Trump ameaça o Canadá com tarifas por causa do fumo dos incêndios — sim, leu bem
Com quase mil incêndios ativos no Canadá e cidades americanas sob alerta de ar perigoso, Trump ameaça responder com novas tarifas a Otava.
Trump ameaçou o Canadá com novas tarifas na sexta-feira — não por causa de aço, carros ou leite, mas por causa do fumo. Com quase mil incêndios florestais ativos em território canadiano, milhões de pessoas na América do Norte respiram há dias ar classificado como perigoso, e o presidente dos EUA decidiu que a fatura deve chegar a Otava.
O fumo está assim tão mau?
Está. Os alertas de qualidade do ar no nível mais grave voltaram esta segunda-feira a cidades como Chicago, Detroit, Columbus e Minneapolis. Nova Iorque respirou finalmente um pouco melhor, depois daquele que as autoridades locais descrevem como o segundo pior episódio de fumo da história moderna da cidade. Os dados de qualidade do ar podem ser consultados no AirNow, o serviço oficial norte-americano.
Do lado canadiano, o primeiro-ministro Mark Carney tem gerido a crise dos fogos ao mesmo tempo que defende a expansão energética do país — e agora soma uma ameaça comercial ao dossiê. A relação entre os dois já tinha tido melhores dias, mas também momentos mais leves: ainda ontem partilharam camarote na final do Mundial.
As tarifas podem mesmo avançar?
Com Trump, a ameaça é frequentemente a própria política — mas nenhum detalhe foi anunciado: nem percentagens, nem produtos, nem datas. Fica o princípio, inédito, de responsabilizar comercialmente um vizinho pelo fumo que o vento transporta. O Canadá, recorde-se, não decide para onde sopra.
Para os leitores em Portugal, a história soa familiar: o verão de fogos e calor extremo também anda a pôr a Europa em modo de emergência de saúde pública — só que por cá, quando o fumo atravessa a fronteira, a resposta costuma ser pedir Canadair emprestado, não ameaçar tarifas.
Imagem: Ymblanter / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)