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A página inicial do ChatGPT num portátil
Tecnologia 4 de julho de 2026

OpenAI abre o GPT-5.6 a poucos: Sol, Terra e Luna em pré-visualização

A nova geração chega primeiro à API e ao Codex, para parceiros de confiança, com mais raciocínio, um modo ultra e novas regras de preços.

A OpenAI voltou a mexer o tabuleiro. A empresa começou uma pré-visualização limitada do GPT-5.6, a próxima geração dos seus modelos, apresentada em três sabores com nomes que sabem a sistema solar: Sol, Terra e Luna. A promessa é um salto no raciocínio, na programação, na biologia e até na cibersegurança, além de um novo modo ultra para tarefas mais exigentes.

Para já, o acesso é apertado. Durante a pré-visualização, o GPT-5.6 fica disponível através da API e do Codex apenas para um grupo restrito de parceiros e organizações de confiança, com a chegada ao ChatGPT prometida para mais tarde. Vêm também regras de preços atualizadas e um sistema de cache de pedidos mais previsível — pormenores técnicos que, na prática, decidem quanto custa pôr estas ferramentas a trabalhar.

Não é só o modelo

No mesmo fôlego, a OpenAI apresentou o GeneBench-Pro, um teste de nível de investigação para avaliar agentes de inteligência artificial em biologia computacional, com tarefas mais difíceis e realistas. É mais um sinal de para onde a corrida está a ir: modelos que não se limitam a conversar, mas que tentam resolver problemas científicos concretos.

Para quem vive em Portugal e trabalha com estas ferramentas, o padrão mantém-se: as novidades chegam primeiro a quem paga por API e só depois descem ao utilizador comum. Vale a pena não correr atrás de cada anúncio e esperar que a poeira assente. Já tínhamos falado da aposta da OpenAI em hardware e no Codex, e esta pré-visualização encaixa nessa estratégia de ocupar terreno em todas as frentes. Os detalhes oficiais vão sendo publicados no site da OpenAI.

Por Oliver Grant

Foto: Emiliano Vittoriosi / Unsplash

Smartphone Google Pixel em exposição
Tecnologia 12 de julho de 2026

Pixel 11 chega a 12 de agosto: Google marca evento noturno em Nova Iorque

O Google marcou o evento Made by Google para 12 de agosto em Nova Iorque, onde vai apresentar o Pixel 11, os modelos Pro e o Pixel Watch 5.

Já há data para conhecer a próxima geração de telemóveis do Google: o evento Made by Google está marcado para 12 de agosto, em Nova Iorque, e traz uma novidade no formato — em vez do habitual arranque ao meio-dia, a apresentação passa para as 18h locais (23h em Lisboa), em horário nobre.

O que vai o Google apresentar a 12 de agosto?

A família completa: Pixel 11, Pixel 11 Pro, Pixel 11 Pro XL e Pixel 11 Pro Fold, mais o Pixel Watch 5. O teaser oficial mostra uma moldura metálica dourada e a já familiar barra de câmara em forma de pílula, com a promessa de revelar “a próxima geração de Pixel”. As pré-encomendas devem abrir no próprio dia, com envios uma a duas semanas depois — o calendário oficial estará na loja do Google.

Quanto vai custar o Pixel 11?

É a grande incógnita — e as notícias não são animadoras. A imprensa especializada antecipa subidas de preço em toda a gama, empurradas pela crise de memória RAM que está a encarecer a produção de smartphones em toda a indústria. Nada confirmado pelo Google, para já; a resposta chega a 12 de agosto.

O timing também conta uma história: o evento acontece uma semana mais cedo do que no ano passado, numa altura em que a concorrência não dorme — a Samsung tem o Unpacked dos novos dobráveis marcado para 22 de julho, e a Apple prepara o seu setembro do costume, com a Siri renovada pelo Gemini no radar. Agosto vai ser um mês interessante para trocar de telemóvel.

Por Oliver Grant

Imagem: Syced / Wikimedia Commons (CC0)

Cubo de vidro da Apple Store da Quinta Avenida, em Nova Iorque
Tecnologia 11 de julho de 2026

Apple processa OpenAI por roubo de segredos industriais na corrida ao hardware de IA

A Apple processou a OpenAI em tribunal federal, acusando-a de roubar segredos industriais para criar os seus gadgets de IA. Siri vai passar a usar o Gemini.

