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Carro da GNR estacionado numa rua portuguesa
Notícias 29 de junho de 2026

GNR alerta para a vaga de roubos a casas no verão

Com mais de 2.300 assaltos a habitações já registados este ano, a GNR pede atenção redobrada antes das férias de verão.

Há uma estatística que estraga qualquer mala de viagem feita à pressa: a GNR já contabilizou mais de 2.300 assaltos a residências em Portugal só este ano. E o verão, com as casas vazias durante dias, é a época preferida de quem entra sem ser convidado.

A lógica dos ladrões é desconfortavelmente simples. Estores sempre fechados, caixa de correio a transbordar, redes sociais a anunciar “duas semanas no Algarve” — tudo isto funciona como um letreiro a dizer que não está ninguém. A boa notícia é que a maior parte da prevenção não custa dinheiro, custa só hábito.

O básico que faz diferença

Antes de sair, vale a pena pedir a um vizinho de confiança que recolha o correio e abra de vez em quando um estore. Deixar uma luz com temporizador, evitar publicar fotografias de férias em tempo real e trancar bem portas e janelas continua a ser o conselho mais repetido pelas autoridades — porque continua a funcionar.

A GNR mantém o programa Residência Segura, em que patrulhas reforçam a vigilância de zonas com muitas casas desabitadas no verão; basta sinalizar a ausência junto do posto local. Não é uma garantia, mas é uma camada a mais.

Quem regressa e encontra sinais de arrombamento não deve entrar nem tocar em nada: o melhor é chamar de imediato as autoridades pelo 112 e preservar o local. Pode ser a diferença entre um processo que avança e um que fica sem pistas.

Veja também: o aviso do IPMA para o calor e o risco de incêndio. Mais conselhos oficiais de prevenção estão no site da GNR.

Imagem: Wikimedia Commons

Bandeira da Ucrânia
Notícias 29 de junho de 2026

Ucrânia lança ataque noturno em larga escala contra a Rússia

Kyiv atingiu alvos em mais de uma dezena de regiões russas e na Crimeia, numa noite que voltou a alargar a guerra para lá da linha da frente.

A guerra que muita gente já trata como ruído de fundo voltou a subir de tom esta semana. Numa única noite, a Ucrânia lançou um ataque de grande dimensão contra mais de uma dezena de regiões russas, a península da Crimeia ocupada e as águas em redor. A Rússia respondeu com bombardeamentos sobre várias zonas ucranianas.

O padrão é conhecido, mas a escala destes ataques cruzados mostra que nenhum dos lados está perto de baixar os braços. Drones de longo alcance e mísseis transformaram a retaguarda em frente de combate: refinarias, depósitos e infraestruturas energéticas voltam a ser alvos, e civis voltam a passar noites em abrigos.

Porque é que isto importa cá

Para Portugal e para a Europa, cada escalada destas tem efeitos práticos. Mexe com os preços da energia, mantém a pressão sobre os orçamentos de defesa e ajuda a explicar por que razão a fatura no supermercado não desce tão depressa como se gostaria. Uma guerra longe continua a sentir-se ao fim do mês.

No plano diplomático, as conversas de cessar-fogo continuam encalhadas: cada ronda de ataques esvazia a seguinte ronda de negociações. Sem garantias de segurança credíveis, Kyiv recusa congelar a linha da frente, e Moscovo não larga os territórios que ocupa.

Veja também: o frágil cessar-fogo e as sanções no Irão. Acompanhe a posição oficial das Nações Unidas em un.org.

Imagem: Wikimedia Commons

Bandeira da Venezuela
Notícias 29 de junho de 2026

Sismos na Venezuela: a comunidade portuguesa de luto e à espera de notícias

Os tremores na Venezuela deixaram milhares de mortos e atingiram em cheio a maior comunidade lusa fora da Europa. Portugal enviou ajuda.

Há notícias que se leem com um nó na garganta, e esta é uma delas. Os sismos que abalaram a Venezuela deixaram mais de 1.400 mortos confirmados e um rasto de destruição que ainda está a ser contado. E porque é que isto nos toca tão de perto cá? Porque a Venezuela acolhe uma das maiores comunidades portuguesas do mundo — gente da Madeira, sobretudo, que emigrou ao longo de décadas e fez ali uma segunda casa.

Entre as vítimas há dezenas de portugueses e lusodescendentes, e há ainda muitas famílias sem saber o paradeiro dos seus. É esse o pior dos limbos: o telefonema que não chega, o nome que não aparece nas listas, a espera que se arrasta hora a hora.

Portugal não ficou de braços cruzados

O Estado português ativou uma missão de apoio, com dezenas de operacionais e várias toneladas de ajuda humanitária a caminho de La Guaira, uma das zonas mais fustigadas. É o tipo de resposta que se espera quando há tantos laços de sangue em jogo — e a diáspora madeirense, habituada a mobilizar-se, já está a organizar recolhas e contactos.

Para quem tem familiares na zona, o conselho das autoridades é o do costume mas vale a pena repetir: registar-se e manter o contacto através dos canais consulares, que centralizam a informação e ajudam a localizar pessoas. Pode consultar as orientações para portugueses no estrangeiro no portal oficial do Governo de Portugal.

Vamos seguindo isto de perto. Por agora, fica a solidariedade — e a esperança de que muitos dos desaparecidos apareçam sãos e salvos.

Veja também: O Estreito de Ormuz volta a respirar e a lei laboral chumbada.

Imagem: Wikimedia Commons

Petroleiro a navegar em mar aberto
Notícias 29 de junho de 2026

Estreito de Ormuz volta a respirar: petroleiros regressam e o cessar-fogo aguenta-se

Apesar dos ataques do fim de semana, os navios voltaram a atravessar Ormuz e as exportações do Golfo recuperam. O preço do barril caiu para mínimos do ano.

Depois de um fim de semana de nervos, com mísseis a caírem sobre o Kuwait e o Bahrain, a notícia que mais mexe com a carteira é mais sossegada: os petroleiros voltaram a atravessar o Estreito de Ormuz. E em força.

A passagem por onde escoa boa parte do petróleo do mundo está outra vez a funcionar. As exportações do Golfo recuperaram para cerca de três quartos dos níveis de antes da guerra, a Arábia Saudita voltou a carregar tankers em Ras Tanura, e o centro de informação marítima da Marinha dos EUA até alargou a rota navegável ao largo de Omã, para deixar passar mais tráfego nos dois sentidos.

