A EDP lucrou 732 milhões no primeiro semestre e foram as renováveis e as redes a puxar
A EDP fechou o primeiro semestre de 2026 com 732 milhões de euros de lucro, mais 3% do que há um ano, com o EBITDA recorrente a subir 5% para 2,73 mil milhões.
Quanto lucrou a EDP no primeiro semestre?
732 milhões de euros, uma subida de 3% face ao mesmo período do ano passado. O EBITDA recorrente, que é a métrica que os analistas olham primeiro porque limpa o ruído das operações pontuais, cresceu 5% para 2,73 mil milhões de euros. Não é um semestre espetacular, mas é um semestre com a direção certa, o que num ano em que a eletricidade andou barata já vale bastante.
Porque é que os preços baixos não estragaram as contas?
Porque a empresa vive cada vez menos de vender eletricidade e cada vez mais de produzi-la e transportá-la. Os preços da eletricidade caíram em Portugal, em Espanha e noutros mercados europeus, e isso pesa. Do outro lado da balança estiveram dois contrapesos que pesaram mais: a EDP Renováveis, que continua a somar capacidade instalada, e o arranque do novo período regulatório das redes na Península Ibérica.
Essa segunda parte merece explicação, porque é a mais aborrecida e a mais rentável. As redes elétricas são um negócio regulado: o retorno permitido é fixado por períodos de vários anos e, quando um novo período abre com condições mais favoráveis, a receita sobe sem depender do humor do mercado grossista. É o oposto de vender energia ao sabor do preço do dia, e é por isso que as elétricas europeias andam todas a apostar em cabos e subestações.
O enquadramento nacional também ajuda. Portugal continua a produzir uma fatia enorme de eletricidade a partir de fontes limpas, e já é o quarto país da União Europeia em eletricidade renovável, o que torna a aposta da EDP menos uma escolha estratégica e mais uma consequência do sítio onde nasceu.
Vale a pena ler estes números ao lado dos da Galp, que fechou o semestre com 812 milhões, para ver como duas empresas do mesmo país e do mesmo setor podem estar a viver semestres com lógicas completamente diferentes: uma agarrada ao petróleo, outra a fugir dele. As contas detalhadas ficam disponíveis nos comunicados ao mercado, publicados no site institucional da EDP.
Por Beatriz Mota
Imagem: Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)