O divórcio entre a Apple e a OpenAI chegou aos tribunais. A empresa de Cupertino processou a criadora do ChatGPT num tribunal federal da Califórnia, acusando-a de se apropriar de segredos industriais para acelerar a sua entrada no hardware de consumo — a aposta com que a OpenAI quer desafiar o próprio iPhone.

De que acusa a Apple a OpenAI?

De um esquema “a todos os níveis”, nas palavras da queixa: dos engenheiros ao diretor de hardware, Tang Tan — ele próprio um antigo vice-presidente da Apple. A ação alega que mais de 400 antigos funcionários da Apple trabalham hoje na OpenAI e que Tan chegou a orientar candidatos vindos da Apple para partilharem informação confidencial durante as entrevistas. A OpenAI ainda não apresentou a sua defesa em tribunal.

O que mudou entre as duas empresas?

Quase tudo. Em 2024 eram parceiras, com o ChatGPT integrado na Siri e na Apple Intelligence. Entretanto a relação azedou: a Apple aprofundou a ligação à Google — a nova Siri, que chega no outono, assenta nos modelos Gemini — enquanto a OpenAI montava uma equipa de hardware recheada de ex-quadros de Cupertino. A escolha de assistentes no iPhone era, aliás, um caminho que a Apple já vinha a preparar, e a aposta da OpenAI em silício próprio, com o chip Jalapeño desenhado com a Broadcom, só adensou a rivalidade. As novidades oficiais da empresa continuam a sair na sala de imprensa da Apple.

Seja qual for o desfecho, o processo marca uma era: as duas empresas que se apresentaram juntas em palco há dois anos disputam agora, em tribunal, quem manda no próximo dispositivo que vamos trazer no bolso.

Por Oliver Grant

Imagem: Jorge Láscar from Australia / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Representação da estrutura atómica do grafeno
Tecnologia 11 de julho de 2026

Grafeno português pode tornar drones quase invisíveis ao radar — e a Força Aérea vai testá-lo

A GTechPlasma, spin-off do Técnico, desenvolveu um material à base de grafeno que absorve ondas de radar e reduz a assinatura eletromagnética de drones e aeronaves. Já há material entregue para testes.

Um material português à base de grafeno pode vir a esconder drones e aviões dos radares. A tecnologia nasceu na GTechPlasma, uma spin-off do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, e será testada pela Força Aérea — um passo raro para a investigação nacional em plena corrida europeia ao rearmamento tecnológico.

Como funciona o grafeno anti-radar?

Em vez de refletir as ondas de radar, como fazem as superfícies metálicas, o material absorve-as, reduzindo drasticamente a assinatura eletromagnética do que quer que revista. A GTechPlasma produz grafeno de elevada qualidade a um ritmo de cerca de 40 miligramas por minuto e quer transformá-lo em produtos prontos a usar — tintas e revestimentos aplicáveis diretamente em drones, aeronaves ou outro equipamento. Já foram entregues cerca de 260 gramas a um fabricante português de drones para testes de absorção de radar.

Quem mais está a desenvolver esta tecnologia em Portugal?

O grafeno anti-deteção não é aposta isolada. O projeto ASTRAL, liderado pela Controlar com a Graphenest, vai criar um filme flexível ultrafino capaz de absorver radiação eletromagnética entre os 2 e os 110 GHz, com 1,86 milhões de euros do Portugal 2030, execução até maio de 2029 e pelo menos uma patente internacional prevista. Entre a dissimulação militar e usos civis — blindagem eletromagnética de equipamentos sensíveis, por exemplo — o mercado potencial é enorme.

É mais um sinal de que a ciência nacional anda a fazer coisas que voam: a mesma semana em que se soube que a constelação Lusíada da LusoSpace já tem oito satélites em órbita confirma um ecossistema aeroespacial e de defesa a ganhar altitude. Do laboratório de plasmas para o céu, sem passar pelo radar.

Por Oliver Grant

Imagem: AlexanderAlUS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Sede da Polícia Judiciária, em Lisboa
Tecnologia 11 de julho de 2026

Falso rapto em Coimbra: burlões usaram IA para exigir resgate por mulher desaparecida

Burlões manipularam uma fotografia com inteligência artificial para simular o rapto de uma mulher desaparecida em Coimbra e exigir resgate à família. A PJ encontrou-a bem — saiu por vontade própria.

