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Ilustração de um prédio lisboeta cor de salmão com varandas de ferro e portadas verdes, entre dois prédios vizinhos, e uma chave dourada com etiqueta em forma de casa em primeiro plano
Imobiliário 31 de outubro de 2026

Pode um senhorio cobrar 2.000 euros de renda e não pagar IRS? Em Lisboa, num T5, pode

A Portaria 454/2026/1 fixou os tetos de renda do Regime Simplificado de Arrendamento Acessível nos 308 concelhos. Abaixo deles, a renda fica isenta de IRS e IRC. Só Lisboa passa os 2.000 euros (T5, 2.066), e em metade do país o teto de um T2 fica abaixo dos 480 euros.

Sim, é possível. Um senhorio que arrende um T5 em Lisboa por 2.000 euros por mês pode não pagar um cêntimo de IRS sobre essa renda, desde que o contrato entre no Regime Simplificado de Arrendamento Acessível (RSAA). A pergunta andou pelas pesquisas do Google este sábado, e a resposta está numa tabela publicada há duas semanas.

Essa tabela é a Portaria n.º 454/2026/1, de 13 de outubro, que fixa o teto de renda por tipologia em cada um dos 308 concelhos do país. Até ela sair, o regime funcionava com os limites antigos de 2019. Abaixo do teto, a renda fica isenta de IRS ou de IRC, sem data de fim enquanto o contrato cumprir as regras.

Lisboa é o único concelho acima dos 2.000 euros

Lemos o anexo linha a linha. Em Lisboa, os tetos vão de 785 euros para um T0 a 2.066 euros para um T5, passando por 1.006 (T1), 1.309 (T2), 1.612 (T3) e 1.763 (T4). Mais nenhum concelho chega aos 2.000 euros num T5: Cascais fica-se pelos 1.980, Oeiras pelos 1.850 e o Porto pelos 1.715.

Há duas formas de subir o teto. A portaria soma 10% se a casa tiver estacionamento privativo e outros 10% se tiver certificado energético A ou superior. Com garagem e classe A, um T4 em Lisboa também passa a fasquia dos 2.000.

Para casas maiores do que um T5, a regra é somar um valor fixo por cada divisão a mais: 150 euros em Lisboa, 100 no Porto, em Cascais e em Oeiras, e menos no resto do país.

Metade do país fica abaixo dos 480 euros

O outro lado da tabela conta uma história diferente. Só sete concelhos permitem mais de 1.000 euros por um T2: Lisboa, Cascais, Oeiras, Porto, Sines, Funchal e Almada. A mediana dos 308 tetos para um T2 é de 479,50 euros, e em 160 concelhos o limite fica abaixo dos 500. O mais baixo, 392 euros, aparece em vários concelhos do interior, como Aguiar da Beira.

Na prática, isto quer dizer que a isenção total é mais fácil de aproveitar onde o mercado já pratica rendas perto do teto. Onde a renda livre está muito acima, o senhorio tem de decidir se vale a pena baixar o preço para deixar de pagar imposto.

A conta contra a taxa de 10%

Quem não entra no regime tem desde este ano uma alternativa mais leve: rendas habitacionais até 2.300 euros por mês podem ser tributadas à taxa autónoma de 10%, uma medida que dura até ao fim de 2029. Já tínhamos feito as duas contas que o senhorio tem de fazer quando o regime arrancou, a 1 de setembro. Agora há números para lhes pôr.

Um T5 em Lisboa a 2.000 euros por mês rende 24.000 euros por ano. À taxa de 10%, seriam 2.400 euros de IRS. No RSAA, zero. Num T2 em Lisboa no limite, 1.309 euros, a poupança anual face aos 10% é de cerca de 1.571 euros.

O que é preciso para entrar

Os contratos de residência permanente têm de durar pelo menos três anos. Para residência temporária (estudantes ou trabalhadores deslocados) o mínimo é de três meses, renováveis. Também se podem arrendar quartos, com um teto proporcional à área do quarto, mais 25% se tiver casa de banho privativa.

A adesão faz-se na plataforma do IHRU, que segundo a portaria terá também uma calculadora para as majorações e para os quartos. O comprovativo tem de chegar às Finanças até 15 de janeiro do ano seguinte ao da assinatura do contrato. Se a renda passar o teto, o senhorio perde o benefício e paga o imposto em falta com juros.

Os tetos são revistos todos os anos a 1 de janeiro. Para seguir os preços que estão por trás deles, o nosso acompanhamento dos preços das casas é atualizado a cada novo número.

Por Duarte Figueiredo

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Cruzamento de ruas em Lisboa com prédios de habitação de quatro pisos, um recuperado e outro por recuperar, e um pequeno restaurante com mesas na esplanada
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Gráfico de barras com a renda mediana de novos contratos por sub-região no 1.º trimestre de 2026: Grande Lisboa 14,38 €/m2, Madeira 11,97, Península de Setúbal 11,35, Algarve 10,71, Área Metropolitana do Porto 10,13 e mediana nacional 9,46, com a nota de que o município de Lisboa está nos 17,42
Imobiliário 22 de setembro de 2026

Lisboa cancelou 40% do alojamento local. As rendas subiram na mesma

A câmara fechou 6.765 registos em fevereiro e a cidade passou de perto de 20 mil para 11.779 alojamentos ativos. No trimestre que apanha esse corte, a renda mediana de novos contratos em Lisboa subiu 8,2% e continua a mais alta do país, a 17,42 €/m2.

