Polícia Marítima identificou o homem que fotografava banhistas na praia de Monte Clérigo
O suspeito, um cidadão espanhol de 68 anos, foi identificado a 1 de agosto em Aljezur. As fotografias foram apreendidas e o auto seguiu para o Ministério Público, que abriu inquérito.
A Polícia Marítima identificou o homem que estava a fotografar banhistas sem consentimento na praia de Monte Clérigo, em Aljezur. Segundo a comunicação oficial da Autoridade Marítima Nacional, foram elementos do Comando Local de Lagos que o abordaram no sábado, 1 de agosto. Trata-se de um cidadão espanhol de 68 anos.
O alerta chegou ao final da tarde, depois de banhistas terem detido o homem no areal e chamado as autoridades. Quando a Polícia Marítima chegou, encontrou no telemóvel várias fotografias tiradas naquela praia, com mulheres e crianças enquadradas sem que soubessem.
As imagens foram apreendidas como prova. O auto foi remetido ao Ministério Público, a quem cabe agora avaliar os elementos recolhidos e decidir que diligências se seguem. O inquérito está aberto.
O que a lei diz sobre fotografar alguém na praia
Um areal público não é terra de ninguém em matéria de imagem. O Código Penal pune quem fotografa ou filma outra pessoa sem o seu consentimento, e a moldura agrava-se quando as imagens envolvem menores ou expõem a intimidade da vida privada. Não é preciso publicar nada para haver crime: captar já basta.
Foi por aí que o caso ganhou dimensão. Um vídeo gravado por quem estava na praia circulou nas redes sociais antes de qualquer comunicado, e é a partir dessa gravação que a maioria das pessoas soube do que se tinha passado.
Fica em aberto uma decisão que gerou desconforto local: o telemóvel não foi apreendido e permaneceu na posse do suspeito, ainda que as fotografias tenham sido preservadas. É um dos pontos que o Ministério Público terá de resolver.
A vigilância da costa algarvia tem estado sobretudo virada para o mar, com o reforço de patrulhas marítimas e terrestres no Algarve decidido este verão. Casos como o de Monte Clérigo mostram que parte do trabalho continua a ser em terra, no areal, e a depender de quem lá está.
Por Marta Carneiro
Imagem: Rui Glória / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)