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André Ventura a discursar no Parlamento
Política 18 de julho de 2026

Ventura escreve a Montenegro e quer Luís Neves fora do Governo

André Ventura enviou uma carta ao primeiro-ministro a defender que a permanência de Luís Neves na Administração Interna compromete a confiança nas instituições. A PJ abriu entretanto uma nova investigação.

André Ventura passou dos discursos ao papel timbrado. O líder do Chega enviou uma carta a Luís Montenegro a defender que a permanência de Luís Neves à frente da Administração Interna “compromete a confiança nas instituições”, acusando o Governo de não agir perante a gravidade das suspeitas que se acumulam sobre o ministro. Em paralelo, apelou publicamente a que Neves saia “pelo próprio pé” — e, se não sair, que o primeiro-ministro mostre “autoridade política”.

O que pede o Chega na carta a Montenegro?

Uma decisão: ou o ministro se demite, ou Montenegro demite-o. A pressão não nasceu esta semana — Luís Neves está debaixo de fogo desde que se soube que o empreiteiro que faturou 1,9 milhões de euros em obras da PJ fez também trabalhos privados no monte do ministro, com faturas conhecidas de 27 mil euros e comprovativos de pagamento que continuam por mostrar. Neves tem negado qualquer irregularidade e justifica a escolha do construtor com a credenciação de segurança da empresa.

O que está a PJ a investigar agora?

O capítulo novo chegou na sexta-feira: a Polícia Judiciária anunciou a abertura de uma investigação a um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado acoplado a um camião da Construbarcelos — precisamente a empresa do empreiteiro amigo do ministro que fez as obras na sua propriedade. É este cruzamento entre um caso de polícia e o círculo próximo do governante que fez subir o tom da oposição.

Montenegro, que atravessou o debate do Estado da Nação sem largar o ministro, tem agora a carta em cima da mesa e uma conta simples para fazer: quanto vale a lealdade a Neves face ao desgaste de o manter. A composição do executivo pode ser consultada no portal oficial do Governo; a durabilidade dela, essa, decide-se nos próximos dias.

Por Tomás Vasconcelos

Imagem: Duke of Winterfell / Wikimedia Commons (GFDL)

Fachada do Palácio de São Bento, sede da Assembleia da República, ao entardecer, com a bandeira portuguesa hasteada
Política 18 de julho de 2026

A 'violência obstétrica' desapareceu da lei — o Parlamento aprovou novas regras para a gravidez e o parto

O Parlamento aprovou uma nova lei para a gravidez, o parto e o puerpério que elimina o termo violência obstétrica e cria novos direitos, do apoio à saúde mental a um conselho nacional. Livre e BE votaram contra.

A expressão que deu nome a anos de debate saiu da letra da lei. O Parlamento aprovou na sexta-feira um texto de substituição que altera profundamente a lei dos direitos na preconceção, na procriação medicamente assistida, na gravidez, no parto e no puerpério — e a mudança mais comentada é de vocabulário: "violência obstétrica" dá lugar a "intervenções inadequadas, desrespeitosas ou não consentidas". Mais do que o nome, muda o pacote de garantias. Os…

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A fachada norte da Casa Branca, em Washington, com a fonte em primeiro plano
Política 18 de julho de 2026

As sanções à Rússia ganharam força em Washington — e Trump diz que apoia

O Senado dos EUA chegou a acordo com a Casa Branca sobre o Sanctioning Russia Act de 2026, com tarifas até 100% para os maiores compradores de petróleo e gás russos.

Depois de meses encalhado, o pacote de sanções à Rússia voltou a andar em Washington — e desta vez com a Casa Branca a bordo. Um grupo bipartidário de senadores chegou a acordo com a administração sobre uma versão revista do Sanctioning Russia Act de 2026, e Trump confirmou esta semana que apoia o diploma. O coração do texto são as chamadas sanções secundárias: em vez de castigar só Moscovo, o diploma autoriza o presidente a impor tarifas a quem continua…

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Fachada do Palácio de São Bento, sede da Assembleia da República, em Lisboa
Política 17 de julho de 2026

O Conselho das Finanças Públicas vai ganhar mais poderes — e o Orçamento passa a jogar com as novas regras de Bruxelas

O Governo aprovou duas propostas de lei que revêem a Lei de Enquadramento Orçamental e reforçam a independência do Conselho das Finanças Públicas, adaptando o processo orçamental às novas regras europeias.

O árbitro das contas públicas vai ficar com um apito mais forte. O Conselho de Ministros aprovou esta sexta-feira duas propostas de lei que seguem agora para o Parlamento: uma revê a Lei de Enquadramento Orçamental — a lei que dita como se faz o Orçamento do Estado — e a outra mexe nos estatutos do Conselho das Finanças Públicas, reforçando as competências e a independência da entidade que fiscaliza as contas do país. O objetivo central é alinhar o…

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António José Seguro, Presidente da República, durante um discurso
Política 17 de julho de 2026

Seguro promulgou a Prestação Social Única — e os 13 apoios do Estado estão mais perto de caber num só

O Presidente da República promulgou a autorização legislativa que permite ao Governo criar a Prestação Social Única (PSU), que junta 13 prestações sociais, incluindo o RSI. Falta agora o decreto-lei.

