Irão e EUA saem da Suíça com um roteiro de 60 dias
As conversações em Burgenstock fecharam com um plano para chegar a um acordo final em dois meses. O petróleo respirou de alívio e o estreito de Ormuz voltou a estar no centro de tudo.
Depois de uma semana tensa, chegou esta segunda-feira uma daquelas notícias que toda a gente queria ouvir: o Irão e os Estados Unidos saíram das conversações na Suíça com um acordo para um roteiro de 60 dias rumo a um entendimento final. Não é o fim da história — é mais o capítulo em que as duas partes concordam em continuar a falar em vez de se atirarem coisas à cabeça.
O arranque não foi propriamente calmo. Teerão anunciou de novo o fecho do estreito de Ormuz — a torneira por onde passa boa parte do petróleo do mundo — e Donald Trump voltou a ameaçar com ataques. E, no entanto, no resort de Burgenstock, os negociadores acabaram por montar grupos de trabalho para as sanções, o nuclear e a supervisão, e marcaram o relógio: dois meses para fechar.
Porque é que isto interessa a Portugal
A resposta mais rápida está no preço da gasolina. Mal os mediadores — Qatar e Paquistão — confirmaram o roteiro, o petróleo Brent virou em baixa. Menos tensão no Golfo costuma traduzir-se em combustível mais barato lá mais para a frente, e isso sente-se na carteira de quem enche o depósito em Portugal tal como em qualquer outro sítio.
Do lado iraniano, o ministro Abbas Araghchi falou em isenções para exportar petróleo, no descongelamento de alguns fundos e num plano de reconstrução. Faltam os pontos difíceis — o enriquecimento de urânio à cabeça. Sessenta dias parecem muitos, mas em diplomacia passam num instante.
Imagem ilustrativa · Foto: WASSIM AHMED / Pexels