Uma mulher de 37 anos desaparece na Baixa de Coimbra. Dias depois, a família recebe uma fotografia dela, aparentemente amarrada, com um pedido de resgate. Só que o rapto nunca existiu: a imagem tinha sido manipulada com inteligência artificial, e a mulher — natural de Miranda do Corvo — tinha-se ausentado por vontade própria.

O caso, revelado esta semana pela Polícia Judiciária, começou a 1 de julho com a participação do desaparecimento. Enquanto a família vivia dias de angústia e o caso ganhava espaço nas notícias, burlões aproveitaram exatamente essa exposição mediática para montar a extorsão, dando credibilidade ao esquema com a fotografia gerada por IA. A mulher foi localizada em segurança a 8 de julho, em articulação com a PSP e a GNR, e a investigação concluiu que não houve crime algum no desaparecimento em si.

Como funciona este tipo de burla com IA?

A receita é simples e é isso que a torna perigosa: os burlões pegam em fotografias públicas — de redes sociais ou da própria cobertura noticiosa — e usam ferramentas de manipulação de imagem para fabricar a “prova” de um sequestro, apostando no pânico da família para arrancar um pagamento rápido. É o mesmo padrão dos esquemas de voz clonada que têm circulado lá fora, agora ao domicílio e em português.

A PJ continua a investigar para identificar os autores, já indiciados por burla, e o caso pode ser acompanhado nos canais oficiais da Polícia Judiciária. O pano de fundo é conhecido: a União Europeia vai obrigar conteúdo gerado por IA a identificar-se como tal, mas nenhuma marca de água trava quem já decidiu usar a ferramenta para o crime.

Fica a regra prática, à moda antiga: perante um pedido de resgate ou uma “prova” aflitiva, parar, verificar por outro canal e ligar às autoridades — antes de transferir seja o que for.

Por Oliver Grant

Imagem: GualdimG / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Microchip em close-up sobre placa de circuito
Tecnologia 10 de julho de 2026

ACITI: Índia, Austrália e Canadá lançam pacto de tecnologia e minerais críticos

A parceria ACITI junta Índia, Austrália e Canadá em inteligência artificial, energia verde, minerais críticos e cadeias de abastecimento resilientes.

Três democracias de três continentes decidiram jogar em equipa na corrida tecnológica. Índia, Austrália e Canadá lançaram esta semana a ACITI — Australia-Canada-India Technology and Innovation Partnership —, um quadro trilateral que cobre inteligência artificial, tecnologias de energia verde, minerais críticos e cadeias de abastecimento resilientes.

O que é a parceria ACITI?

Um acordo-quadro para alinhar investimento, investigação e regras entre os três países em setores onde nenhum quer depender de um único fornecedor — leia-se, da China. A Austrália e o Canadá têm os minerais críticos de que a transição energética e os chips precisam; a Índia tem escala, engenheiros e um ecossistema tecnológico em explosão. Juntos, tentam fechar o círculo entre matéria-prima, fabrico e talento.

Porque interessa a Portugal e à Europa?

Porque redesenha o mapa das alianças tecnológicas fora do eixo EUA-China — e a Europa, que corre a sua própria corrida, fica com mais um bloco com quem competir e negociar. Não por acaso, Portugal acaba de aderir ao fundo europeu dos Campeões Tecnológicos, e Bruxelas aperta o passo na regulação, como se viu no braço de ferro com a Meta. Quem tem lítio, aliás, sabe bem o que valem os minerais críticos — pergunte-se ao litoral alentejano.

Os contornos oficiais da parceria foram publicados pelos governos envolvidos, incluindo o executivo australiano. No xadrez tecnológico global, acaba de nascer mais um jogador de três cabeças.

Por Oliver Grant

Imagem ilustrativa · Foto: Nic Wood / Pexels

Alunos a trabalhar em computadores numa sala de aula
Tecnologia 10 de julho de 2026

Apps nas escolas: sistemas de informação passam a exigir certificação prévia

O Decreto-Lei 138/2026, publicado esta sexta-feira, obriga a certificação prévia dos sistemas de informação usados em contexto escolar no ensino não superior.

As plataformas e aplicações que entram nas salas de aula portuguesas vão passar a precisar de luz verde antes de chegar aos alunos. O Decreto-Lei n.º 138/2026, publicado esta sexta-feira em Diário da República, estabelece a obrigatoriedade de certificação prévia dos sistemas de informação destinados a utilização em contexto escolar e pedagógico — no ensino não superior público, privado e cooperativo.