A Prestação Social Única passou esta sexta-feira o penúltimo obstáculo. António José Seguro promulgou a autorização legislativa que o Parlamento deu ao Governo para criar a PSU, e a decisão foi anunciada numa nota sóbria no site da Presidência, sem comentários ao conteúdo do diploma. Com a assinatura do Presidente, a bola volta para o Conselho de Ministros. É a reforma que junta 13 prestações sociais não contributivas — incluindo o Rendimento Social de…

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Comboio histórico na estação ferroviária da Régua, ponto de partida da Linha do Corgo
Política 17 de julho de 2026

A Linha do Corgo pode voltar aos carris — o Parlamento quer o comboio outra vez entre a Régua e Chaves

O Parlamento aprovou recomendações de Chega, Livre, BE e PCP para a reabertura integral da Linha do Corgo, que ligava a Régua a Vila Real e Chaves. Não têm força de lei — mas ninguém votou contra.

A Linha do Corgo voltou esta sexta-feira ao mapa político: o Parlamento aprovou um conjunto de resoluções que recomendam ao Governo a reabertura integral da ferrovia que ligava a Régua a Vila Real e Chaves, encerrada há mais de quinze anos. As iniciativas vieram de bancadas que raramente votam juntas — Chega, Livre, Bloco de Esquerda e PCP — e passaram com votações distintas, mas com um detalhe que diz muito: nenhum partido votou contra. Trás-os-Montes é…

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Mykhailo Fedorov num painel do Fórum Económico Mundial
Política 17 de julho de 2026

Zelensky demitiu Fedorov e Kiev foi para a rua gritar que o querem de volta

A saída de Mykhailo Fedorov do Ministério da Defesa levou mais de mil pessoas à praça central de Kiev e provocou a demissão de um comandante adjunto da força aérea. Zelensky defende a remodelação.

Há remodelações que passam despercebidas e há esta. Quando Volodymyr Zelensky afastou Mykhailo Fedorov do Ministério da Defesa, mais de mil pessoas encheram a praça central de Kiev com bandeiras ucranianas e europeias a gritar "vergonha" e a pedir que o ministro volte. Fedorov é o rosto jovem da transformação digital ucraniana — o homem que levou os serviços do Estado para uma aplicação e que fez das drones uma peça central do esforço de guerra.…

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Pátio interior do Palácio de São Bento, sede da Assembleia da República
Política 17 de julho de 2026

As novas sondagens dão o PS à frente — mas AD e Chega discutem o segundo lugar ao décimo

Duas sondagens publicadas a 16 de julho dão o PS na liderança: a Intercampus com 23,3% contra 20% da AD e 19,4% do Chega, e a Universidade Católica com PS e AD empatados nos 29%. Habitação, saúde e educação pesam na avaliação do Governo.

Duas sondagens no mesmo dia, duas fotografias diferentes do país — e um ponto em comum: o PS continua à frente. A Intercampus, com trabalho de campo de 9 a 14 de julho, dá aos socialistas 23,3% das intenções de voto, menos um ponto do que em junho. A novidade está atrás: a AD recupera o segundo lugar com 20% e o Chega desce ao terceiro com 19,4% — um empate técnico em que os lugares trocam consoante a semana. Que a corrida está mais apertada do que…

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Lançamento de teste de um míssil de precisão PrSM num campo de ensaios (foto de arquivo)
Política 16 de julho de 2026

O Reino Unido vai construir o seu primeiro míssil balístico em meio século — e quer entregá-lo à Ucrânia em 2027

Londres assinou contratos para desenvolver o primeiro míssil balístico britânico em mais de 50 anos, com especificações simplificadas para chegar à Ucrânia já em 2027, dentro de uma aposta europeia de longo alcance.

Há meio século que o Reino Unido não construía um míssil balístico. Isso vai mudar: Londres assinou contratos com várias empresas para desenvolver uma nova arma de longo alcance — e o primeiro cliente na fila não é o exército britânico, é a Ucrânia, que a deverá receber em 2027. A pressa explica o desenho. Segundo avançou a Bloomberg, o Ministério da Defesa britânico simplificou deliberadamente as especificações do míssil para acelerar o desenvolvimento e…

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Interior do Palácio de São Bento, sede da Assembleia da República
Política 16 de julho de 2026

Montenegro aguentou o Estado da Nação entre exames e faturas — e Ventura quis logo uma moção de confiança

No debate do Estado da Nação de 16 de julho, Montenegro criticou o oportunismo político, admitiu perturbações nos exames e garantiu confiança plena em Luís Neves. Ventura desafiou-o a pedir uma moção de confiança.

