O Irão atacou o Kuwait e o Barém depois da sétima noite de bombas dos EUA
O Irão retaliou este sábado contra alvos no Kuwait e no Barém, após sete noites seguidas de bombardeamentos americanos. O petróleo subiu mais de 4% e o Estreito de Ormuz volta a estar no centro do medo.
A guerra no Golfo entrou num sábado de nervos à flor da pele. Depois de uma sétima noite consecutiva de bombardeamentos americanos contra instalações militares e logísticas iranianas, o Irão voltou a responder — desta vez contra os vizinhos que acolhem forças dos EUA. O Kuwait foi o alvo principal: uma central de dessalinização foi atingida e o aeroporto internacional chegou a suspender operações por ameaças repetidas de mísseis e drones.
Os Guardas Revolucionários reivindicaram ataques a um centro de apoio militar americano em Camp Arifjan e a destruição de um radar na base aérea de Ali Al Salem, ambos no Kuwait. Segundo a imprensa estatal iraniana, também foram visados alvos no Barém, incluindo uma base onde estariam concentrados aviões de combate dos EUA. Tudo isto uma semana depois do colapso de um cessar-fogo que já nascera frágil.
Porque é que o Kuwait está a ser atacado?
Porque é ali que estão as forças americanas. Teerão avisou na sexta-feira que se aproxima a “hora zero” para uma operação contra os navios do Comando Central dos EUA na região — e, enquanto a marinha americana diz estar a impor um bloqueio naval, o Irão afirma já ter atacado embarcações que violaram as suas regras de navegação no Estreito de Ormuz. Trump, por seu lado, ameaça alargar os ataques aéreos e não descarta uma incursão terrestre na costa iraniana.
O que significa isto para os preços cá?
O mercado respondeu primeiro: o petróleo disparou mais de 4% na sexta-feira, para o valor mais alto em mais de um mês. Ormuz continua a ser o corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, e cada semana de escalada chega às bombas portuguesas com dias de atraso. O conflito já tinha alastrado à Síria e ao Qatar no sexto dia; quem tenha viagem marcada para a região deve consultar os conselhos oficiais no Portal das Comunidades do MNE.
O padrão da semana é claro e pouco animador: cada noite de bombas americanas compra uma manhã de retaliação iraniana, cada vez mais perto das infraestruturas civis do Golfo. E enquanto os dois lados medem forças, é o resto do mundo que paga a conta na fatura da energia.
Por Marta Carneiro
Imagem: Zairon / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)