O barril alivia

O mercado leu tudo isto como sinal de calma e respondeu na hora. O Brent caiu para perto dos 72 dólares por barril, o valor mais baixo desde fevereiro, e o crude americano também recuou com força. Por outras palavras: o pânico das últimas semanas começou a esvaziar-se.

Não quer dizer que esteja tudo resolvido. O memorando de cessar-fogo continua a ser papel frágil, com cada lado a acusar o outro de o violar, e Donald Trump a avisar que responderá se o Irão voltar a atacar interesses americanos. Mas as conversas técnicas para pôr o acordo em prática mantêm-se de pé, e isso, por agora, basta para acalmar os navios.

Para Portugal, a tradução é simples: se Ormuz se mantiver aberto, o que pagamos na bomba ao fim de semana tende a descer em vez de disparar. Foi o medo do corte que andou a empurrar os combustíveis para cima.

Fica o aviso do costume: a situação muda de hora a hora e nem tudo o que circula nas redes resiste a uma segunda leitura.

Veja também: Irão dispara contra bases dos EUA no Golfo e o impacto nos combustíveis. Acompanhe a cobertura internacional pela ONU Notícias.

Imagem: Wikimedia Commons

Praça do Giraldo, em Évora, num dia de sol
Notícias 28 de junho de 2026

Calor aperta e sobe o perigo de incêndio: vários distritos sob aviso

O IPMA prevê tempo quente e seco nos próximos dias, com Évora a chegar aos 37 graus e o risco de incêndio rural a agravar-se de norte a sul.

Quem já andava a fugir do sol que se prepare, porque a próxima semana promete suar. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera aponta para tempo quente e seco nos próximos dias, e com ele vem o que sempre vem nesta altura do ano: mais perigo de incêndio rural.

Os avisos amarelos abrangem distritos do interior como Bragança, Vila Real, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja. Em Évora, as máximas podem encostar aos 37 graus, e o Alentejo volta a ser o forno do costume.

O que pedem as autoridades

A receita para evitar sustos é velha mas continua a valer: nada de queimas e queimadas, cuidado com maquinaria agrícola que solte faíscas e zero fogo de artifício. Basta uma fagulha no sítio errado, com o mato seco como está, para transformar uma tarde tranquila numa noite de bombeiros à porta.

Vale a pena ter o número de emergência à mão, beber água com regularidade e não deixar idosos nem crianças muito tempo expostos ao calor. Se tem trabalho ao ar livre, tente as horas mais frescas do dia.

O aviso chega numa semana simbólica para quem combate o fogo. Esta atenção redobrada não é exagero: a combinação de calor, seca e vento é exatamente a que costuma dar errado.

Veja também: Os bombeiros de Lousada e o reforço prometido pelo Governo. Consulte o risco diário no IPMA e os avisos à população da Proteção Civil.

Imagem: Wikimedia Commons

Vista de satélite do Golfo Pérsico
Notícias 28 de junho de 2026

Irão dispara contra bases dos EUA no Golfo e o cessar-fogo fica por um fio

Teerão lançou mísseis e drones contra instalações norte-americanas no Kuwait e no Bahrain, em resposta a ataques dos EUA. A região prende a respiração.

A madrugada deste domingo trouxe ao Golfo Pérsico o cenário que toda a gente temia. Horas depois de os Estados Unidos terem atingido cinco pontos costeiros no Irão, Teerão respondeu com mísseis balísticos e drones contra duas das maiores presenças militares norte-americanas na região.

Os alvos foram a base aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, e o quartel-general da Quinta Frota dos EUA, no Bahrain. A Guarda Revolucionária iraniana garante ter destruído várias infraestruturas; Washington fala em retaliação ao alegado ataque a um navio no Estreito de Ormuz nos dias anteriores.

Um cessar-fogo a desfazer-se

Há um memorando de cessar-fogo entre as partes, mas neste momento parece mais papel do que realidade. Cada lado acusa o outro de o ter violado primeiro, e a confiança evaporou-se. Pelo meio, os países vizinhos ficam na linha de fogo: os Emirados condenaram com firmeza os ataques a Bahrain e Kuwait, classificando-os como uma violação clara da soberania de dois Estados do Golfo.

A diplomacia ainda não baixou os braços. O Egito e o Qatar voltaram a insistir na importância de manter as negociações entre Washington e Teerão, com contactos entre os respetivos chefes da diplomacia.

Para Portugal, o impacto sente-se sobretudo na carteira. O Estreito de Ormuz é uma das artérias por onde passa boa parte do petróleo mundial, e qualquer faísca por ali mexe com o preço dos combustíveis que pagamos ao fim de semana. O barril já andou aos saltos nas últimas semanas por causa desta crise.

Por agora, fica o aviso de sempre: confirmar antes de alarmar. A informação muda de hora a hora, e nem tudo o que circula nas redes resiste a uma segunda leitura.

Veja também: Navio atingido no Estreito de Ormuz e o impacto nos mercados. Acompanhe a cobertura internacional pela ONU Notícias.

Imagem: Wikimedia Commons

Veículo de combate a incêndios dos bombeiros voluntários portugueses
Notícias 28 de junho de 2026

Bombeiros de Lousada fazem 100 anos com promessa de mais apoio do Governo

No centenário dos Bombeiros Voluntários de Lousada, o Governo admitiu soluções extraordinárias para reforçar o apoio aos bombeiros na época de incêndios.

Há festas que sabem bem contar. Os Bombeiros Voluntários de Lousada celebraram cem anos de serviço, e a data trouxe mais do que bolo e discursos: trouxe uma promessa do Governo de pôr mais dinheiro onde costuma faltar.

Num momento em que o país entra a sério na época de incêndios, um responsável do Governo admitiu estar disponível para soluções extraordinárias de apoio aos bombeiros, com reforço de meios durante o verão. Por palavras simples: se a coisa apertar, há margem para abrir os cordões à bolsa.

Porque é que isto nos toca de perto

Em Lousada e em tantas vilas do país, os bombeiros voluntários são a primeira linha quando o fumo aparece no horizonte. Vivem de doações, de quotas e de muita boa vontade, e cada verão põe à prova viaturas, equipas e nervos. Um século de serviço não se faz sem sacrifício, e a comunidade sabe-o bem.

