São 3% das empresas em Portugal e fazem 46% das exportações
Um estudo da Informa D&B conta 17 mil empresas de capital estrangeiro no país. Empregam 808 mil pessoas, faturam 173 mil milhões e respondem por 52 mil milhões em exportações.
Há 17 mil empresas de capital estrangeiro registadas em Portugal. São 3% do tecido empresarial do país e, segundo o estudo da Informa D&B divulgado esta quinta-feira, respondem por 46% de tudo o que Portugal exporta.
O resto da fotografia sai do mesmo lugar. Estas empresas valem 31% do volume de negócios de todas as sociedades portuguesas, 22% do emprego e 15% do valor acrescentado bruto gerado pelas empresas. Em números absolutos: 808 mil trabalhadores, 173 mil milhões de euros de faturação, 52 mil milhões em exportações e 44 mil milhões de VAB. Destas, 9.721 nasceram na última década, o que significa que mais de metade do universo tem menos de dez anos.
Uma diferença que não é só de tamanho
A explicação óbvia para o peso destas empresas é a dimensão: são maiores, logo exportam mais. Mas o estudo aponta uma diferença de comportamento que a dimensão não explica sozinha. Entre as empresas de capital estrangeiro, 28% exportam. Entre as de capital nacional, exportam 8%. É uma razão de três e meio para um.
O padrão repete-se na produtividade. A Informa D&B classifica 40% das empresas de capital estrangeiro em níveis elevado ou médio-alto, contra 31% das nacionais.
Espanha é quem tem mais casas abertas
Espanha lidera o número de acionistas, com 3.684 empresas em Portugal, ou 21% do total. Juntas, Espanha e França concentram 8,1% do emprego e 11,2% do volume de negócios de todo o universo de capital estrangeiro.
Quem paga melhor, porém, é outro país. As empresas de capital estrangeiro gastam em média 33 mil euros por trabalhador em custos com pessoal, mais dez mil do que as de capital nacional. Nas de capital norte-americano, essa média sobe para 50 mil.
Porque é que isto importa para lá do número
Uma economia em que 3% das empresas colocam quase metade das exportações é uma economia com uma concentração de risco muito específica: decisões tomadas fora do país movem uma fatia grande da balança comercial. É o outro lado de uma dependência que já conhecemos noutro setor, quando contámos o peso do turismo no crescimento, e que convive mal com a evolução dos salários que o INE mostrou no segundo trimestre. Os estudos que a Informa D&B publica sobre o tecido empresarial português estão no site da empresa.
Por Beatriz Mota
Infografia: Tugadaily · dados do estudo Informa D&B, agosto de 2026