Durante anos, a resposta mais repetida para o preço das casas em Lisboa foi o alojamento local. Tire-se o AL do mercado, dizia o argumento, e as casas voltam ao arrendamento normal. Lisboa fez precisamente isso, em grande escala, e agora há números para ver o que aconteceu a seguir. A câmara concluiu a 1 de fevereiro um saneamento administrativo dos registos e cancelou 6.765 licenças de alojamento local — cerca de 40% do universo da cidade. Foram…

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Vale em Sistelo com dezenas de pequenos socalcos agrícolas delimitados por muros de pedra a subir as duas encostas e um lugar de casas de telhado vermelho encaixado a meio da vertente
Imobiliário 22 de setembro de 2026

Tem um terreno rústico por registar? O BUPi só é gratuito até 30 de setembro

A identificação e o registo de prédios rústicos e mistos no Balcão Único do Prédio não custam nada até 30 de setembro de 2026. Depois dessa data voltam as taxas — e, desde abril, sem representação gráfica georreferenciada não se assina a venda de um terreno.

Há uma data a aproximar-se que quase ninguém anda a contar, e custa dinheiro a quem a deixar passar. Até 30 de setembro de 2026, identificar e registar um terreno rústico ou misto no Balcão Único do Prédio não custa nada — nem a identificação, nem as taxas do registo. A partir de 1 de outubro, volta a custar. São nove dias, contando com hoje. A gratuitidade não é novidade absoluta: já foi prolongada antes, e foi o Decreto-Lei n.º 87/2026, de 15 de abril,…

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Gráfico de barras da Tugadaily com os dias entre o decreto-lei e a portaria das rendas máximas: 15 dias em 2019, 30 dias de prazo legal e 120 dias em 2026, contagem ainda a correr
Imobiliário 17 de setembro de 2026

A portaria que fixa as rendas acessíveis está 90 dias para lá do prazo que a lei lhe deu

O regime simplificado produz efeitos desde 1 de setembro, mas a renda máxima por tipologia só existe quando sair uma portaria. O artigo 16.º do decreto-lei mandava aprová-la em 30 dias, contados de 20 de maio. Em 2019, o regime anterior levou 15.

Toda a gente noticiou que o novo regime das rendas acessíveis está à espera de uma portaria. Ninguém foi ver quando é que essa portaria devia ter saído. Nós fomos ler o decreto-lei, e a resposta está lá escrita. O Regime Simplificado de Arrendamento Acessível foi criado pelo Decreto-Lei n.º 97/2026, de 20 de maio. O artigo 16.º desse diploma, que tem por epígrafe Regulamentação, dá ao Governo um prazo de 30 dias a contar da publicação para aprovar as…

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Dan Jørgensen, comissário europeu com a pasta da Habitação, cumprimenta o ministro francês da Cidade e da Habitação, em 2026.
Imobiliário 14 de setembro de 2026

A lei europeia da habitação não trata só do alojamento local (as casas vazias também lá estão)

A Comissão Europeia propôs a 9 de setembro o Affordable Housing Act. Não proíbe nada por si: dá às autarquias uma régua comum para provar que há pressão habitacional antes de restringir seja o que for.

Quando a notícia chegou a Portugal, na semana passada, chegou quase sempre com a mesma etiqueta: Bruxelas vai regular o alojamento local. É verdade, mas fica muito longe de contar a coisa toda. O texto que a Comissão Europeia apresentou a 9 de setembro chama-se Affordable Housing Act e, segundo a página oficial da própria Comissão, aplica-se às regras que as autoridades já criam sobre arrendamento de curta duração, segundas habitações e casas devolutas.…

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Gráfico Tugadaily com a queda homóloga no número de edifícios licenciados no 2.º trimestre de 2026: Grande Lisboa -35,1%, Algarve -24,9%, Península de Setúbal -20,3%, Portugal -7,1%
Imobiliário 12 de setembro de 2026

Onde o país travou nas licenças de construção (e os dois sítios onde não travou)

O INE contou 6.162 edifícios licenciados no segundo trimestre, menos 7,1% num ano. A Grande Lisboa caiu 35,1%, o Algarve 24,9% — e só a Madeira e o Norte fecharam o trimestre em alta.

Entre abril e junho, as câmaras do país emitiram licença a 6.162 edifícios. É menos 7,1% do que no mesmo trimestre de 2025 e, por estranho que pareça, é uma boa notícia comparada com o início do ano, quando a queda ia nos 9,7%. O detalhe que interessa a quem anda à procura de casa está mais abaixo na tabela. Nos fogos de habitação familiar em construção nova, o licenciamento subiu 10,8%, para 11.834. Ou seja: licenciam-se menos edifícios, mas os edifícios…

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