Proxima Fusion: Google entra em ronda de 411 milhões para a fusão nuclear europeia
A alemã Proxima Fusion angariou 411 milhões de euros, com a Google e a RWE entre os investidores, e passa a valer 2,4 mil milhões. Quer o primeiro demonstrador de fusão por stellarator no início da década de 2030.
A corrida à energia do Sol tem um novo peso-pesado europeu. A alemã Proxima Fusion fechou uma ronda de financiamento de 411 milhões de euros — cerca de 468 milhões de dólares — com dois nomes que fazem levantar sobrancelhas: a Google, na sua primeira aposta numa empresa europeia de fusão, e a energética alemã RWE. A empresa de Munique passa a valer 2,4 mil milhões de euros e torna-se a empresa de fusão mais bem financiada da Europa.
O que é um stellarator e porque interessa?
A Proxima aposta na tecnologia stellarator — uma câmara magnética retorcida que confina o plasma a temperaturas superiores às do núcleo do Sol, alternativa aos tokamaks que dominam o setor. A vantagem prometida é estabilidade: um stellarator pode, em teoria, funcionar em contínuo, sem as interrupções bruscas que atormentam os rivais. O objetivo da empresa é ter um demonstrador a funcionar no início da década de 2030 e construir a primeira central com a RWE em Gundremmingen, na Baviera, no terreno de uma antiga central nuclear de cisão — simbolismo q.b.
A ronda foi liderada pela XTX Ventures e East X Ventures, com o dinheiro destinado a expandir a produção de cabos e ímanes supercondutores de alta temperatura, o coração da máquina.
E Portugal, onde entra nesta corrida?
Por agora, na bancada — mas não alheado: a ciência espacial e energética nacional tem crescido, como mostra a constelação Lusíada de satélites portugueses, e uma Europa com energia limpa e barata em 2035 muda as contas a qualquer economia, incluindo a nossa. Se a fusão cumprir metade do que promete, esta ronda será lembrada como dinheiro bem gasto. Os detalhes oficiais estão no site da Proxima Fusion.
Por Oliver Grant
Imagem: Max-Planck-Institut für Plasmaphysik, Tino Schulz / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)