Níger abandona o Tribunal Penal Internacional
O país do Sahel, governado por militares desde o golpe de 2023, formalizou a saída do TPI. Mais um sinal do afastamento de uma parte de África das instituições ocidentais.
O Níger entregou à ONU a carta que dá início à saída do Tribunal Penal Internacional, o tribunal de Haia que julga genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A junta militar que tomou o poder em 2023 dá assim mais um passo para se distanciar das instituições que associa à influência ocidental.
Não é um caso isolado. Vários países do Sahel — a faixa a sul do Sara — têm vindo a virar costas a parceiros tradicionais como a França e a aproximar-se de outros atores, da Rússia à China. A saída do TPI é sobretudo simbólica, mas os símbolos, na geopolítica, contam.
Porque é que isto nos interessa
Pode parecer distante, mas o Sahel é o ponto de partida de muitas rotas migratórias que acabam à porta da Europa. A estabilidade — ou falta dela — naquela região tem ecos diretos nas políticas de imigração que se discutem em Bruxelas e, por arrasto, em Lisboa.
Imagem: Wikimedia Commons