O que muda com o Decreto-Lei 138/2026?

Até aqui, a adoção de software escolar — de plataformas de gestão de aprendizagem a apps pedagógicas — vivia num terreno pouco regulado, em que cada escola ou agrupamento decidia por si. Com o novo diploma, os sistemas passam a ter de ser certificados antes de poderem ser usados com alunos, criando um filtro nacional comum para o que entra no ecossistema digital das escolas, dos públicos aos colégios privados e cooperativos.

Porque é que a certificação prévia importa?

Porque as escolas lidam com o dado mais sensível que há: informação de menores. A pressão regulatória sobre plataformas digitais não pára de crescer na Europa — na mesma semana em que Bruxelas acusou a Meta de violar as regras digitais da UE com design «viciante», Portugal decide olhar com a mesma lupa para o software que os seus alunos usam todos os dias. Privacidade, segurança e adequação pedagógica deixam de ser tomadas por garantidas.

O texto integral do diploma pode ser consultado no Diário da República, e a regulamentação de detalhe — quem certifica, com que critérios e em que prazos — será o próximo capítulo a acompanhar junto da Direção-Geral da Educação. Para as edtech que vendem às escolas portuguesas, o recreio acabou.

Por Oliver Grant

Imagem ilustrativa · Foto: Gustavo Fring / Pexels

Sede da Meta em Menlo Park, na Califórnia
Tecnologia 10 de julho de 2026

Meta acusada por Bruxelas: design 'viciante' do Instagram e Facebook viola lei digital da UE

A Comissão Europeia concluiu preliminarmente que a Meta viola a Lei dos Serviços Digitais com o design viciante do Instagram e Facebook. Multa pode chegar a 6% da faturação global.

O scroll infinito pode sair caro à Meta. A Comissão Europeia concluiu esta sexta-feira, a título preliminar, que o Instagram e o Facebook violam a Lei dos Serviços Digitais (DSA) por serem desenhados para prender os utilizadores — incluindo menores e adultos vulneráveis — num uso compulsivo que a empresa nunca avaliou devidamente como risco para a saúde física e mental de quem lá vive.

O que considera Bruxelas ‘design viciante’?

A lista é familiar a qualquer pessoa com um telemóvel: rolagem infinita, reprodução automática de vídeos, notificações push constantes e sistemas de recomendação hiperpersonalizados, todos afinados para maximizar o tempo de ecrã. Para a Comissão, o problema não é cada funcionalidade em si, mas o conjunto — uma arquitetura que empurra para o uso compulsivo sem que a Meta tenha avaliado e mitigado esses riscos, como a DSA exige às grandes plataformas.

O que pode a Meta ser obrigada a mudar?

As mudanças em cima da mesa são concretas: desativar por predefinição funcionalidades como o autoplay e o scroll infinito, implementar pausas de ecrã eficazes e tornar o sistema de recomendações menos orientado para o engagement puro. A conclusão é preliminar — a Meta pode agora apresentar defesa antes da decisão final —, mas se for confirmada, a multa pode chegar a 6% da faturação anual global da empresa. Com as receitas da Meta, a conta faria história.

O caso encaixa numa ofensiva mais ampla de Bruxelas contra as big tech, que temos acompanhado desde as multas recordes de junho no braço-de-ferro da soberania digital. O recado desta sexta-feira é novo, ainda assim: pela primeira vez, o alvo não é o que as plataformas mostram, mas a forma como nos seguram lá dentro. Se o feed nunca acaba, diz Bruxelas, isso não é acaso — é engenharia. E engenharia, agora, regulada.

Por Oliver Grant

Imagem: InvadingInvader / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Página de pesquisa do Google em 2026
Tecnologia 10 de julho de 2026

Google bate recorde histórico de pesquisas por segundo — e a culpa é do Mundial 2026

O Google registou o maior número de pesquisas por segundo em quase 28 anos de história, logo após a reviravolta da Argentina frente ao Egito no Mundial 2026.

Quase 28 anos de internet e nunca o Google tinha recebido tantas perguntas ao mesmo tempo. A empresa confirmou que o motor de pesquisa bateu o recorde absoluto de pesquisas por segundo — e o momento exato diz tudo sobre este Mundial.

O que fez disparar as pesquisas no Google?

