Christine Lagarde deixa o BCE a 7 de fevereiro, nove meses antes do fim do mandato
A presidente do Banco Central Europeu comunicou esta quinta-feira ao Conselho do BCE e a António Costa que sai a 7 de fevereiro de 2027. O mandato de oito anos só terminava a 31 de outubro de 2027. O sucessor é escolhido pelo Conselho Europeu, que Costa diz pôr a trabalhar já hoje.
Christine Lagarde vai deixar a presidência do Banco Central Europeu a 7 de fevereiro de 2027. Comunicou-o esta quinta-feira ao Conselho do BCE e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o banco confirmou a data num comunicado de três parágrafos, que termina com uma ovação de pé dos governadores.
A saída é antecipada. O mandato de oito anos começou a 1 de novembro de 2019 e só acabava a 31 de outubro de 2027.
Porquê agora
O BCE não deu razões, e Lagarde limitou-se a agradecer nas redes sociais os sete anos à frente da instituição. A leitura que circula entre analistas é política: sair em fevereiro deixa a escolha do sucessor nas mãos dos atuais líderes europeus, com Emmanuel Macron ainda no Eliseu, antes das presidenciais francesas de abril e maio. Não é um pormenor. O presidente do BCE é quem conduz as reuniões que fixam os juros para os 21 países do euro, e Portugal é um deles.
Quem decide (e quem é falado)
A nomeação cabe ao Conselho Europeu, por maioria qualificada e sob recomendação do Conselho da UE, depois de ouvir o Parlamento Europeu e o próprio Conselho do BCE, como prevê o artigo 283.º do Tratado. Costa garantiu que o processo arranca hoje e avança “sem demora”.
Os nomes mais citados são os de Klaas Knot, antigo governador do banco central neerlandês, e Pablo Hernández de Cos, que dirige o Banco de Pagamentos Internacionais. Há mais cadeiras a mexer ao mesmo tempo: o mandato do economista-chefe Philip Lane termina em maio, e é provável que os líderes negociem tudo num só pacote, de preferência antes da cimeira de 17 e 18 de dezembro.
E nos juros?
Pouco muda no curto prazo. O BCE decide em colégio, e Lagarde continua a presidir às reuniões até fevereiro. Quem tem crédito à casa deve olhar para as próximas decisões, não para o nome na porta, e o pulso de cada semana fica no nosso acompanhamento dos mercados.
Há uma coincidência de calendário que vale a pena notar: a ONU também está à procura de quem fique com a cadeira que António Guterres deixa no fim do ano. Dois dos lugares mais pesados da diplomacia e da economia mundial ficam vagos com poucas semanas de diferença.
Por Beatriz Mota
Imagem: Philippe Buissin / Parlamento Europeu (© União Europeia 2025)