.
Quais são os riscos climáticos que mais preocupam quem compra casa?
As tempestades. Ao contrário da média europeia, onde o calor lidera os receios (40%), em Portugal é a violência do vento e das tempestades que mais assusta — 48% das respostas, memória fresca do mau tempo que fustigou o país no arranque do ano. As ondas de calor vêm logo atrás com 45%, ao nível de Espanha (49%) e França (51%), e o pódio nacional fecha com o frio (30%). Incêndios florestais (20%) e inundações (18%) completam o quadro.
As casas portuguesas estão preparadas?
É aí que o estudo dói. Quase nove em cada dez inquiridos (89%) dizem que a casa é confortável, mas só 62% acreditam que ela está preparada para aguentar fenómenos extremos — abaixo da média europeia de 68% e longe dos 73% de Espanha e Reino Unido. No patamar máximo de confiança, apenas 12% se dizem totalmente seguros da resiliência da própria casa, uma das taxas mais baixas da Europa. E 57% acham-se vulneráveis a dois ou mais riscos em simultâneo.
O inverno continua a ser o calcanhar de Aquiles: 29% dizem que o frio é um problema real dentro de portas, bem acima da média comunitária. Nada que surpreenda quem já leu o nosso guia sobre o certificado energético e o que ele revela sobre a casa — eficiência e resiliência andam de mãos dadas. O estudo, conduzido pela Toluna Harris Interactive entre abril e maio, ouviu 13 mil pessoas em oito países europeus, 1.305 delas em Portugal; a versão europeia está no site do Observatoire Cetelem.
Para quem anda à procura de casa, fica a nota prática: perguntar pela orientação solar já era; a pergunta do momento é como é que ela se porta num temporal.
Imagem: European Union, Copernicus Sentinel-2 imagery / Wikimedia Commons (Attribution)