A promessa do Governo é bem-vinda, mas o que conta é o que chega ao terreno: combustível, manutenção das viaturas, equipamento de proteção e formação. As corporações pedem menos discursos e mais meios garantidos antes do pico de calor, não a meio do fogo.

Para já, fica o aplauso a quem dá um século de pernas à terra. E fica o aviso de sempre: nesta altura do ano, uma faísca mal apagada pode dar muito trabalho a quem hoje recebeu medalhas.

Veja também: Navio atingido no Estreito de Ormuz trava evacuação no Golfo.

Imagem: Wikimedia Commons

Mapa de satélite do Estreito de Ormuz
Notícias 28 de junho de 2026

Navio atingido no Estreito de Ormuz trava evacuação no Golfo

Um projétil atingiu um navio de bandeira de Singapura no Estreito de Ormuz. A evacuação de marítimos e cargueiros ficou em pausa.

O Estreito de Ormuz volta a ser o ponto mais tenso do mapa. Um projétil atingiu um navio com bandeira de Singapura naquela passagem estreita por onde escoa uma fatia enorme do petróleo mundial, e o incidente bastou para travar uma operação delicada.

A Organização Marítima Internacional pôs em pausa a evacuação de milhares de marítimos e de centenas de cargueiros encalhados no Golfo Pérsico. Responsáveis norte-americanos dizem que o disparo partiu do Irão; Teerão não confirmou. Seja qual for a origem, a mensagem para o setor é clara: navegar ali continua a ser um risco.

Porque é que isto nos toca

Pode parecer longe, mas chega-nos depressa ao bolso. Quando Ormuz aperta, o preço do petróleo sobe, e a fatura da energia em Portugal já vem a pesar há meses. Foi precisamente a energia que empurrou a inflação para cima na primavera.

Por agora, o melhor termómetro é o mercado do crude e os avisos às companhias de navegação. Se a tensão acalmar, a evacuação recomeça; se não, prepare-se para mais volatilidade nos combustíveis.

Veja também: o impacto da energia na inflação e o último ponto sobre o Irão. Atualizações oficiais à navegação saem da Organização Marítima Internacional.

Imagem: Wikimedia Commons

Bandeira da Venezuela
Notícias 28 de junho de 2026

Venezuela: número de mortos sobe para 589 e buscas continuam

O balanço dos sismos na Venezuela agrava-se para 589 mortos. Equipas internacionais, incluindo portuguesas, mantêm as buscas dia e noite.

O chão tremeu duas vezes e a Venezuela ainda está a contar os estragos. O balanço oficial dos sismos que abalaram o país subiu para 589 mortos e as autoridades avisam que o número deve continuar a crescer enquanto houver gente debaixo dos escombros.

As buscas não param. Equipas de resgate do México, Brasil, Cuba e Estados Unidos juntaram-se aos esforços locais, trabalhando em turnos para chegar a quem ainda possa estar preso. Foi declarado estado de emergência num país que já estava frágil, política e economicamente, antes de a terra abrir.

A mão portuguesa

Portugal não ficou a ver. Foram destacados 64 socorristas e cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária para a zona de La Guaira, uma das mais castigadas. É o tipo de gesto que, nestas alturas, vale tanto pela ajuda concreta como pelo recado: não estão sozinhos.

Para quem tem família ou amigos na região, o conselho das organizações no terreno é o do costume mas essencial: seguir as instruções das autoridades locais e não voltar a edifícios danificados, porque as réplicas continuam a ser um risco real.

Vamos continuar a acompanhar o balanço à medida que as buscas avançam.

Veja também: Portugal envia socorristas e ajuda e o ponto da situação humanitária. Para apelos e dados de emergência, a coordenação humanitária das Nações Unidas acompanha a resposta no terreno.

Imagem: Wikimedia Commons

Fogo florestal
Notícias 27 de junho de 2026

Calor a apertar e fogo em risco máximo: o aviso do IPMA para o fim de semana

O IPMA prevê temperaturas acima dos 40 graus no interior e coloca dezenas de concelhos em perigo máximo de incêndio. O que isto significa para si.

Se este fim de semana lhe pareceu que o ar estava mais pesado, não é impressão sua. O calor voltou a apertar de norte a sul, e com ele chegou a parte menos divertida do verão português: o risco de incêndio a disparar para o vermelho.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera tem vindo a colocar vários distritos sob aviso amarelo por causa das temperaturas, com Lisboa a rondar os 37 graus e o interior a passar dos 40, sobretudo no Alentejo. Em paralelo, dezenas de concelhos — em zonas como Bragança, Castelo Branco, Santarém e Portalegre — entraram em perigo máximo de incêndio rural. É a combinação clássica e perigosa: calor, terreno seco e qualquer faísca a poder fazer estragos.

Sem dramas, mas com cuidado

Houve quem fizesse correr pela internet a ideia de que Portugal ia chegar aos 50 graus. O IPMA já veio travar esse alarmismo: os valores previstos, ainda que altos, estão longe dos recordes do continente, que andam pelos 46 a 47 graus. Ou seja, vai estar muito quente, mas não é o fim do mundo — desde que cada um faça a sua parte.

Na prática, isto quer dizer evitar queimadas e qualquer trabalho que solte faíscas nas horas de maior calor, não deixar garrafas de vidro ou lixo no mato, e ter atenção redobrada se vai passear pelo campo. Em casa, o costume: hidratar bem, fechar persianas a meio do dia e dar uma vista de olhos aos vizinhos mais idosos.

Vale a pena consultar o mapa de risco de incêndio do IPMA antes de qualquer plano ao ar livre — atualiza diariamente e é o sítio mais fiável para saber como está a sua zona.

Este episódio de calor também não é um acaso isolado, e é por isso que o Governo acaba de mexer na sua estratégia climática para a próxima década.

Veja também: Portugal aprova nova estratégia para o clima até 2030

Imagem: Wikimedia Commons

Imagem de satélite do Estreito de Ormuz e da Península de Musandam.
Notícias 27 de junho de 2026

Tensão no Estreito de Ormuz: EUA atacam o Irão e reacendem o receio do petróleo

Um ataque a um navio na principal rota do petróleo do mundo levou os Estados Unidos a responder com força. O receio de escalada faz subir a incerteza — e os preços.

O Estreito de Ormuz voltou a estar no centro das atenções mundiais — e nunca é boa notícia quando isso acontece. Os Estados Unidos atacaram o Irão, em resposta a um ataque com drone contra um navio de carga na zona, naquele que é o teste mais sério ao frágil entendimento que as duas potências tinham alcançado há cerca de uma semana.

