Paz à vista: EUA e Irão fecham acordo e Ormuz prepara-se para reabrir
Depois de meses de tensão no Golfo, há um acordo na mesa. O petróleo caiu a pique e os mercados respiraram fundo — eis o que isto muda para a sua carteira.
Há meses que o Estreito de Ormuz andava no centro de todas as conversas sobre o preço da gasolina. Por aquela faixa estreita de mar passa cerca de um quinto do petróleo do mundo, e quando o tráfego de petroleiros lá quase parou no início do ano, os preços dispararam. Agora, parece que o pior ficou para trás.
Os Estados Unidos e o Irão anunciaram um acordo para acabar com as hostilidades e voltar a abrir o estreito. A assinatura formal está marcada para sexta-feira, na Suíça, e os EUA comprometem-se a levantar o bloqueo naval. A reação foi imediata: o barril de crude americano caiu abaixo dos 80 dólares pela primeira vez desde março, uma descida de mais de 5% num só dia.
Porque é que isto importa cá em casa
Energia mais barata lá fora costuma traduzir-se, com algumas semanas de atraso, em menos pressão nos preços ao balcão — desde o depósito do carro até à conta da luz. Para Portugal, que importa praticamente todo o petróleo que consome, é um alívio bem-vindo num ano em que a inflação voltou a picar.
Há, claro, a letra pequena. O Irão diz que Ormuz só ficará sem portagem durante 60 dias, depois dos quais a gestão passa a ser partilhada com Omã, e ainda há diferenças de interpretação entre as duas partes. Ou seja: bom sinal, mas com um pé atrás. Vale a pena celebrar — sem deitar o champanhe todo de uma vez.
Imagem ilustrativa · Foto: Rashed Paykary / Pexels