Futebol, claro. O pico histórico aconteceu logo a seguir à remontada de loucos da Argentina frente ao Egito, decidida por Enzo Fernández já nos descontos. Milhões de pessoas correram ao telemóvel ao mesmo tempo para confirmar o que tinham acabado de ver — e o resultado foi o segundo mais movimentado de sempre nos servidores da empresa, segundo avançaram os responsáveis da área de pesquisa, Nick Fox e Robby Stein.

“Argentina vs Egypt”, sem surpresa, seguida de perto por buscas sobre o jogo seguinte da equipa de Messi e por perguntas do género “quantos golos tem Messi em Mundiais”. A empresa não revelou números concretos nem a metodologia — anunciou o recorde, guardou a contabilidade — mas a mensagem que quis passar é clara: numa era em que os chatbots ameaçam o trono, o velho motor de pesquisa continua a ser o reflexo instintivo do planeta quando algo extraordinário acontece. Os destaques oficiais vão sendo publicados no blogue da Google.

Não é mau para um torneio que ainda nem chegou às meias-finais. Se um jogo dos oitavos partiu o contador, esperem pelo que aí vem a 19 de julho.

Por Oliver Grant

Imagem: Google / Wikimedia Commons (domínio público)

Vista da cidade de Leiria, com o castelo ao fundo
Tecnologia 9 de julho de 2026

Portugal Ventures investe 2,7 milhões em três empresas tecnológicas de Leiria

Sound Particles, Brainr e Nutrivalley receberam mais de 2,7 milhões de euros da Portugal Ventures ao abrigo das calls Leiria Crescimento e Leiria Recuperar.

Leiria não costuma aparecer nos mapas do capital de risco — e é exatamente por isso que esta notícia interessa. A Portugal Ventures, o braço de capital de risco do Banco Português de Fomento, investiu mais de 2,7 milhões de euros em três empresas tecnológicas da região, ao abrigo das calls Leiria Crescimento e Leiria Recuperar.

Que empresas receberam o investimento?

A fatia maior foi para a Brainr, que encaixa 1,5 milhões de euros, seguida da Sound Particles, com 1 milhão — ambas pela call Leiria Crescimento. A Nutrivalley recebeu 250 mil euros ao abrigo da Leiria Recuperar. A Sound Particles é o nome mais conhecido do trio: o seu software de áudio 3D é usado em produções de Hollywood, e a empresa tornou-se um dos melhores exemplos de tecnologia de exportação criada fora dos dois grandes polos urbanos. As condições das calls regionais estão detalhadas no site da Portugal Ventures.

Porque é que o investimento fora de Lisboa e Porto importa?

Porque o talento não escolhe morada, mas o capital costuma escolher. O ecossistema português continua concentrado em Lisboa — visibilidade e investidores — e no Porto — engenharia e produto. Quando o dinheiro público de fomento chega a Leiria, Braga ou Coimbra, o efeito multiplicador é maior: retém engenheiros que de outra forma migrariam, e prova a outros fundadores que não é preciso mudar de código postal para crescer. Não por acaso, o Porto acaba de subir no ranking global de startups — a descentralização do ecossistema está, aos poucos, a acontecer.

Para as três empresas, o desafio agora é transformar o cheque em tração: mais contratações, mais mercado externo e, idealmente, uma próxima ronda já com investidores privados à mesa. Leiria agradece — e o ecossistema também.

Por Oliver Grant

Imagem: Jocelyn Erskine-Kellie from London, UK / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Casa da Música, no Porto
Tecnologia 9 de julho de 2026

Porto sobe mais de 15 lugares no ranking global de startups em 2026

O Porto subiu mais de 15 posições entre os ecossistemas emergentes do mundo no relatório GSER 2026, impulsionado por IA, software, saúde e fintech.

O Porto subiu mais de 15 lugares no ranking mundial de ecossistemas emergentes, segundo o Global Startup Ecosystem Report (GSER) 2026, e é apontado como um dos ecossistemas de startups que mais cresce na Europa. Para uma cidade que há poucos anos era vista sobretudo como destino de turismo e vinho, é uma subida que confirma uma mudança de estatuto.

O que está a puxar pelo Porto?

Quatro áreas explicam boa parte do salto: software, saúde, fintech e inteligência artificial. É a combinação de equipas de engenharia mais baratas do que em Lisboa, incubadoras ativas e um custo de vida ainda competitivo que tem atraído fundadores e talento para a margem do Douro.

Como se compara com Lisboa e o resto do país?

