Menos 45,5 mil desempregados num trimestre. A taxa não era tão baixa desde 2011
A taxa de desemprego caiu para 5,3% no segundo trimestre, menos 0,8 pontos percentuais do que nos primeiros três meses do ano. O emprego chegou a 5,4 milhões de pessoas, o valor mais alto em 15 anos.
Havia 300,8 mil desempregados em Portugal entre abril e junho. Eram 346,3 mil três meses antes. A diferença — menos 45,5 mil pessoas num único trimestre — levou a taxa de desemprego para 5,3%, o valor mais baixo desde 2011, segundo o Inquérito ao Emprego do INE divulgado esta semana.
A descida é de 0,8 pontos percentuais face ao trimestre anterior e de 0,6 pontos face ao mesmo período de 2025.
Do outro lado da conta
O emprego subiu ao mesmo tempo, e subiu bastante. A população empregada chegou a 5.399,8 mil pessoas, mais 99 mil do que no trimestre anterior e mais 151,5 mil do que há um ano. É o nível mais elevado dos últimos 15 anos. Quando as duas pontas se movem na mesma direção — menos desemprego e mais emprego — não se trata apenas de gente a sair das estatísticas por desistência.
A subutilização do trabalho, que é o indicador mais honesto porque apanha também o subemprego e os inativos disponíveis, abrangeu 525,8 mil pessoas e caiu para 9,1%. Também aí é o mínimo desde 2011. O teletrabalho fixou-se em 21,3% dos empregados, a proporção mais alta desde o terceiro trimestre de 2023.
Onde os números continuam feios
O desemprego jovem manteve-se nos 18,3%. É mais do triplo da média nacional, e é o número que mais custa a mexer há duas décadas. Geograficamente, a Península de Setúbal registou a taxa mais alta do país, 7,4%.
Vale a pena ler estes dados ao lado do comportamento da economia no segundo trimestre e da inflação de julho, que abrandou para perto dos 3%: mercado de trabalho apertado, preços a ceder devagar. O destaque completo do inquérito está no destaque do INE sobre o 2.º trimestre de 2026.
Por Beatriz Mota
Infografia: Tugadaily · dados INE