O salário médio subiu 5,1% para 1.835 euros (mas em termos reais foram 1,8%)
A remuneração bruta mensal média por trabalhador chegou aos 1.835 euros no segundo trimestre, segundo o INE. A componente base ficou nos 1.342 euros — a diferença de 493 euros é tudo o que não é salário base.
A remuneração bruta mensal média por trabalhador em Portugal subiu 5,1% no segundo trimestre e fixou-se nos 1.835 euros. Descontada a inflação, o ganho real foi de 1,8%. Os outros 3,3 pontos percentuais foram absorvidos pelos preços.
O número que costuma escapar às manchetes é o segundo. A componente base — o que está escrito no contrato, sem prémios, subsídios variáveis, horas extraordinárias ou compensações — passou de 1.278 euros em junho de 2025 para 1.342 euros em junho de 2026. Também são 5,1%.
Os 493 euros que não são salário base
Vale a pena fazer a subtração: 1.835 menos 1.342 dá 493 euros. É quase 27% da remuneração bruta média que não vem da tabela salarial. São subsídios de refeição e de férias distribuídos ao longo do ano, prémios, ajudas de custo, trabalho suplementar, comissões.
Isso importa por uma razão prática. A parte base é a que conta para a maioria dos cálculos que decidem a vida de uma família — o valor do crédito habitação que um banco aprova, a indemnização por despedimento, as contribuições que formam a pensão futura. O resto é rendimento real, mas é rendimento que se pode evaporar num ano mau sem que ninguém altere um contrato.
O facto de base e total terem crescido exatamente aos mesmos 5,1% é, ainda assim, uma boa notícia: significa que a subida do último ano não foi construída à custa de prémios pontuais.
O pano de fundo
O salário mínimo nacional subiu 5,7% em 2026, para 920 euros mensais, e o Governo mantém a meta de o levar aos 1.100 euros até ao fim da legislatura. O desemprego está nos 6%, com cerca de 337 mil pessoas sem trabalho e 5,275 milhões empregadas, e o PIB cresceu 2,5% em termos homólogos no segundo trimestre.
Ou seja: emprego a crescer, salários a crescer acima da inflação e uma economia a expandir. O travão continua a ser o custo de viver — foi por isso que a subida real ficou em 1,8% e não em 5,1%, e é a mesma razão pela qual o gasóleo já encareceu 39 cêntimos desde fevereiro sem que nada disso apareça nas contas do salário.
Os valores cobrem 4,9 milhões de postos de trabalho, mais 1,7% do que no mesmo trimestre de 2025. Para quem quiser a série completa por setor e por região, os quadros ficam no portal do INE.
Por Beatriz Mota
Infografia: Tugadaily · dados INE