Portugal, no seu conjunto, aparece perto do lugar 30 no índice global — um patamar respeitável para um país da sua dimensão. Lisboa continua a ser a montra para investidores e visibilidade internacional, mas o Porto ganhou espaço como base de produto e engenharia, e Braga afirma-se pelo apoio das incubadoras e custos mais baixos.

Falámos também dos vistos acelerados para talento em IA e da perspetiva da economia portuguesa. Os dados oficiais sobre o ecossistema estão no portal da AICEP Portugal Global.

Por Oliver Grant

Imagem: Filipe Fortes from United States / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Cartaz do Encontro Ciência e Inovação 2026
Tecnologia 8 de julho de 2026

Encontro Ciência e Inovação 2026: Lisboa junta a comunidade científica a 15 e 16 de julho

O Encontro Ciência e Inovação 2026 realiza-se a 15 e 16 de julho em Lisboa, juntando investigadores, empresas e decisores para dois dias de debate sobre o estado da ciência em Portugal.

A maior reunião anual da ciência portuguesa está de volta: o Encontro Ciência e Inovação 2026 acontece a 15 e 16 de julho, em Lisboa, juntando investigadores, universidades, empresas e decisores políticos para fazer o retrato do que se investiga — e do que falta investigar — em Portugal.

O que é o Encontro Ciência e Inovação?

É o ponto de encontro anual da comunidade científica nacional, promovido com o apoio do Governo e das agências de financiamento da ciência. Durante dois dias, sucedem-se sessões plenárias, apresentações de projetos, debates sobre política científica e momentos de networking que valem ouro a quem procura parceiros ou financiamento. Dos laboratórios de estado às startups de base tecnológica, passa por lá quem faz a investigação acontecer no país.

A edição deste ano tem pano para mangas: a inteligência artificial a entrar em todas as áreas do conhecimento, o investimento europeu em tecnologias limpas a acelerar — como mostra a mega-ronda da fusão nuclear europeia anunciada esta semana — e a eterna discussão sobre carreiras científicas e retenção de talento em Portugal.

Como participar no Encontro Ciência e Inovação 2026?

O programa completo, os oradores e as inscrições estão disponíveis no site oficial do encontro. Para quem trabalha em investigação, é a oportunidade do ano para mostrar trabalho; para o público curioso, é uma janela rara para ver, num só sítio, o que a ciência feita em Portugal anda a preparar para a próxima década.

Por Oliver Grant

Imagem: Encontro Ciência e Inovação

Interior da sala do stellarator experimental Wendelstein 7-X, na Alemanha
Tecnologia 8 de julho de 2026

Proxima Fusion: Google entra em ronda de 411 milhões para a fusão nuclear europeia

A alemã Proxima Fusion angariou 411 milhões de euros, com a Google e a RWE entre os investidores, e passa a valer 2,4 mil milhões. Quer o primeiro demonstrador de fusão por stellarator no início da década de 2030.

A corrida à energia do Sol tem um novo peso-pesado europeu. A alemã Proxima Fusion fechou uma ronda de financiamento de 411 milhões de euros — cerca de 468 milhões de dólares — com dois nomes que fazem levantar sobrancelhas: a Google, na sua primeira aposta numa empresa europeia de fusão, e a energética alemã RWE. A empresa de Munique passa a valer 2,4 mil milhões de euros e torna-se a empresa de fusão mais bem financiada da Europa.

O que é um stellarator e porque interessa?

A Proxima aposta na tecnologia stellarator — uma câmara magnética retorcida que confina o plasma a temperaturas superiores às do núcleo do Sol, alternativa aos tokamaks que dominam o setor. A vantagem prometida é estabilidade: um stellarator pode, em teoria, funcionar em contínuo, sem as interrupções bruscas que atormentam os rivais. O objetivo da empresa é ter um demonstrador a funcionar no início da década de 2030 e construir a primeira central com a RWE em Gundremmingen, na Baviera, no terreno de uma antiga central nuclear de cisão — simbolismo q.b.

A ronda foi liderada pela XTX Ventures e East X Ventures, com o dinheiro destinado a expandir a produção de cabos e ímanes supercondutores de alta temperatura, o coração da máquina.

E Portugal, onde entra nesta corrida?

