Mais 5.200 milhões de dívida pública num só mês, e o rácio subiu para 92,9% do PIB
O Banco de Portugal fixou a dívida na ótica de Maastricht em 293,9 mil milhões de euros em junho, contra 288,7 mil milhões em maio. O Governo atribui a subida a depósitos temporários e mantém a meta de 87,5% do PIB no fim do ano.
A dívida pública portuguesa subiu para 92,9% do PIB no segundo trimestre, mais 1,9 pontos percentuais do que os 91% registados no primeiro. Em valor, são cerca de 293,9 mil milhões de euros em junho, contra 288,7 mil milhões em maio. Um mês, mais 5,2 mil milhões.
A subida contraria a trajetória que o Governo tem vindo a defender e chegou numa semana em que os outros indicadores iam noutro sentido, com a economia a acelerar no segundo trimestre e o desemprego a cair.
Porque é que o rácio subiu
A explicação oficial é técnica e vale a pena perceber, porque muda a leitura. O Estado acumulou depósitos para amortizações de dívida que estão marcadas para os meses seguintes. Nas contas de Maastricht, a dívida conta pelo valor bruto emitido, e não desconta o dinheiro que está parado em conta à espera de pagar essa mesma dívida. Resultado: o rácio inflaciona-se durante o período em que o colchão está a ser formado, e desce quando o pagamento acontece.
É por isso que o Ministério das Finanças manteve intocada a previsão de fechar 2026 nos 87,5% do PIB. Se os reembolsos ocorrerem como planeado, a almofada desaparece das contas na segunda metade do ano.
O que vale a pena vigiar
Duas coisas. A primeira é se o rácio efetivamente recua nos trimestres seguintes, porque uma subida que persiste deixa de ser um efeito de calendário e passa a ser tendência. A segunda é o custo de refinanciar: com uma dívida perto dos 294 mil milhões, cada décima de juro pesa muito mais do que a maior parte das medidas que se discutem em Orçamento.
Vale a pena olhar para isto ao lado do resto do quadro. O trimestre trouxe também o desemprego mais baixo desde 2011, e uma economia com mais receita fiscal a entrar. As séries completas de dívida pública estão publicadas nas estatísticas do Banco de Portugal.
Por Beatriz Mota
Infografia: Tugadaily · dados Banco de Portugal