Montenegro chegou ao último grande debate antes das férias parlamentares com dois incêndios acesos — os exames nacionais e as faturas do seu ministro — e saiu sem apagar nenhum, mas também sem se queimar mais. O debate do Estado da Nação desta quinta-feira foi exatamente o braço de ferro que se esperava, depois de uma semana inteira a aquecer. O primeiro-ministro abriu a sessão com críticas ao oportunismo político da oposição e uma defesa do rumo do…

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Pete Hegseth num briefing de imprensa no Pentágono
Política 16 de julho de 2026

O Pentágono vai medir a testosterona dos militares com mais de 30 anos, por ordem de Hegseth

O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, mandou incluir rastreios anuais de testosterona na avaliação de saúde dos militares a partir dos 30 anos, com terapia de substituição opcional. A medida é apresentada como aposta na 'letalidade' — e levanta dúvidas médicas.

O Pentágono decidiu que a próxima fronteira da prontidão militar se mede ao miligrama. Pete Hegseth, o secretário da Defesa norte-americano, anunciou que todos os militares com mais de 30 anos vão passar a fazer rastreios anuais aos níveis de testosterona, integrados na avaliação periódica de saúde que as forças armadas já fazem todos os anos. O rastreio é obrigatório a partir dos 30 anos e entra no check-up anual dos militares; abaixo dessa idade,…

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Luís Neves, ministro da Administração Interna, num discurso quando dirigia a Polícia Judiciária
Política 16 de julho de 2026

Luís Neves divulga 108 faturas — e as obras afinal passam pela empresa da mulher

A lista das faturas das obras de Luís Neves em Odemira soma 23.118 euros de 13 empresas — todas emitidas à Alcampos, a empresa unipessoal da mulher do ministro. Os comprovativos de pagamento continuam por mostrar.

O caso das obras de Luís Neves ganhou números — e uma empresa nova na história. O Ministério da Administração Interna divulgou a lista de faturas das intervenções no monte da família em São Teotónio, Odemira: 108 documentos, de 13 empresas diferentes, num total de 23.118,19 euros. O detalhe que está a dar que falar é outro: as faturas foram emitidas à Alcampos Unipessoal Lda., a empresa da mulher do ministro. É uma sociedade unipessoal criada a 16 de…

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Árvores e lago do Jardim da Estrela, em Lisboa, num dia de sol
Política 15 de julho de 2026

O Bloco quer 30% de árvores em cada bairro até 2035, e ninguém a mais de 300 metros de um jardim

O Bloco de Esquerda entregou no parlamento um projeto de lei que obriga os bairros urbanos a ter 30% de copado até 2035 e garante um espaço verde a menos de 300 metros de casa.

A ideia cabe numa frase: ninguém devia viver a mais de 300 metros de uma árvore decente. O Bloco de Esquerda entregou esta terça-feira no parlamento um projeto de lei que tenta transformar isso em obrigação legal. Duas metas, ambas para 2035. A primeira: nenhum aglomerado habitacional consolidado poderá ter menos de 30% da sua área coberta por copas de árvores. A segunda: ninguém deve viver a mais de 300 metros de um espaço verde de qualidade. Onde chegar…

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Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal, à chegada a uma cimeira da NATO
Política 15 de julho de 2026

Montenegro leva ao debate do Estado da Nação uma promessa de guerra à burocracia, e a oposição leva os exames

O debate do Estado da Nação é quinta-feira, 16 de julho, e é o último antes das férias. Montenegro promete manter as reformas na educação e na saúde; a oposição quer falar da falha dos exames.

O último debate político antes das férias é já esta quinta-feira, 16 de julho, e tem tudo para não ser calmo. O debate do Estado da Nação começa às 15h30, abre com uma intervenção de Luís Montenegro até 30 minutos e arrasta-se por cerca de quatro horas, com pedidos de esclarecimento de todas as bancadas e o Governo a fechar a discussão. Montenegro chega com o guião escolhido. Na véspera prometeu manter as reformas na educação e na saúde e declarou aquilo…

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Fachada da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto
Política 15 de julho de 2026

Os exames nacionais vão levar mais 500 mil euros — e só ficam mesmo resolvidos em 2027

Fernando Alexandre deixou o EduQA gastar até 500 mil euros a segurar a correção dos exames nacionais. O sistema que devia resolver isto a sério, o GAEBS, só arranca em 2027.

O ministro da Educação autorizou o EduQA a gastar até 500 mil euros em apoio tecnológico de emergência para segurar a correção dos exames nacionais. Não é um investimento planeado — é um penso rápido caro, comprado a meio da hemorragia. A verba dá ao instituto margem para contratar serviços, comprar equipamento e chamar consultoria especializada quando estiver devidamente justificado. Traduzindo: para pagar a alguém que ponha de pé, já, o sistema que…

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