Por agora, na bancada — mas não alheado: a ciência espacial e energética nacional tem crescido, como mostra a constelação Lusíada de satélites portugueses, e uma Europa com energia limpa e barata em 2035 muda as contas a qualquer economia, incluindo a nossa. Se a fusão cumprir metade do que promete, esta ronda será lembrada como dinheiro bem gasto. Os detalhes oficiais estão no site da Proxima Fusion.

Por Oliver Grant

Imagem: Max-Planck-Institut für Plasmaphysik, Tino Schulz / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Foguetão Falcon 9 da SpaceX a descolar
Tecnologia 8 de julho de 2026

Constelação Lusíada: Portugal põe Florbela, Torga e Cesário Verde em órbita — já são oito satélites

A constelação Lusíada da LusoSpace já tem oito satélites em órbita. Florbela Espanca, Miguel Torga e Cesário Verde subiram num Falcon 9 para reforçar o Waze dos oceanos.

Portugal acaba de mandar três poetas para o espaço. Florbela Espanca, Miguel Torga e Cesário Verde são os nomes dos novos satélites da constelação Lusíada, lançados esta semana a bordo de um Falcon 9 da SpaceX, na missão Transporter-17, a partir da base de Vandenberg, na Califórnia. Com esta fornada, a constelação da portuguesa LusoSpace passa a ter oito satélites em órbita.

Para que serve a constelação Lusíada?

É, no fundo, um Waze dos oceanos: uma rede de comunicações e partilha de informação para o setor marítimo, equipada com tecnologia AIS e VDES para localizar navios, melhorar a vigilância e a segurança no mar e apoiar operações de busca e salvamento. Os três poetas juntam-se a Camões, Fernando Pessoa, Agustina Bessa-Luís, José Saramago e ao PoSat-2 — e ainda faltam quatro satélites para completar a constelação de doze.

Quanto custa e quem paga?

O projeto representa um investimento de 15 milhões de euros, dos quais 10 milhões são financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, como detalha a ficha oficial do PRR. Para uma empresa fundada em Lisboa, é daqueles casos em que o dinheiro europeu sai literalmente da atmosfera.

A ambição espacial portuguesa tem crescido a olhos vistos — e num verão em que o mundo discute em Genebra como governar a inteligência artificial, há algo de reconfortante em ver a tecnologia nacional ocupada a vigiar o mar com nomes de quem escreveu sobre ele.

Por Oliver Grant

Imagem: NASA Headquarters / NASA/Aubrey Gemignani / Wikimedia Commons (domínio público)

Bastidores de servidores num centro de dados
Tecnologia 7 de julho de 2026

Ransomware com IA: JadePuffer é o primeiro ataque conduzido por um agente autónomo

Investigadores da Sysdig documentaram o JadePuffer, o primeiro ransomware em que um agente de IA executou o ataque do princípio ao fim, sem operador especialista.

O cibercrime acaba de passar uma fronteira que os especialistas temiam há anos: um ataque de ransomware executado do princípio ao fim por um agente de inteligência artificial, sem um operador humano especializado ao volante. Chama-se JadePuffer e foi documentado pela equipa de investigação da Sysdig.

O que é o JadePuffer?

É a primeira operação de ransomware “agêntica” conhecida: um agente de IA explorou uma vulnerabilidade num software exposto à internet, roubou credenciais, moveu-se pela rede, garantiu persistência e acabou por cifrar mais de 1.300 configurações de serviço na base de dados da vítima, apagando os originais. Os investigadores encontraram nas cargas maliciosas comentários em linguagem natural a explicar cada passo — incluindo a escolha do alvo “mais rentável” — um traço típico de código gerado por modelos de linguagem, não de operadores humanos.

Porque é que isto muda o cibercrime?

Porque derruba a barreira do conhecimento. Até aqui, um ataque completo exigia perícia em várias fases; agora, um agente encadeia tudo sozinho e até se adapta a falhas — numa das sequências, passou de um login falhado a uma solução funcional em 31 segundos. Um relatório do setor estima que os agentes autónomos já respondem por um em cada oito incidentes de segurança envolvendo IA. A ironia do calendário: a revelação chega na mesma semana em que a ONU reuniu o mundo para discutir a governação da IA.

A análise técnica completa está publicada no blogue da Sysdig. Para as empresas portuguesas, o recado é simples: atualizar software exposto à internet deixou de ser tarefa para amanhã.

A IA está a automatizar o trabalho — todo o trabalho, ao que parece.

Por Oliver Grant

Imagem ilustrativa · Foto: panumas nikhomkhai / Pexels