A Stellantis tem um chip em falta. O Fiat Pandina pode parar até dezembro
Falta um componente eletrónico da unidade de controlo do motor, de um único fornecedor. As fábricas italianas de Pomigliano (Pandina) e Mirafiori (500) podem parar em novembro e dezembro, e a de motores de Termoli também está em risco. A Stellantis fala em perturbação 'significativa'.
Falta uma peça pequena e a Fiat sente-o nas fábricas grandes. A Stellantis admitiu que a escassez de um componente eletrónico usado na unidade de controlo do motor (o computador que gere o motor do carro) está a causar uma perturbação “significativa” na produção de alguns Fiat em Itália, e que o problema pode arrastar-se por novembro e dezembro.
O modelo mais afetado é o Pandina, a versão atualizada do Panda e um dos carros pequenos mais vendidos da marca. A Reuters noticiou a 2 de novembro que a fábrica de Pomigliano, perto de Nápoles, onde o Pandina é montado, pode ter paragens nos próximos dois meses. O mesmo vale para Mirafiori, em Turim, onde se faz o Fiat 500.
Três fábricas na mesma linha de fogo
O chip vem de um único fornecedor, que a Stellantis não identificou. Também não disse se a falta tem alguma coisa a ver com a disputa em torno da Nexperia, a fabricante neerlandesa de semicondutores cujo controlo o Governo dos Países Baixos assumiu no fim de 2025, levando a China a travar exportações das fábricas chinesas da empresa.
A terceira fábrica em risco é a de Termoli, que monta o motor N3 GSE usado tanto no Pandina como no 500. Se os motores pararem, param os dois carros, mesmo que o resto das peças esteja na prateleira.
Mirafiori já estava parada antes disto. Fechou durante três semanas a partir de meados de outubro, por falta de outro componente, e os sindicatos dizem que a fraca procura pelo 500 também pesou na decisão.
O que a Stellantis diz
A empresa garante que está a trabalhar “com a máxima prioridade” em soluções alternativas e a repor a normalidade de forma gradual. Não disse quantos carros espera perder. Admitiu, isso sim, que a escassez já pesou nas vendas de outubro, sobretudo nas do Pandina.
Para quem está à espera de um destes carros em Portugal, o mais prudente é perguntar ao concessionário pela data de entrega antes de contar com ela. Os prazos dependem de fábricas italianas que podem não trabalhar todos os dias até ao Natal.
A indústria automóvel já tinha passado pelo filme da falta de chips em 2021 e 2022. Desta vez a peça é mais específica, mas o efeito é o mesmo: um único componente em falta consegue imobilizar uma linha inteira. É o lado menos visível de um setor em que os semicondutores mandam cada vez mais, como mostram as contas recentes da Intel.
Por Beatriz Mota
Imagem: Corvettec6r / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)