A Staples vendeu 11 lojas em Portugal. Ficam mesmo com a dona da Fnac
A Autoridade da Concorrência adotou uma decisão de não oposição à compra, notificada em maio pela Darty Portugal, por concluir que a operação não é suscetível de criar entraves significativos à concorrência efetiva no mercado nacional.
A operação estava em cima da mesa desde junho e faltava o carimbo. Chegou na sexta-feira: a Autoridade da Concorrência não se opôs à aquisição, pela Darty Portugal, do controlo exclusivo sobre 11 lojas exploradas pela Staples Portugal.
O regulador concluiu que a concentração notificada não é suscetível de criar entraves significativos à concorrência efetiva no mercado nacional — a fórmula que a AdC usa quando deixa passar um negócio sem impor condições. A notificação tinha dado entrada a 20 de maio, o que dá cerca de dois meses e meio de análise. A ficha do processo fica no registo público de operações de concentração da AdC, onde as decisões são publicadas caso a caso.
Onde ficam as 11 lojas
A lista é mais espalhada pelo país do que se poderia supor. Há estabelecimentos em Lisboa, Cascais, Setúbal e Santarém, mas também em Torres Vedras e nas Caldas da Rainha, a norte em Barcelos, Penafiel, Viana do Castelo e Vila do Conde, e um em Lagoa, no Algarve. Ou seja: não é uma consolidação de área metropolitana, é uma malha nacional.
O que muda na prática para quem entra numa dessas lojas ainda não está definido publicamente. A Staples Portugal vende sobretudo material escolar e de escritório, mobiliário e algum equipamento eletrónico; a Fnac joga noutro registo, com tecnologia, livros e cultura, e uma relação com o cliente construída à volta de cartões e eventos. As duas insígnias tocam-se em partes do sortido, não em todas.
O calendário também não é inocente. A decisão sai a poucas semanas do arranque do ano letivo, o pico absoluto do material escolar, um período em que estas lojas fazem uma fatia desproporcionada das vendas do ano. Se a mudança de mãos se fizer sentir já nesta rentrée ou só depois é a pergunta a que ninguém respondeu ainda.
Para o retalho português, é mais um sinal de um verão de movimentos societários — a mesma semana em que a easyJet foi alvo de uma oferta de 5.700 milhões de libras fechou também esta operação, muito mais pequena e muito mais perto de casa.
Por Beatriz Mota
Imagem: fvanrenterghem / Flickr (CC BY 2.0)