Para perceber a gravidade, é preciso olhar para o mapa. O Estreito de Ormuz é uma faixa estreita de mar entre o Irão e a Península Arábica por onde passa uma fatia enorme do petróleo consumido no planeta. Qualquer faísca nesta região tem o condão de fazer disparar a incerteza nos mercados de energia em poucas horas. Não admira, por isso, que cada novo episódio seja seguido de perto por governos e investidores em todo o mundo.

E aqui é que a história deixa de ser distante para passar a tocar-nos a todos, também em Portugal. A subida da tensão e o receio de uma escalada empurram para cima o preço do petróleo, e isso tem efeitos diretos no que pagamos — dos combustíveis à fatura da energia, com reflexos na inflação que o próprio Banco de Portugal já incorporou nas suas projeções. Quando se fala de conflito no Golfo, fala-se, no fundo, também do custo de vida cá dentro.

Por agora, o cenário é de prudência e de muitas perguntas sem resposta. Não é claro até onde irá a resposta de cada lado, nem se o entendimento alcançado há dias resiste a este novo abanão. As próximas horas e dias serão decisivos para perceber se isto fica num episódio pontual ou se abre a porta a algo maior.

O que se pode dizer com segurança é que vale a pena acompanhar com calma e sem alarmismos. Em temas de geopolítica, as primeiras informações são muitas vezes incompletas e os desfechos surpreendem. Ficamos atentos e voltamos ao assunto à medida que o quadro for ficando mais claro.

Imagem: Wikimedia Commons (NASA/MODIS)

Selo do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos
Notícias 27 de junho de 2026

EUA abrem a porta ao petróleo iraniano: dólares a fluir pela primeira vez em 40 anos

Washington emitiu uma licença de 60 dias que deixa o Irão vender petróleo em dólares. Uma decisão que pode mexer com o preço que paga no abastecimento.

Há decisões que parecem técnicas e distantes, mas que acabam por chegar à bomba de gasolina. Esta é uma delas. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma licença que, durante 60 dias, autoriza o Irão a produzir e vender petróleo, petroquímicos e derivados — e, pela primeira vez em mais de quatro décadas, a fazê-lo em dólares.

A licença, conhecida como General License X, foi emitida a 22 de junho e mantém-se válida até 21 de agosto. Não é um perdão definitivo das sanções: é uma janela temporária, ligada a um memorando de entendimento assinado a 17 de junho entre Washington e Teerão, que procura travar as hostilidades militares e reabrir em pleno o Estreito de Ormuz.

Porque é que isto importa para a sua carteira

O número que salta à vista são os milhões de barris de crude iraniano que estavam, na prática, presos no Golfo sem comprador. Com esta abertura, calcula-se que possam regressar ao mercado cerca de 67 milhões de barris, um alívio que ajuda a explicar porque é que o Brent caiu mais de 3,5% para perto dos 78 dólares logo a seguir ao anúncio.

Para quem abastece o carro em Portugal, mais petróleo disponível no mundo costuma significar menos pressão sobre os preços. Não é uma garantia — a geopolítica muda de humor depressa — mas é um sinal na direção certa, depois de semanas de nervosismo.

O detalhe da licença está publicado pelo Tesouro norte-americano, que coordena estas sanções através do OFAC.

Veja também: Petróleo abranda e dá um respiro à carteira e a tensão no Estreito de Ormuz.

Imagem: Wikimedia Commons

Tecnologia robótica avançada em ambiente clínico
Notícias 27 de junho de 2026

Hospital de Portimão chega às 100 cirurgias com robô

O Hospital de Portimão celebrou a sua centésima cirurgia robótica, um marco para a saúde no Algarve.

Há marcos que passam despercebidos mas que dizem muito sobre como o país muda. O Hospital de Portimão chegou esta semana à sua centésima cirurgia assistida por robô — um número que, há poucos anos, era impensável fora dos grandes centros de Lisboa e Porto.

A cirurgia robótica não é um robô a operar sozinho, como o nome às vezes faz crer. É o cirurgião que comanda os braços mecânicos a partir de uma consola, com uma precisão e uma visão ampliada que a mão humana, sozinha, não consegue. O resultado costuma ser cortes mais pequenos, menos dor e altas mais rápidas.

Porque é que importa

Para o Algarve, ter esta tecnologia perto de casa é meio caminho andado. Significa que muitos doentes deixam de ter de viajar centenas de quilómetros para procedimentos que, agora, se fazem ali ao lado. Numa região onde a população cresce no verão e envelhece no inverno, isso conta.

Chegar às 100 operações também é um sinal de confiança: a equipa fez-se à curva de aprendizagem, a máquina já faz parte da rotina e o programa está para ficar.

É o tipo de notícia que não dá manchetes barulhentas, mas que melhora a vida de pessoas concretas — e essas são, muitas vezes, as melhores.

Imagem ilustrativa · Foto: Kindel Media / Pexels

Caracas, Venezuela
Notícias 27 de junho de 2026

Sismos na Venezuela: há portugueses entre as vítimas e milhares por localizar

A série de tremores de terra que abalou a Venezuela deixou pelo menos nove portugueses mortos e dezenas de milhares de pessoas ainda por contactar.

A notícia chegou pesada esta semana: pelo menos nove portugueses estão entre os mortos confirmados depois da série de sismos que sacudiu a Venezuela, e há ainda cerca de 50 mil pessoas que as autoridades não conseguiram contactar.

Para Portugal, isto não é uma tragédia longínqua. A comunidade portuguesa na Venezuela é uma das maiores e mais antigas do mundo — gente que emigrou ao longo de décadas, sobretudo da Madeira e do norte do país, e que ainda mantém família cá. Quando a terra treme em Caracas ou em Valência, há telefones a tocar em Câmara de Lobos, no Porto e por todo o lado.

O que se sabe

O número de pessoas “por localizar” não significa, felizmente, que estejam todas em perigo. Em catástrofes desta dimensão, as comunicações caem, há quem fique sem rede e há famílias deslocadas que demoram dias a dar notícias. Mesmo assim, o balanço deve agravar-se nos próximos dias, à medida que se chega às zonas mais afetadas.

As autoridades portuguesas ativaram o apoio consular e pedem a quem tenha familiares na região que use os canais oficiais para reportar contactos, em vez de saturar as linhas de emergência.

O que pode fazer

Se tem família por lá, o conselho é simples: registe a situação junto do consulado e tenha à mão documentos e moradas. As redes sociais ajudam a localizar pessoas, mas confirme sempre antes de dar algo como certo — em momentos destes, corre muita informação errada.

Vamos acompanhar e atualizar à medida que houver dados verificados. Por agora, fica a solidariedade para com quem está à espera de uma chamada.

Imagem: Wikimedia Commons

A detailed shot of firefighter gear inside a fire truck, emphasizing emergency readiness.
Notícias 26 de junho de 2026

Portugal pronto a enviar ajuda de emergência à Venezuela

O Governo diz acompanhar a situação de perto e colocou uma equipa de proteção civil de 50 pessoas à disposição, no quadro do mecanismo europeu.

A crise na Venezuela voltou a entrar na agenda portuguesa. O primeiro-ministro Luís Montenegro afirmou que o Governo está a acompanhar a situação “de perto” e que Portugal está “pronto a enviar ajuda de emergência e humanitária”.

Em concreto, Portugal disponibilizou uma equipa de proteção civil com 50 elementos, já aceite pelas autoridades venezuelanas. A ajuda será canalizada de forma coordenada com a União Europeia, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.

Porque é que isto nos toca

Há um motivo muito humano para Portugal prestar atenção: cerca de 7,9 milhões de venezuelanos vivem fora do país, e a comunidade portuguesa e luso-descendente na Venezuela é histórica e numerosa. Montenegro garantiu que a embaixada em Caracas e a rede consular estão mobilizadas para apoiar quem precise.

Por agora, fica o gesto e a logística pronta. O resto depende de como evoluir uma situação que continua tudo menos estável.

Imagem ilustrativa · Foto: Craig Adderley / Pexels

Peaceful coastal scene of Sines Marina and beach at sunrise in Portugal.
Notícias 26 de junho de 2026

Sines pode voltar a ter comboio de passageiros, 36 anos depois

A Infraestruturas de Portugal estuda uma nova linha de tráfego misto que aproximaria Sines de Lisboa. A cidade não vê comboios de passageiros desde 1990.

Quem é de Sines conhece a história de cor: a estação está lá, os carris também, mas comboio de passageiros já ninguém apanha desde 1990. São 36 anos. Agora há um estudo que pode mudar isso — com calma e muitos “ses” pelo meio.

O que está em cima da mesa

A Infraestruturas de Portugal está a analisar uma nova ligação ferroviária pensada sobretudo para encurtar a distância entre Sines e Lisboa. O detalhe que interessa aos moradores: o estudo prevê tráfego misto, ou seja, a porta fica aberta para comboios de passageiros e não só para a mercadoria que serve o porto.

Convém não atirar foguetes já. O Governo não tem planos para reativar o serviço de passageiros na atual Linha de Sines. A possibilidade vive nesta nova rota em estudo — uma fase ainda inicial, sem datas fechadas nem garantias.

O contexto que ajuda a perceber

Sines não é uma cidade qualquer no mapa ferroviário: o seu porto é peça-chave para a economia, e a região tem ganho peso. Em paralelo, o município lançou um concurso para uma nova Estação da Mobilidade, um investimento de 3,5 milhões de euros junto à antiga estação — sinal de que a aposta nos transportes não é só conversa.

Há ainda movimento na ferrovia do sul: a ligação entre Évora e Espanha deverá começar a receber comboios no início de 2027, com testes e certificações a decorrer.

Porque é que importa

Para quem vive e trabalha na zona, um comboio de passageiros seria mais do que conforto — seria menos carros na estrada e melhor ligação ao resto do país. Por agora fica a promessa de um estudo. Mas, às vezes, é assim que estas coisas começam.

Imagem ilustrativa · Foto: Magda Ehlers / Pexels

Bandeira da Venezuela
Notícias 26 de junho de 2026

Venezuela: número de mortos passa dos 580 e o mundo corre para ajudar

Dois sismos seguidos deixaram um rasto de destruição a oeste de Caracas. As equipas de busca trabalham contra o relógio enquanto dezenas de milhares continuam por localizar.

A conta não pára de subir, e é a pior parte de uma tragédia destas. Os dois sismos que sacudiram a Venezuela na quarta-feira — um de magnitude 7,2 e outro de 7,5, a cerca de 160 quilómetros a oeste de Caracas — já provocaram quase 600 mortos confirmados e perto de três mil feridos. E o número que mais assusta nem sequer é esse: uma plataforma criada para registar desaparecidos tinha esta sexta-feira mais de 49 mil nomes à espera de notícias.

Dois abalos grandes, quase de seguida, são uma combinação cruel. O primeiro fragiliza os edifícios, o segundo deita-os abaixo — muitas vezes com as pessoas já na rua ou a tentar perceber o que se passa. É por isso que estas primeiras 72 horas são tudo: é a janela em que ainda se encontra gente viva debaixo dos escombros.

Portugal também conta os seus

Para nós, isto não é uma notícia distante. A comunidade portuguesa na Venezuela é enorme e antiga, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou nove portugueses mortos e 56 por localizar. Atrás de cada um desses números há famílias aqui, por todo o país, agarradas ao telemóvel à espera de uma chamada.

O mundo abre as portas

A resposta internacional foi rápida e, em alguns aspetos, surpreendente. Os Estados Unidos aliviaram parte das sanções para deixar passar a ajuda que de outra forma estaria bloqueada, e prometeram enviar equipas de resgate e meios militares. Vários países europeus, incluindo Portugal, colocaram equipas de proteção civil de prontidão através do mecanismo europeu.

Por agora, a prioridade é simples e dura: tirar gente de baixo do betão antes que o tempo se esgote. O resto — reconstruir, contabilizar, perceber porque é que tantos edifícios cederam — virá depois.

Imagem: Wikimedia Commons

A firefighter moves through a smoke-filled forest in Portugal, highlighting the danger and urgency of wildfire response.
Notícias 25 de junho de 2026

Aí vem o calor a sério: avisos amarelos a partir de sábado, até 42 graus

O IPMA pôs os distritos do interior em aviso amarelo e o pico chega na terça e quarta. Mas calma: nada de 50 graus, isso é treta da internet.

Prepare o protetor solar e a garrafa de água: o IPMA avisa que as temperaturas começam a subir já a partir de sábado, com os termómetros a poderem chegar aos 42 graus no interior. Os distritos do interior ficam em aviso amarelo a partir das 9h de sábado, e o pico do calor deve cair na terça e na quarta da próxima semana.

Na faixa litoral oeste o cenário é mais ameno, entre os 30 graus, mas no Alentejo e no interior passa-se bem dos 40. E não é só de dia: as noites também aquecem, com boa parte do país acima dos 20 graus de madrugada — o que dificulta o descanso.

E aquilo dos 50 graus?

Esqueça. O IPMA já veio a terreiro desmentir os boatos de redes sociais que falavam em 50 graus. Os valores previstos, diz o instituto, estão bem longe dos recordes do continente, que andam pelos 46 ou 47 graus. Calor a sério, sim; apocalipse, não.

O básico

Beba água mesmo sem sede, evite o sol entre as 12h e as 17h, e fique de olho nos mais velhos, nos bebés e em quem trabalha à rua. E, com tudo seco como está, cuidado redobrado com qualquer faísca — a época de incêndios não perdoa descuidos.

Imagem ilustrativa · Foto: Yuri Meesen / Pexels

Digital visualization of COVID-19 statistics showing deaths and recoveries globally.
Notícias 25 de junho de 2026

Surto de Ébola alastra no leste da RD Congo: mais de mil casos num mês

Mais de 250 mortes em pouco mais de um mes numa zona já fustigada pela violência. O que se sabe — e por que o mundo deve estar atento.

Más notícias vindas do leste da República Democrática do Congo: um surto de Ébola está a alastrar com rapidez. Em pouco mais de um mês, foram confirmados mais de mil casos e registadas mais de 250 mortes — uma escalada que preocupa as autoridades de saúde.

O timing não podia ser pior. A região já vive há anos sob o peso de conflitos armados e deslocações de população, o que torna tudo mais difícil: equipas de saúde têm de chegar a zonas inseguras, isolar doentes e travar a cadeia de contágio enquanto a violência continua à volta.

Por que nos diz respeito

O Ébola não é gripe — passa por contacto com fluidos, não pelo ar, e os surtos costumam ser contidos quando há resposta rápida e vacinação. Mas num cenário de guerra, “resposta rápida” é mais fácil de dizer do que de fazer. Vale a pena seguir isto: a saúde, hoje, não tem fronteiras, e o que começa longe raramente fica só lá.

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Aerial shot of Loulé Market and surrounding architecture in Faro, Portugal.
Notícias 24 de junho de 2026

Calor a apertar: 17 concelhos em perigo máximo de incêndio

O IPMA colocou concelhos de oito distritos no nível mais alto de risco, com termómetros a aproximarem-se dos 40 graus. Como passar a semana em segurança.

Se ontem espreitou pela janela e pensou “isto está a ferver”, não foi impressão sua. O IPMA colocou 17 concelhos de oito distritos em perigo máximo de incêndio — o topo da escala — com o calor a empurrar os termómetros para perto dos 40 graus em várias zonas do país.

A previsão é de que o risco mais alto se mantenha até quarta-feira, com um alívio gradual a seguir. Mas “gradual” é a palavra-chave: enquanto o tempo seco e quente persistir, basta uma faísca.

O básico que salva o verão

Nada de queimadas, foguetes ou churrascos ao ar livre nos dias de risco elevado. Um cigarro mal apagado ou uma roçadora a bater numa pedra chegam para começar um incêndio. Mantenha os terrenos limpos, beba água, evite o sol nas horas de ponta e fique de olho nos mais velhos e nas crianças.

Não é alarmismo — é a rotina de quem vive num país que todos os verões aprende a mesma lição. Vale a pena guardar o 112 à mão e seguir os avisos da Proteção Civil.

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Charming close-up portrait of a young boy with a cute hairstyle in a cozy indoor setting.
Notícias 24 de junho de 2026

O mundo está a olhar de lado para os EUA, diz novo inquérito

Um estudo do Pew em 36 países mostra confiança baixa na liderança norte-americana e uma visão maioritariamente desfavorável. A imagem da América anda em baixo.

A América continua a ser a maior potência do planeta, mas o resto do mundo anda a torcer o nariz. Um novo inquérito do Pew Research Center, feito em 36 países, mostra que, em média, apenas 23% dos adultos dizem ter confiança na liderança do Presidente Donald Trump — e 57% têm uma visão desfavorável dos Estados Unidos.

São números baixos, e contam uma história que vai além de um nome: a imagem internacional dos EUA arrefeceu de forma transversal, da Europa à Ásia. A confiança nas decisões de Washington em matérias como comércio, clima e segurança caiu em vários aliados de longa data.

Porque é que isto nos interessa

Portugal é um aliado atlântico antigo, com a base das Lajes nos Açores como prova viva dessa ligação. Quando a confiança nos EUA baixa por toda a Europa, muda o tom das conversas na NATO e na UE — e Portugal está sempre algures nessa mesa. Vale a pena perceber de que lado sopra o vento.

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A detailed close-up of tree logs stacked together, highlighting bark texture in Sátão, Portugal.
Notícias 24 de junho de 2026

França regista o dia mais quente de sempre — e a Europa está a ferver

43°C no oeste francês, dezenas de mortes (a maioria por afogamento) e 54 zonas em alerta vermelho. A onda de calor que castiga a Europa não é piada.

Faz calor, e depois faz este calor. Na terça-feira, a localidade de Les Herbiers, no oeste de França, chegou aos 43°C — o dia mais quente desde que há registos no país, que começam em 1947. Não é uma cidade qualquer no sul a torrar ao sol; é o oeste atlântico, habitualmente fresquinho.

O lado trágico é que o calor matou. As autoridades francesas falam em cerca de 45 mortos desde quinta-feira, dos quais 40 por afogamento — na maioria jovens que foram mergulhar em locais sem vigilância para fugir ao forno. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu prudência: um rio fresco parece a salvação, mas a água fria depois de horas ao sol é traiçoeira.

A meteorologia francesa colocou 54 zonas em alerta vermelho, escolas fecharam mais cedo e a rede elétrica andou sob pressão com toda a gente a ligar o ar condicionado — onde o há, porque grande parte das casas francesas simplesmente não tem.

Porque é que isto nos interessa

Porque é a mesma cúpula de calor que já passou por cima da Península Ibérica. Portugal conhece bem o guião: dias tórridos, risco de incêndio no máximo e a tentação de ir dar um mergulho onde não se deve. A lição francesa é simples e vale para Portugal como vale para Bordéus — beba água, evite o sol do meio-dia, e na água escolha sempre o sítio com nadador-salvador.

Imagem ilustrativa · Foto: Clayton Anastácio / Pexels

Bandeira do Irão
Notícias 24 de junho de 2026

O cessar-fogo entre os EUA e o Irão aguenta-se (e o Estreito de Hormuz respira)

Mais de 100 dias depois do início da guerra, a trégua segura, Washington alivia sanções e o petróleo acalma. O que isso muda para a nossa carteira.

Cento e dezasseis dias. É o que já leva esta guerra que arrancou na primavera e que, durante semanas, fez todos olhar de soslaio para o mapa do Médio Oriente — sobretudo para um corredorzinho de água chamado Estreito de Hormuz, por onde passa uma fatia enorme do petróleo mundial.

A boa notícia desta semana é simples: o cessar-fogo aguenta-se. Washington começou a aliviar algumas sanções e deu ao Irão uma licença para voltar a vender petróleo no mercado internacional durante 60 dias. Tradução para quem não acompanha geopolítica ao pequeno-almoço: mais barris a caminho, menos pânico nos mercados.

Porque é que isto chega a Portugal

Quando o Hormuz fica tenso, o preço da energia dispara — e isso sente-se no depósito do carro e na fatura da luz. A guerra empurrou a energia em Portugal para uma subida de mais de 13% num ano. Com a trégua a segurar e o petróleo a acalmar, há finalmente espaço para os preços respirarem.

Nada disto está garantido — tréguas são coisas frágeis e já vimos muitas a partir-se. Mas, por agora, a tendência é de alívio. E, depois do que foi esta primavera, já não é pouco.

Imagem: Wikimedia Commons

Porta-aviões da Marinha dos EUA no mar
Notícias 24 de junho de 2026

Irão e EUA discordam sobre a paz — e há 11 mil marinheiros presos em Ormuz

O acordo para terminar a guerra está em vigor, mas Teerão e Washington contam histórias diferentes sobre as inspeções nucleares. Entretanto, começa a evacuação no estreito.

A guerra parou, a paz é que ainda anda a ser negociada à frente das câmaras. Irão e Estados Unidos assinaram um memorando para encerrar o conflito que envolveu também Israel, mas esta semana cada lado conta a sua versão sobre o que ficou realmente combinado — sobretudo na parte nuclear.

O diretor da Agência Internacional de Energia Atómica diz que os seus inspetores vão poder visitar instalações iranianas. Teerão responde que os locais atingidos pelos bombardeamentos não estão na lista, e o Presidente iraniano deixou claro que limitar o programa de mísseis nunca fará parte de qualquer acordo. Tradução: o cessar-fogo segura-se, mas os pormenores são um campo minado.

Há também um lado muito concreto e humano. A Organização Marítima Internacional, da ONU, começou a evacuar mais de 11 mil marinheiros que ficaram retidos no Estreito de Ormuz durante o conflito — gente presa a bordo enquanto a diplomacia tratava do resto.

Porque é que isto nos interessa

Ormuz é a torneira por onde passa boa parte do petróleo do mundo. Quando aquela zona acalma, os mercados respiram e o preço dos combustíveis tende a aliviar — algo que se nota, mais cedo ou mais tarde, no depósito do carro em Portugal.

Imagem: Wikimedia Commons

Mapa dos Estados-Parte do Tribunal Penal Internacional
Notícias 24 de junho de 2026

Níger abandona o Tribunal Penal Internacional

O país do Sahel, governado por militares desde o golpe de 2023, formalizou a saída do TPI. Mais um sinal do afastamento de uma parte de África das instituições ocidentais.

O Níger entregou à ONU a carta que dá início à saída do Tribunal Penal Internacional, o tribunal de Haia que julga genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A junta militar que tomou o poder em 2023 dá assim mais um passo para se distanciar das instituições que associa à influência ocidental.

Não é um caso isolado. Vários países do Sahel — a faixa a sul do Sara — têm vindo a virar costas a parceiros tradicionais como a França e a aproximar-se de outros atores, da Rússia à China. A saída do TPI é sobretudo simbólica, mas os símbolos, na geopolítica, contam.

Porque é que isto nos interessa

Pode parecer distante, mas o Sahel é o ponto de partida de muitas rotas migratórias que acabam à porta da Europa. A estabilidade — ou falta dela — naquela região tem ecos diretos nas políticas de imigração que se discutem em Bruxelas e, por arrasto, em Lisboa.

Imagem: Wikimedia Commons

View of archery targets set up on a lush green field with a clear sky.
Notícias 23 de junho de 2026

Lista de alvos: secretas terão desconhecido ameaças a Montenegro e Marcelo

Um documento atribuído a um movimento extremista listava mais de 170 nomes. Segundo a imprensa, os serviços de informações não teriam sido alertados.

Uma notícia que arrepia: terá circulado um documento com uma lista de mais de 170 alvos — entre eles o primeiro-ministro Luís Montenegro e o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa — atribuído a um movimento extremista. Na lista constariam ainda políticos, jornalistas, comentadores, ativistas e mais de meia centena de organizações.

O detalhe que mais inquieta, segundo a imprensa desta terça-feira, é outro: os serviços de informações não teriam tido conhecimento destas ameaças. Numa altura em que a segurança de figuras públicas está debaixo de holofotes um pouco por toda a Europa, é o tipo de falha que levanta perguntas difíceis.

Porque é que isto importa

Não é só sobre nomes numa lista. É sobre se o sistema que devia detetar estes sinais está, de facto, a funcionar. Quando a notícia chega primeiro às redações do que aos serviços, há algo a rever — e haverá, certamente, pedidos de explicações nos próximos dias.

Convém manter a cabeça fria: uma lista não é um plano executado, e a maioria destas ameaças nunca passa do papel. Mas o alerta fica, e o tema promete ocupar a agenda política.

Imagem ilustrativa · Foto: Kampus Production / Pexels

Large protest in Times Square, New York City highlighting political issues and freedom expression.
Notícias 22 de junho de 2026

Colômbia vira à direita: De la Espriella ganha por um fio

Numa segunda volta decidida por menos de um ponto percentual, o advogado ultraconservador Abelardo de la Espriella bateu o senador de esquerda Iván Cepeda. Toma posse a 7 de agosto.

A Colômbia acordou esta segunda-feira com um novo presidente eleito — e com o país praticamente partido ao meio.

Na segunda volta de domingo, o advogado ultraconservador Abelardo de la Espriella levou a melhor sobre o senador de esquerda Iván Cepeda por uma margem mínima: 49,65% contra 48,70%, segundo os resultados preliminares. Menos de um ponto percentual a separar dois projetos de país opostos.

Um recorde dentro do empate

Por mais renhida que tenha sido, a votação deu a De la Espriella algo histórico: com cerca de 12,9 milhões de votos, tornou-se o candidato presidencial mais votado de sempre na Colômbia. Vem de fora da política tradicional e fez campanha encostado à direita mais dura, o que promete mexer com a relação de Bogotá com Washington e com o rumo deixado pela esquerda no poder.

O que vem a seguir

A posse está marcada para 7 de agosto. Até lá, fica a pergunta que uma margem assim tão curta sempre deixa: como é que se governa um país onde quase metade votou ao contrário? Para a Europa e para Portugal, é mais uma peça no xadrez de uma América Latina a oscilar entre extremos — e vale a pena ficar de olho.

Imagem ilustrativa · Foto: David Wilson / Pexels

Captivating cityscape of Geneva with autumn foliage and mountain backdrop.
Notícias 22 de junho de 2026

Irão e EUA saem da Suíça com um roteiro de 60 dias

As conversações em Burgenstock fecharam com um plano para chegar a um acordo final em dois meses. O petróleo respirou de alívio e o estreito de Ormuz voltou a estar no centro de tudo.

Depois de uma semana tensa, chegou esta segunda-feira uma daquelas notícias que toda a gente queria ouvir: o Irão e os Estados Unidos saíram das conversações na Suíça com um acordo para um roteiro de 60 dias rumo a um entendimento final. Não é o fim da história — é mais o capítulo em que as duas partes concordam em continuar a falar em vez de se atirarem coisas à cabeça.

O arranque não foi propriamente calmo. Teerão anunciou de novo o fecho do estreito de Ormuz — a torneira por onde passa boa parte do petróleo do mundo — e Donald Trump voltou a ameaçar com ataques. E, no entanto, no resort de Burgenstock, os negociadores acabaram por montar grupos de trabalho para as sanções, o nuclear e a supervisão, e marcaram o relógio: dois meses para fechar.

Porque é que isto interessa a Portugal

A resposta mais rápida está no preço da gasolina. Mal os mediadores — Qatar e Paquistão — confirmaram o roteiro, o petróleo Brent virou em baixa. Menos tensão no Golfo costuma traduzir-se em combustível mais barato lá mais para a frente, e isso sente-se na carteira de quem enche o depósito em Portugal tal como em qualquer outro sítio.

Do lado iraniano, o ministro Abbas Araghchi falou em isenções para exportar petróleo, no descongelamento de alguns fundos e num plano de reconstrução. Faltam os pontos difíceis — o enriquecimento de urânio à cabeça. Sessenta dias parecem muitos, mas em diplomacia passam num instante.

Imagem ilustrativa · Foto: WASSIM AHMED / Pexels

A lively beach in Faro, Portugal, filled with sunbathers and umbrellas. Perfect for vacation vibes.
Notícias 21 de junho de 2026

Verão entrou a sério: cúpula de calor traz 40 °C e risco de fogo

O solstício chegou com uma cúpula de calor sobre a Península Ibérica. A semana que vem aquece a sério — e o perigo de incêndio sobe com ela.

O verão não pediu licença. Mesmo a calhar com o solstício deste domingo, instalou-se uma cúpula de calor sobre Portugal e Espanha — aquela situação em que o ar quente fica preso por cima da Península e cozinha tudo durante dias.

A partir do início da próxima semana, boa parte do continente deve andar entre os 35 °C e os 40 °C. No interior — vale do Douro, vale do Tejo e Alentejo lá mais para dentro — pode tocar ou passar os 40 °C, e em alguns pontos da Ibéria fala-se até em 45 °C. Não é um pico de uma tarde: o calor promete agarrar-se a vários dias.

O que isto muda para nós

Com terra seca e muito combustível no mato, o IPMA avisa que o perigo de incêndio rural agrava-se em muitas zonas pelo menos até meados da semana. A União Europeia já levava mais de 105 mil hectares ardidos em fogos grandes a meio de junho — e isto antes de a Ibéria entrar no forno.

Tradução prática para Portugal: nada de queimas, cuidado com qualquer faísca, e o habitual bom senso com idosos, crianças e quem trabalha à rua. Água por perto, sombra sempre que der, e deixar os esforços grandes para o início da manhã ou o fim do dia.

Aproveite o verão — mas com a cabeça fresca, mesmo que o termómetro não ajude.

Imagem ilustrativa · Foto: Jo Kassis / Pexels

Man walks past unique clock wall installation in Tehran, Iran.
Notícias 21 de junho de 2026

O relógio dos 60 dias: onde está a trégua entre os EUA e o Irão

Um memorando assinado a 17 de junho abriu uma janela de 60 dias para fechar o acordo. O Líbano quase a deitou abaixo — e voltou a segurar-se.

Depois de meses de sobressaltos no Médio Oriente, há agora uma coisa parecida com uma trégua a sério — mas presa por um fio e com prazo marcado.

A 17 de junho, os presidentes dos EUA e do Irão assinaram um memorando de entendimento que estende o cessar-fogo por 60 dias. A ideia é simples: parar os tiros e usar esse tempo para negociar os termos finais. O calendário é que não é nada simpático — é um relógio a contar.

Por que quase descarrilou

A meio da semana, o estoiro veio de outro lado: Israel e o Hezbollah voltaram a trocar ataques no Líbano, e isso ameaçou fazer ruir as conversas EUA–Irão na Suíça. Na sexta-feira, dia 19, Israel e o Hezbollah renovaram a sua própria trégua, depois de Washington ter pressionado por uma pausa. O Irão, que não esteve nas conversas nem assinou o acordo principal, já tinha avisado: se o Líbano continuar a arder, não se sente obrigado a cumprir.

Resumindo: a guerra parou, mas a paz ainda não está fechada. Os próximos dias dirão se aquele memorando de 60 dias vira acordo — ou se o relógio chega ao fim sem nada assinado.

Imagem ilustrativa · Foto: Hamid Mohammad Hossein Zadeh Ha / Pexels