A Apple voltou a valer mais do que a Nvidia — e caminha para os 5 biliões
A Apple ultrapassou a Nvidia e voltou a ser a empresa mais valiosa do mundo, com 4,88 biliões de dólares de capitalização, pela primeira vez desde abril de 2025.
A Apple fechou a sexta-feira como a empresa mais valiosa do mundo, com uma capitalização de 4,88 biliões de dólares — ligeiramente acima dos cerca de 4,86 biliões da Nvidia, que caiu 3,5% na sessão. É a primeira vez desde abril de 2025 que a maçã recupera o trono, e a fasquia simbólica seguinte já se vê daqui: os 5 biliões.
Porque é que a Apple ultrapassou a Nvidia?
Menos por magia própria e mais por uma rotação em curso em Wall Street. Depois de anos a premiar quem vende as pás da corrida ao ouro — os chips e os centros de dados —, os investidores começam a perguntar quem vai mesmo transformar a IA em receitas duradouras. E aí a tese da Apple ganha força: milhares de milhões de dispositivos nas mãos dos clientes, serviços a crescer e um investimento em infraestrutura comparativamente modesto. As ações somam 22% em 2026, num ano em que Wall Street vinha de recordes no primeiro semestre.
A queda da Nvidia não foi um acidente isolado: os semicondutores recuaram em bloco, com o mercado a digerir dúvidas sobre o ritmo do investimento em infraestrutura de IA. Do outro lado da rua, a Alphabet caiu mais de 4% depois de se saber que o Gemini 3.5 Pro foi adiado por ficar aquém das metas internas — mais lenha na mesma fogueira das expectativas.
E agora, quem chega primeiro aos 5 biliões?
A corrida está em aberto e a distância entre as duas é uma unha — qualquer sessão pode voltar a trocar os lugares. O detalhe saboroso é o que mudou no argumento: a Nvidia continua a vender tudo o que produz, mas o mercado passou a valorizar tanto quem controla a distribuição — o iPhone no bolso, a loja de aplicações, os serviços — como quem fabrica os motores. Os números oficiais das duas casas estão nas páginas de relações com investidores da Apple e da Nvidia; o resto decide-se sessão a sessão. Para já, a maçã dorme no topo — nem que seja por uma diferença de trocos, à escala de biliões.
Por Beatriz Mota
Imagem: European Commission - Photographer: Lukasz Kobus / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)