As sanções à Rússia ganharam força em Washington — e Trump diz que apoia
O Senado dos EUA chegou a acordo com a Casa Branca sobre o Sanctioning Russia Act de 2026, com tarifas até 100% para os maiores compradores de petróleo e gás russos.
Depois de meses encalhado, o pacote de sanções à Rússia voltou a andar em Washington — e desta vez com a Casa Branca a bordo. Um grupo bipartidário de senadores chegou a acordo com a administração sobre uma versão revista do Sanctioning Russia Act de 2026, e Trump confirmou esta semana que apoia o diploma.
O que prevê o Sanctioning Russia Act de 2026?
O coração do texto são as chamadas sanções secundárias: em vez de castigar só Moscovo, o diploma autoriza o presidente a impor tarifas a quem continua a financiar a guerra comprando energia russa. A versão original falava em tarifas de 500% para todos; a revista é mais cirúrgica — até 100%, apontadas aos cinco maiores compradores de petróleo e gás russos, um grupo onde os proponentes incluem a China e a Índia. O texto soma mais de 26 copatrocinadores dos dois partidos, e o anúncio oficial do acordo está publicado no site da Comissão de Relações Externas do Senado.
O diploma carrega também um peso simbólico invulgar: um dos seus principais arquitetos, o senador Lindsey Graham, morreu subitamente há dias, e colegas dos dois lados passaram a tratar a aprovação como uma homenagem ao seu legado. Em política, poucas forças aceleram tanto um projeto de lei como essa.
O que muda para a Europa e para Portugal?
Se avançar, o efeito far-se-á sentir sobretudo nos preços da energia e no xadrez comercial — tarifas àquela escala sobre os maiores clientes do petróleo russo mexem com fluxos globais, e a Europa, que passou os últimos anos a desligar-se do gás de Moscovo, tem tudo a ganhar com um cerco que aperte também os compradores alheios. O momento não é neutro: a guerra continua a produzir sobressaltos políticos, de Kiev a Washington, e Londres já mostrou que o envolvimento ocidental está a subir de tom, com mísseis de novo alcance prometidos à Ucrânia.
Falta o mais difícil: transformar o acordo em votação, e a votação em lei. Mas depois de meses em que o dossier parecia morto, a novidade é essa — em Washington, voltou a haver pressa.
Imagem: Rob Young from United Kingdom / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)