As casas no Reino Unido subiram 0,5% num ano. Em Portugal, a avaliação bancária subiu 14,2%
O índice da Nationwide mostra a subida anual mais fraca desde janeiro de 2024, com o preço médio britânico nos 273.566 libras e sem variação face a setembro. Em Portugal, a avaliação bancária do INE chegou aos 2.278 euros por metro quadrado em setembro, um novo máximo.
O mercado da habitação britânico parou. Segundo o índice de preços da Nationwide, as casas no Reino Unido estavam em outubro apenas 0,5% mais caras do que há um ano, a subida mais fraca desde janeiro de 2024, e o preço não mexeu face a setembro. O preço médio ficou nos 273.566 libras.
Em Portugal, a curva vai noutra direção. A avaliação que os bancos fazem antes de conceder crédito à habitação, o indicador português mais parecido com o da Nationwide (que também assenta nos empréstimos aprovados), fez novo máximo em setembro: 2.278 euros por metro quadrado, mais 14,2% do que há um ano.
Duas medidas, a mesma pergunta
Os dois números não medem exatamente o mesmo, por isso a comparação serve para dar a ordem de grandeza e não para fazer contas ao cêntimo. Mas a distância é grande demais para ser um detalhe de método. O índice de preços do INE, que olha para as casas efetivamente vendidas, dá o mesmo retrato: mais 16,5% no segundo trimestre, depois de 17,8% no primeiro.
Do lado britânico, a explicação da Nationwide é a conjuntura. O economista-chefe, Robert Gardner, aponta a tensão no Médio Oriente, que empurra os preços da energia e a inflação, e a expectativa de que o Banco de Inglaterra suba juros, o que mantém as prestações caras. Os avaliadores veem pouca procura nova e a confiança dos consumidores caiu em outubro.
Porque é que isto interessa a quem compra cá
Para quem vende uma casa no Reino Unido a pensar em comprar em Portugal, a matemática ficou menos simpática. O que a casa de lá vale praticamente não mexeu num ano. O metro quadrado de cá subiu mais de 14%.
Os compradores estrangeiros já estão a recuar. No segundo trimestre, segundo o INE, fizeram 1.890 aquisições, 4,7% do total e menos 10,3% do que um ano antes. A tendência encaixa no que se vê na zona euro, onde os bancos estão a receber cada vez menos pedidos de crédito à habitação, e todos os novos números portugueses vão sendo registados no nosso acompanhamento dos preços das casas.
Ilustração: Tugadaily