O Irão promete 'lições inesquecíveis' e a guerra já ataca a água do Golfo
Ao oitavo dia de ataques dos EUA, o Irão voltou a atingir centrais de dessalinização no Kuwait e o líder supremo ameaça com 'lições inesquecíveis'.
A guerra entre os Estados Unidos e o Irão entrou no oitavo dia sem sinal de travão — e com um alvo novo e assustadoramente concreto: a água potável do Golfo. Pelo segundo dia consecutivo, mísseis iranianos atingiram uma central de produção de eletricidade e dessalinização no Kuwait, provocando incêndios numa infraestrutura de que dependem milhões de pessoas numa das regiões mais áridas do planeta.
A retórica também subiu de tom. O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, avisou que os Estados Unidos vão receber “lições inesquecíveis” se mantiverem os ataques, e desvalorizou qualquer promessa vinda de Washington, dizendo que a palavra de Donald Trump é “desprovida de credibilidade”. Do outro lado, Trump ameaçou destruir centrais elétricas e pontes iranianas “a menos que se sentem à mesa para negociar”, enquanto Mohsen Rezaei, conselheiro militar do líder supremo, falou numa “ofensiva em grande escala” caso os bombardeamentos continuem.
O que está em risco com os ataques à água?
O essencial: as centrais de dessalinização do Golfo transformam água do mar em quase toda a água potável que o Kuwait, o Barém e os vizinhos consomem. Atingi-las não é um dano colateral — é tornar a vida civil impossível. Depois de uma semana em que o conflito já tinha alastrado ao Kuwait e ao Barém, esta escalada aponta diretamente às infraestruturas de que a região não pode prescindir, com o estreito de Ormuz sob bloqueio reforçado e os mercados de energia em sobressalto.
Para já, não há negociações à vista, apenas ultimatos cruzados. Quem tiver viagem marcada para a região deve consultar os conselhos aos viajantes do MNE antes de embarcar.
Oito dias, dois ultimatos e uma região a ficar sem água potável. A pergunta já não é se a escalada continua — é onde é que ela para.
Por Marta Carneiro
Imagem: khamenei.ir / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)