O Irão matou dois militares dos EUA na Jordânia — e Washington já respondeu
O Irão reivindicou o ataque à base de Al-Azraq, na Jordânia, que matou dois militares dos EUA. Washington respondeu com novos bombardeamentos e Khamenei fala em 'fantasia ingénua'.
A guerra entre os Estados Unidos e o Irão acaba de cruzar mais uma linha. Um ataque com drones e mísseis à base de Al-Azraq, na Jordânia, matou dois militares norte-americanos — as primeiras baixas dos EUA desde que o cessar-fogo ruiu, elevando para quinze o total de militares americanos mortos desde o início do conflito. A Guarda Revolucionária iraniana reivindicou o ataque sem rodeios, e a resposta não tardou: Washington lançou uma nova vaga de bombardeamentos sobre território iraniano ainda durante a noite.
O que aconteceu na base de Al-Azraq?
A base, usada por forças norte-americanas no leste da Jordânia, foi atingida numa das vagas de drones e mísseis que o Irão tem disparado contra países que acolhem tropas dos EUA. É a primeira vez nesta escalada que morrem militares americanos fora do Golfo — e a primeira vez que a Jordânia, que tentou manter-se fora da linha de fogo, entra no mapa das baixas. Amã ainda não anunciou qualquer resposta própria.
O momento não podia ser mais delicado. Como contámos este domingo, o conflito já vai na oitava noite e até a água do Golfo se tornou alvo, depois de uma semana em que o cessar-fogo se desfez de vez entre trocas de acusações e ataques cruzados.
E agora, o que se segue?
Nada que soe a travão. O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, reagiu chamando “fantasia ingénua” às ambições dos EUA na região, e o Pentágono — que confirma as duas mortes — promete continuar a responder a cada ataque; os comunicados oficiais vão sendo publicados pelo Departamento de Defesa norte-americano. Com bases americanas espalhadas pela Jordânia, Qatar, Barém e Kuwait, cada nova vaga de drones amplia o tabuleiro — e cada baixa torna mais difícil qualquer regresso à mesa. Para quem acompanha à distância, fica o essencial: a guerra que começou no Estreito de Ormuz já não cabe no Golfo.
Por Marta Carneiro
Imagem: Wikimedia Commons (domínio público)