Galp e Moeve desistem de juntar refinarias e postos de combustível na Península Ibérica
Dez meses depois do acordo não vinculativo de janeiro, a Galp comunicou ao mercado que as negociações com os acionistas da Moeve (Mubadala e Carlyle) terminaram sem acordo. A refinaria de Sines e a rede de postos ficam como estavam.
Afinal, as refinarias e os postos da Galp não se vão juntar aos da Moeve. A empresa portuguesa anunciou esta segunda-feira, 26 de outubro, que as conversas com a espanhola Moeve para fundir os negócios de refinação e de venda de combustíveis terminaram sem qualquer acordo, depois daquilo a que a empresa chama “negociações extensas”.
O plano tinha sido anunciado a 8 de janeiro, como um acordo não vinculativo entre a Galp e os donos da Moeve, o fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala e a gestora norte-americana Carlyle. A ideia era criar duas empresas novas. Uma industrial, que juntaria a refinaria de Sines a duas refinarias da Moeve em Espanha, com a Galp a ficar com mais de 20%. Outra comercial, que fundiria as redes de postos das duas marcas em Portugal e Espanha, detida em partes mais ou menos iguais. A exploração de petróleo e gás (o chamado upstream) ficava sempre de fora.
O que correu mal
O comunicado não entra em pormenores. A presidente do conselho de administração, Paula Amorim, diz apenas que as partes não conseguiram o “alinhamento comercial necessário” para uma parceria duradoura, embora a lógica do negócio continue, nas palavras dela, a fazer sentido.
Na véspera, a imprensa económica já dava o acordo como em risco por divergências sobre os termos exigidos pelo lado da Moeve. Em julho, os dois co-presidentes executivos da Galp ainda apontavam outubro como o mês provável para assinar.
E agora?
Para quem abastece o carro, nada muda de imediato: os postos Galp continuam Galp. A empresa garante que o fim das conversas não afeta as operações e que mantém a confiança no valor do negócio de refinação e retalho por si só, destacando os projetos de transição energética em Sines, entre eles um dos maiores eletrolisadores de hidrogénio verde da Europa e uma unidade de biocombustíveis avançados.
O foco declarado volta a ser o upstream, onde a Galp tem as descobertas na Namíbia e a produção no Brasil. Ainda assim, a empresa diz que continua convencida de que a consolidação do setor faz falta, o que deixa a porta aberta a outras parcerias. É o mesmo setor a que o Governo decidiu cobrar uma contribuição sobre os lucros extraordinários de 2026, e que vai continuar a dar que falar.
Por Beatriz Mota
Montagem Tugadaily · Imagens: Vitor Oliveira (CC BY-SA 2.0) e Américo Toledano (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons