O cessar-fogo entre os EUA e o Irão aguenta-se (e o Estreito de Hormuz respira)
Mais de 100 dias depois do início da guerra, a trégua segura, Washington alivia sanções e o petróleo acalma. O que isso muda para a nossa carteira.
Cento e dezasseis dias. É o que já leva esta guerra que arrancou na primavera e que, durante semanas, fez todos olhar de soslaio para o mapa do Médio Oriente — sobretudo para um corredorzinho de água chamado Estreito de Hormuz, por onde passa uma fatia enorme do petróleo mundial.
A boa notícia desta semana é simples: o cessar-fogo aguenta-se. Washington começou a aliviar algumas sanções e deu ao Irão uma licença para voltar a vender petróleo no mercado internacional durante 60 dias. Tradução para quem não acompanha geopolítica ao pequeno-almoço: mais barris a caminho, menos pânico nos mercados.
Porque é que isto chega a Portugal
Quando o Hormuz fica tenso, o preço da energia dispara — e isso sente-se no depósito do carro e na fatura da luz. A guerra empurrou a energia em Portugal para uma subida de mais de 13% num ano. Com a trégua a segurar e o petróleo a acalmar, há finalmente espaço para os preços respirarem.
Nada disto está garantido — tréguas são coisas frágeis e já vimos muitas a partir-se. Mas, por agora, a tendência é de alívio. E, depois do que foi esta primavera, já não é pouco.
Imagem: Wikimedia Commons