A Live Nation levou 61 milhões de pessoas a concertos em três meses (e faturou 10,1 mil milhões de dólares)
A maior promotora de espetáculos do mundo, que em Portugal vende os bilhetes dos U2 na Luz, fechou o terceiro trimestre com receitas de 10.105 milhões de dólares, mais 19%. O público cresceu na mesma proporção e as vendas para 2027 já sobem dois dígitos.
A Live Nation, a maior promotora de concertos do mundo e dona da Ticketmaster, teve o trimestre mais forte de que há registo. Entre julho e setembro, a empresa vendeu espetáculos a 61 milhões de pessoas e faturou 10.105 milhões de dólares, mais 19% do que um ano antes, segundo o comunicado de resultados entregue ao regulador norte-americano na quinta-feira.
O resultado operacional subiu 13%, para 892 milhões. Os concertos, o grosso do negócio, renderam 8.746 milhões. A bilhética da Ticketmaster rendeu 870 milhões, com 98 milhões de bilhetes vendidos com taxa.
Quanto vale cada fã
Pelas nossas contas, a receita dos concertos dividida pelo público do trimestre dá cerca de 143 dólares por pessoa. Inclui o bilhete, mas também a cerveja, a t-shirt e o estacionamento que a empresa cobra nas salas que gere. É uma média que esconde extremos: em Lisboa, a promotora está a vender os bilhetes para os U2 no Estádio da Luz entre os 95 e os 533 euros, sem contar os pacotes VIP.
O público cresceu tanto como a faturação, o que mostra que o salto não veio só de bilhetes mais caros. Os estádios, as arenas e os anfiteatros estão todos a vender cerca de 15% mais, ou acima disso, para os espetáculos de 2026, e as salas da própria empresa receberam 26 milhões de pessoas no trimestre. A Live Nation conta passar dos 75 milhões até dezembro.
O que vem a seguir
A empresa diz que as vendas de bilhetes para os concertos de 2027 já sobem a dois dígitos face ao mesmo ponto do ano passado, e que vai abrir ou comprar dez salas com mais de três mil lugares até ao fim do ano. Fora dos Estados Unidos, as arenas deverão trazer três quartos do crescimento de público nas grandes salas da empresa. Nas arenas europeias, o que cada espectador gasta lá dentro subiu dois dígitos.
O presidente executivo, Michael Rapino, voltou ao argumento de sempre: num mundo de ecrãs e de inteligência artificial, estar lá ao vivo é a única coisa que não se copia. Para quem compra bilhetes, a leitura é menos poética. Com a procura a crescer ao ritmo das receitas, não há sinal de que os preços venham a descer tão cedo.
Por Beatriz Mota
Imagem: Coolcaesar / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)