Irão e EUA discordam sobre a paz — e há 11 mil marinheiros presos em Ormuz
O acordo para terminar a guerra está em vigor, mas Teerão e Washington contam histórias diferentes sobre as inspeções nucleares. Entretanto, começa a evacuação no estreito.
A guerra parou, a paz é que ainda anda a ser negociada à frente das câmaras. Irão e Estados Unidos assinaram um memorando para encerrar o conflito que envolveu também Israel, mas esta semana cada lado conta a sua versão sobre o que ficou realmente combinado — sobretudo na parte nuclear.
O diretor da Agência Internacional de Energia Atómica diz que os seus inspetores vão poder visitar instalações iranianas. Teerão responde que os locais atingidos pelos bombardeamentos não estão na lista, e o Presidente iraniano deixou claro que limitar o programa de mísseis nunca fará parte de qualquer acordo. Tradução: o cessar-fogo segura-se, mas os pormenores são um campo minado.
Há também um lado muito concreto e humano. A Organização Marítima Internacional, da ONU, começou a evacuar mais de 11 mil marinheiros que ficaram retidos no Estreito de Ormuz durante o conflito — gente presa a bordo enquanto a diplomacia tratava do resto.
Porque é que isto nos interessa
Ormuz é a torneira por onde passa boa parte do petróleo do mundo. Quando aquela zona acalma, os mercados respiram e o preço dos combustíveis tende a aliviar — algo que se nota, mais cedo ou mais tarde, no depósito do carro em Portugal.
Imagem: Wikimedia Commons